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Texto de Opinião - 28/01/2022 - O Processo de Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental


Por Andrea Cristina Vettorello Wünsch – Professora de Educação Infantil

O significado da palavra transição corresponde à mudança, alteração, troca, modificação, evolução, passagem, transformação, trajeto. Cada mudança no mundo externo desencadeia processos de mudança no mundo interno das pessoas, quer na vida pessoal, escolar, de trabalho, por exemplo, caracterizando uma transição. Transição é um processo pelo qual as pessoas têm que passar para poder lidar com as circunstâncias que mudaram. E para a criança, como será que ela trabalha com uma mudança como a da EI para a EF?

Nesse contexto, a palavra troca assume importante sentido, indicando a relação que necessita existir entre a EI e o EF. Afinal, a criança está na escola, permanecerá na escola e, acima de tudo: continua sendo criança. Por que haver ruptura entre etapas de ensino? É imprescindível que haja troca entre essas etapas, pensando em uma parceria permeada de diálogos entre professores, crianças, familiares, gestores e coordenadores. Portanto, precisamos pensar em práticas mediadoras de aprendizagens que favoreçam a vivência desse momento de transição de maneira tranquila para a criança, família, professores e a própria escola.

O desenvolvimento é um processo contínuo, com uma sequência previsível, mas que tem um curso único para cada criança, uma vez que é nas relações que estabelece com o mundo e com as pessoas que a rodeiam que ela atribui sentido ao que vive. Nessas relações, a criança se comunica e se expressa de um jeito diferente do adulto, o que faz com que o ensino precise ser adequado, progressivo, diversificado, com estratégias de aprendizagens diferentes.

Pensando na possibilidade da criança como protagonista, construtora de sua aprendizagem, e do professor como mediador que trabalha com a escuta e coordena as atividades respeitando a evolução de cada criança, reflita sobre a lacuna existente entre as experiências desenvolvidas na EI e as práticas educativas do EF.

Na BNCC, encontramos um norte para realizar a passagem do EI para o 1º ano do EF. O documento sugere, por exemplo, a continuidade das experiências vividas, aprofundando e ampliando-as, destaca também a possibilidade de conversas e troca de materiais entre os educadores das duas etapas, além de sugerir que os professores aproveitem portfólios e relatórios produzidos durante a EI.

Em relação à ansiedade infantil no momento de transição, algumas considerações são importantes. Embora as transições façam parte do desenvolvimento humano e ao chegar ao final da pré-escola as crianças já tenham experimentado transições anteriores, é comum que este momento particular traga à tona ansiedades e/ou exacerbe medos novos ou já existentes. Um dos fatores que se associam a esta particularidade diz respeito à consciência da criança sobre essa transição. 

Promover a aproximação entre família e escola, considerando suas peculiaridades e similaridades, sobretudo no tocante aos processos de desenvolvimento e aprendizagem, é um dos caminhos que ajuda para que a transição da EI para o EF ocorra gradativamente e sem alterações bruscas. Afinal, o caminho se faz ao caminhar!

 

Andrea Cristina Vettorello Wünsch – Professora de Educação Infantil

Graduada em Pedagogia

Pós Graduada em Educação Especial e Inclusiva

Postado: Leila Ruver
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