A situação é ainda mais preocupante no caso do tabaco tipo Burley

Com menos de 20% da safra de tabaco comercializada e relatos de suspensão compra pelas Indústrias, queda nos preços e insegurança nas negociações, a reunião da Comissão Estadual do Tabaco, realizada na manhã desta quarta-feira (25/03), durante a Expoagro Afubra, debateu o cenário preocupante enfrentado pelos produtores gaúchos.
Organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS), o encontro contou com a participação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A Federação ressalta que está acompanhando de perto esse cenário e atuando no apoio e na defesa dos produtores de tabaco.
Entre os principais problemas apontados estão a suspensão ou redução de compras da compra por parte das empresas, dificuldades nas negociações mesmo após sucessivas tentativas de comercialização, queda nos valores pagos ao produtor e conflitos na classificação do tabaco nas propriedades. Também foram relatadas situações de devolução ou rebaixamento de fardos sem justificativas técnicas claras, além de falhas na classificação do produto e no cumprimento das normas estabelecidas conforme determina a Lei nº 15.958, de 19 de janeiro de 2023.
Outro ponto crítico é a desmarcação de cargas já agendadas, prática que tem gerado transtornos logísticos, insegurança e prejuízos financeiros às famílias agricultoras.
A situação é ainda mais preocupante no caso do tabaco tipo Burley, que enfrenta maior dificuldade de comercialização e desvalorização, impactando diretamente regiões produtoras e a renda de milhares de famílias agricultoras.
A diretora responsável pela cadeia produtiva do tabaco na FETAG-RS, Camila Rode, destaca que a entidade está atenta ao cenário e cobra soluções.
“Estamos acompanhando de perto a comercