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Polícia - 27/05/2015 - Confira como foram os depoimentos dos réus do Caso Bernardo nesta quarta-feira em Três Passos


Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz não quiseram prestar depoimento

Leandro Boldrini, pai de Bernardo Uglione Boldrini, foi o primeiro dos quatro réus a depor nesta manhã, no Salão do Júri do Foro da Comarca de Três Passos. O depoimento teve início por volta das 10h30min.

 

"Tenho a cristalinidade que a acusação é falsa. Eu não participei disso", declarou Leandro, referente às acusações. "Os autores são os outros denunciados. Laudos, imagens mostram isso. Eu não tenho nada a ver com isso", afirmou o pai de Bernardo ao Juiz de Direito Marcos Luís Agostini, titular do processo.

 

Complementando a resposta, o acusado respondeu supor "que está sendo denunciado a partir da 'intuição' do Ministério Público e da Polícia Civil".

 

Ao final do depoimento, que se encerrou às 13h45min, Leandro Boldrini se dirigiu ao Juiz e declarou: "Estou preso injustamente. Eu tô aqui para falar a verdade. Vou falar quantas vezes necessárias. Olhando nos seus olhos, com amor no coração pelo Bernardo: me destruíram. Cadê o Bernardo? Eu sou inocente, Doutor". Leandro lamentou por seus erros, que classificou de "injustificáveis": "Todo mundo erra. Tentei buscar o melhor. Sou uma pessoa esclarecida e jamais compactuaria. O senhor tem total autoridade para fazer justiça. Eu só quero que justiça seja feita. Estou lá há um ano, sobrevivendo. A mídia me massacrando, por sensacionalismo comercial. A justiça tem que ser justa, correta. Sou inocente."

 

União com Graciele

 

Leandro contou que conheceu Graciele na Páscoa de 2010 e, no mesmo ano, começaram a se relacionar.

 

Acusados

 

Afirmou que não conhece Edelvania, mas ouviu falar nela duas vezes. Graciele comentou que tinha a intenção de convidar Edelvania para ser madrinha da filha do casal.

 

Também não conhece Evandro.

 

Disse ao advogado de Edelvania que, "pelo que ele sabe", Edelvania teria participação no crime.

 

O nome de uma mulher, o número de RG, aparece num receituário supostamente assinado pelo médico. Leandro Boldrini disse que não conhece essa pessoa.

 

Sobre um possível relacionamento amoroso de Graciele com outra pessoa, o médico disse que "são boatos" e que desconhece qualquer contato após o início de seu relacionamento com a madrasta de Bernardo.

 

Rotina profissional

 

O Juiz Marcos Agostini perguntou sobre a rotina de Leandro Boldrini. O médico informou que era o responsável direto de sobreaviso do Hospital de Caridade de Três Passos. Falou que tinha cirurgias diferentes em dias diversos. Na clínica, Graciele trabalhava com ele mais diretamente no setor de endoscopia.

 

Midazolam

 

O médico Leandro Boldrini explicou que o Midazolam é medicamento usado para sedativo nos exames de endoscopia e de colonoscopia, para dar tranquilidade ao paciente e o "efeito de amnésia". Ele não tem função de tirar dor. O medicamento ficava guardado na sala de endoscopia. Nas últimas semanas (até o desaparecimento do filho), não deu falta do medicamento. Informou que precisa de 'receita azul - tipo P' para a sua indicação. E que havia formulário na clínica e no hospital onde trabalhava.

 

No consultório, a sala ficava fechada. Informou que ele, Graciele, uma funcionária e mais os colegas tinham acesso ao local. A secretária também tinha acesso.

 

O controle do medicamento era "extremamente rigoroso". As receitas ficavam nas bancadas de atendimento e da secretária. Para ele assinar um receituário, era através da secretária dele. Ao Juiz, Leandro Boldrini negou que a assinatura no receituário (que teria sido usado por Edelvânia para a compra de Midazolam) fosse dele.

 

Explicou que o cálculo da aplicação de Midazolam se dá por fatores, como o peso e o estado físico do paciente. Em crianças, o médico disse que é utilizado também.

 

Rotina em família

 

Leandro descreveu que saía cedo de casa e chegava tarde da noite. "O trabalho me sugou e praticamente me escravizou. Mas tinha momentos que a gente reservava para a família".

 

Quando isso ocorria, às vezes, Bernardo tinha a própria programação. O menino tinha liberdade para escolher o que iria fazer.

 

Relação com a madrasta

 

Leandro declarou que havia um certo conflito entre o filho e a madrasta pelo fato de Bernardo não ter um desempenho escolar satisfatório, não levar a sério o tratamento odontológico, etc. "Com o tempo, o afeto foi diminuindo. No início a situação era boa, depois veio a filha", afirmou.

 

O Juiz perguntou se a afirmação de que os dois - menino e madrasta - se odiavam era verdadeira. Leandro disse que "no final, sim. "Eu entrava no meio como um moderador dessa questão. Tentava apaziguar. Na maioria das vezes, conseguia. Alguém tinha que ceder". Bernardo estava na pré-adolescência "e ela tinha que compreender que isso aí ia mudar". "O casal em comum esforço consegue dar uma educação para a criança", disse o réu.

 

Para a Promotora de Justiça Silvia Jappe, Leandro afirmou que disse à Graciele que não abriria mão de Bernardo e que dava a ela a liberdade de seguir a própria vida. "Como pai, procurava dar tratamento igualitário aos filhos".

 

Ao Assistente de Acusação, Leandro Boldrini enfatizou: "É um absurdo dizer que Graciele impedia Bernardo de entrar em casa. Se alguém falar que ele foi impedido de entrar em casa, está mentindo", afirmou o réu, ressaltando que o filho tinha o controle do portão de casa e as chaves.

 

Leandro afirmou que nunca ficou sabendo de suposta tentativa de asfixia que Bernardo teria sofrido por parte da madrasta.

 

Relação pai e filho

 

A relação dele com Bernardo era boa. "Tínhamos diálogo. Principalmente no final da noite, eu sentava com Bernardo, fazia uma oração. Eu dizia pra ele: 'Bernardo, eu sou teu pai, eu sou tua mãe, a Kelly vai me ajudar, a gente só quer o teu bem'".

 

Leandro disse que, revisando os cadernos do filho, via que, naquele ano, o rendimento escolar do menino não era bom. "Sempre foi um aluno regular". Bernardo teve acompanhamento psiquiátrico e tomava medicação (Ritalina), mas depois parou.

 

A Ritalina era para a concentração e desempenho escolar "e para que o comportamento dele não atrapalhasse as outras crianças", informou o depoente. Terminaram as aulas, ele parou de tomar o remédio.

 

O acusado lembra que, quando o Juiz Fernando Vieira dos Santos o chamou para conversar no Foro,  afirmou que também foi no colégio e falou com os professores que o informaram que Bernardo atrapalhava a dinâmica da turma e que ele precisava de apoio. Não chegou a procurar médico para prescrever o medicamento.

 

O magistrado perguntou se Bernardo podia ter contato com a irmã: "A Graciele era muito vigilante. Criou uma bolha protetiva ao redor da filha", mas por cuidados de higiene. Leandro disse que falava para Graciele: "São irmãos, eles têm que conviver".

 

A Promotora Silvia Jappe perguntou como foi o último Dia dos Pais juntos. Leandro informou não recordar especificamente se eles passaram juntos. "Devo ter passado. Eu costumo visitar meu pai em Campo Novo, eu acredito que sim". Bernardo passou o Natal em Três Passos e Ano Novo com a madrinha.

 

Ela questionou por que Leandro não foi na Primeira Comunhão de Bernardo. Ele respondeu que o filho não era muito assíduo na catequese. Disse que tinha um casamento naquele dia. "Eu achei que o Bernardo não iria dar tanta importância assim, porque ele não era assíduo na catequese. Admito que foi um erro meu, deveria ter ficado".

 

Vídeos

 

Leandro confirmou que costumava fazer vídeos no celular para registrar momentos bons entre família. Sobre os que foram juntados aos autos, mostrando brigas entre o casal e Bernardo, inclusive com gritos de socorro do menino, afirmou: "Esses vídeos foram feitos com o intuito de registrar aquela agressividade para procurar ajuda médica, psicológica".

 

O Juiz questionou sobre um vídeo que mostra declarações de Graciele dizendo para o enteado que ele não sabia do que ela era capaz e que ele iria "para baixo da terra". Leandro disse que lembra desse momento. "Mas jamais me passou pela cabeça de que ela fosse fazer isso", afirmou. Mas disse que foi nessa ocasião que resolveu buscar ajuda para o comportamento do filho.

 

À Promotora, Leandro confirmou que o vídeo onde Bernardo aparece manuseando um facão foi mostrado na polícia porque interpretou como "uma ameaça". E afirmou que Bernardo tinha um descontrole emocional.

 

Sobre a discussão do menino com Graciele, Leandro Boldrini afirmou que "foram agressões mútuas".

 

Negou que houvesse agressões físicas.

 

Dia do desaparecimento

 

Leandro falou sobre a sua rotina no dia em que Bernardo desapareeu, em 4 de abril de 2014. Pela manhã, trabalhou na clínica, almoçou em casa com a mulher e os filhos. Bernardo estava muito alegre e eufórico. Leandro disse que achou que o "puxão de orelha que o Dr. Fernando e a Dra. Dinamárcia deram nele estava dando resultado". Disse que dormiu e depois foi para o consultório. Sabia que Graciele compraria uma televisão em magazine de Frederico Westphalen. Mas Bernardo não iria junto.

 

O médico tinha uma cirurgia marcada naquele dia. Ele recebeu uma mensagem SMS no celular, do banco, avisando da compra da TV. Quando Graciele chegou, a TV estava no banco traseiro da caminhonete da família. Havia também um aquário.

 

À noite, Leandro chegou em casa em torno de 20h30min. O Juiz perguntou se Graciele falou sobre Bernardo. "Ela disse que o levou junto para não ficar em casa fazendo barulho". Leandro conta que pensou: "Sinal de que estão se dando bem". Graciele contou que foi abordada por um policial rodoviário e que foi multada. Na sequencia, ela relatou que estava dando banho (na filha) e escutou alguém chegar. Era Bernardo, que informou que posaria na casa de um amigo. A madrasta questionou se ele tinha permissão do pai, o menino confirmou que sim.

 

A Promotora de Justiça perguntou se o médico não reparou que, ao retornar, Bernardo não estava junto com a madrasta. "Estranheza é uma coisa que quando tu confia numa pessoa não chega a ser um fato concreto", respondeu.

 

As ligações que fez para o filho, a partir daí, "não se completavam", caíam na caixa de mensagem. Diz que ele ligou ainda na sexta à noite e que costumava fazer isso. Disse que não pensou em ligar para a casa do amigo de Bernardo. No sábado e no domingo, ligou mais de uma vez para o filho.

 

Afirmou que, no domingo, se preocupou porque, pelo trato, Bernardo deveria estar às 19h em casa. Era o horário-limite para o filho retornar. Como não voltou, Leandro foi na casa do amigo de Bernardo.

 

Quando foi procurar o filho, foi informado pela família que Bernardo não tinha estado lá na sexta. Como, às vezes, o menino trocava o destino, achou que pudesse estar em outro amigo. "Pode ser que tenha ficado na casa de alguém que não tenha contato, que amanhã ele apareça na escola", relatou Leandro.

 

Ele contou que foi na polícia e fez o Boletim de Ocorrência. Continuou tentando ligar para o filho, mas sem sucesso. Afirmou que também ligou para várias pessoas para saber o paradeiro do menino.

 

Não percebeu comportamento diferente em Graciele.

 

Confirmou que, naquele final de semana, o casal foi numa festa em Três de Maio.

 

E disse que fez uma cirurgia eletiva depois do desaparecimento de Bernardo.

 

Notícia da morte

 

Soube da morte do filho quando já estava preso. "Fui conversar com a Graciele. Perguntei: 'Você tem participação nisso?'" A madrasta confirmou.

 

Leandro disse que entrou em desespero. "Eu chorei. Fiquei indignado com ela. Quando vi o vídeo (da ida dela a Frederido Westphalen), foi cruel."

 

Avó materna

 

Leandro afirmou que não tem nada contra a avó materna de Bernardo, Jussara Uglione, e que incentivou Bernardo de procurar a avó. Há apenas questões judiciais entre Leandro e a ex-sogra.

 

Para a Promotora de Justiça Silvia Jappe Leandro disse que nunca pensou em passar a guarda dele: "Sempre pensei em dar atenção pro Bernardo. Nunca o deixei de lado nem abri mão dele. É meu filho, é o meu amor. Eu sou o pai".

 

A promotora perguntou como Leandro via essa questão de Bernardo dormir fora de casa. "Estando na casa de pessoas amigas não teria a cobrança de horário para as atividades. Seria uma posição mais cômoda, na visão dele", afirmou. "Essa cobrança existia em casa, como qualquer pai faz".

 

Odilaine

 

A Promotora questionou as declarações, que também aparecem em um dos vídeos recuperados do celular de Leandro Boldrini, onde o médico diz ao filho que a mãe dele o havia abandonado. O réu respondeu que dizia "nos" abandonou. Explicou que foi ele quem contou ao filho o que havia acontecido com a mãe. Não especificou motivos, "falei apenas que foi um suicídio".

 

Audiência com o Juiz

 

O assistente de Acusação perguntou o que aconteceu na parte final da audiência que Leandro Boldrini teve com o Juiz Fernando dos Santos e a Promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira. O réu respondeu que o magistrado deu 90 dias para que a relação familiar melhorasse e que, depois, retornariam para nova audiência. Não soube dizer se Graciele ficou irritada com a atitude do menino em pedir ajuda ao Judiciário.

 

Negou ser amigo do Juiz Fernando dos Santos. "É o juiz da cidade, eu operei a esposa dele".

 

Arrependimento

 

"'Tô' com a vida destruída, perdi meu filho. Cadê o Bernardo? Você está fazendo apologia contra mim. Cadê meu luto? Perdi meu filho! Como tu 'acha' que tô me sentindo? Pessoa respeitada, com dignidade, com família. 'Tô' na UTI, com o tubo, em coma. 'Tô' nocauteado, na lona, com o juiz contando os momentos pra levantar os braços dos vencedores. Não vai conseguir", afirmou Leandro Boldrini ao Assistente de Acusação.

 

"Não fiz corpo mole de jeito nenhum", disse Leandro, citando os locais pelos quais passou à procura do filho.

 

O Advogado perguntou por que Leandro se referia ao fillho no passado. "É uma conjugação verbal. É só jeito de se expressar, 'é o meu guri'. Bernardo é e sempre será meu filho".

 

"Eu sou inocente, amo e vou amar meu filho para sempre."

 

História de vida

 

Aos seus defensores, Leandro Boldrini contou um pouco da sua origem, Nasceu em Campo Novo. Pai é agricultor e a mãe dona de casa. Trabalhou na lavoura até a sétima série. Os irmãos só fizeram o Ensino Médio. A vontade de ser médico nasceu quando o pai teve uma cólica renal intensa e precisou de atendimento médico, quando Leandro era uma criança.

 

A família sempre o apoiou. Ele foi para Santa Maria, passou em primeiro lugar no curso de Medicina. Foi aplicado, nunca rodou em nenhuma disciplina.

 

O pai não era uma pessoa de falar. "Nunca ganhei um abraço, um colo. Mesmo assim, me passou bons valores. Minha sinceridade, meu peito aberto de estar aqui falando em público ganhei do meu pai, da minha família".

 

Negou que faça uso de drogas. Advogado perguntou se, na prisão, fazem uso de drogas, ele respondeu que, onde está, não teria como, nem se quisesse, porque o acesso é muito restrito.

 

Caso Bernardo: Graciele e Edelvânia se negam a depor

Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz não quiseram prestar depoimento. A madrasta de Bernardo e sua amiga ouviram algumas perguntas do magistrado sobre sua identificação pessoal e ficaram cientes das acusações pelas quais respondem. Graciele negou-se a responder até mesmo seu nome.

 

O Juiz explicou que as acusadas têm o direito constitucional de permanecem em silêncio. E que a recusa em falar não é analisada como um prejuízo à defesa.

 

 

Graciele recusou-se a informar até mesmo seu nome.

 

"Eu vim à força. Não tinha condições de vir. Estou fazendo tratamento. Só vou falar no dia do Júri", foi o que Edelvânia disse.

 

Nenhuma das duas quis permanecer no local para acompanhar o último depoimento, de Evandro Wirganovicz.

 

 

Caso Bernardo: Evandro Wirganovicz encerra interrogatório em Três Passos

 

 

Último dos réus a depor, Evandro Wirganovicz negou participação no crime que resultou na morte de Bernardo Uglione Boldrini. Ele é acusado de ter aberto a cova, nas margens de um rio, onde o corpo do menino foi encontrado. O depoimento durou quase uma hora.

 

Evandro informou ao Juiz Marcos Luís Agostini, titular do processo, que, pelas notícias, quem fez a cova foi a irmã. Mas que ela nunca afirmou isso a ele.

 

"Se ela fez, tem que pagar. Tem que assumir o que fez", disse Evandro ao Defensor, quando este questionou o que o réu achou de a irmã não querer depor na tarde de hoje.

 

Disse que, naquele dia (antevéspera do desaparecimento de Bernardo), foi pescar, mas que estava do outro lado do rio onde foi aberta a cova.

 

"Minha filha pequena não me reconhece, isso dói pra um pai", afirmou Evandro, ao responder a pergunta do seu Advogado de defesa sobre se os filhos o visitam na prisão.

 

Em sua manifestação final, ao magistrado, Evandro Wirganovicz declarou: "Estão fazendo injustiça comigo. Não sabia de nada. O povo me chama de assassino e eu não sou. Sou um homem de bem. Se eu tiver que puxar cadeia e pagar por uma coisa que eu não fiz... Deus vai tomar o seu coração, doutor, e lhe mostrar que eu não fiz", finalizou o acusado.

 

Local

 

Na data em que Evandro teria supostamente aberto a cova, ele contou que foi com a família até a casa da mãe dele, que mora perto do local onde o corpo de Bernardo foi encontrado. Estava de férias e a esposa tinha ganhado bebê.

 

Era meio-dia quando ele, a mulher e os filhos (um menino de dois anos e uma menina recém-nascida) foram para a casa da mãe dele. Passou a tarde com ela. Edelvania não estava junto.

 

Saiu, ao anoitecer, para pescar, foi de carro. Retornou por volta das 22h.

 

Disse que convidou o irmão, que mora do lado da mãe, para ir junto, mas ele não quis ir.

 

Explicou que foi de carro até o local porque não tem como ir a pé, pela dificuldade de acesso porque o solo é cheio de pedregulhos.

 

Pescou em torno de oito peixes, que guardou numa sacola. Levou para a mãe limpar o pescado.

 

O nível do rio estava baixo naquele dia, sendo possível a passagem de veículos.

 

Irmã

 

Evandro afirmou ao magistrado que tinha um bom convívio com a irmã, Edelvânia. Não tinha conhecimento da situação financeira dela. Que sabia apenas que ela financiaria um imóvel.

 

Sobre ele, informou ser motorista e que a esposa não trabalha. À Promotora de Justiça Silvia Jappe, afirmou que, com a chegada da filha, as despesas aumentaram.

 

Ao Assistente de Acusação, que questionou se a irmã é ambiciosa, Evandro respondeu: "Ela sempre quis ter as coisas".

 

Quando Edelvânia visitou a mãe deles, disse que não observou nenhum comportamento diferente.

 

Os pais de Evandro e Edelvânia trabalhavam na lavoura. E que os irmãos se criaram na roça também. Afirmou que Edelvânia conhece e sabe manusear ferramentas, como pá.

 

Ferramentas

 

No depoimento, Evandro informou que não sabia que a irmã havia deixado ferramentas na casa da mãe deles. Questionado pelo Juiz, o réu disse que Edelvânia não pediu ajuda para abrir nenhum buraco.

 

Depoimento

 

O réu disse que, em depoimento à Polícia Civil, omitiu o fato de que esteve no local porque ficou com medo: "Por causa das minhas crianças. Afirmou que foi uma coincidência. No segundo depoimento, o advogado o orientou a deixar a cidade.

 

A Promotora afirmou que a esposa de Evandro, também em depoimento aos policiais, disse que ficou "desconfiada" porque a pescaria foi na mesma semana do sumiço de Bernardo. Ela também declarou que, na ocasião, o marido nada falou, só chorou. "Estava nervoso", respondeu Evandro hoje à tarde. Disse que chorou de raiva, "pelo que tinham feito com uma criança".

 

Disse que gosta de criança. "Capaz que eu ia fazer isso, com dois inocentes que tenho dentro de casa. Eu quero que Deus tire a vida deles se eu estiver mentindo. Eu não fiz nada".

 

Outros acusados

 

Evandro informou ao Assistente de Acusação que não conhece nem Graciele nem Leandro. Sabe que a irmã dividia apartamento com "amigas". Não lembra se 'Kelly' (Graciele) pode ser uma delas.

 

Não tem conhecimento de a madrasta de Bernardo ter ido com Edelvania na casa da mãe dos Wirganovicz.

 

Fotos:Vitor Hugo Wiederkehr

Fonte / Fotos: TJRS

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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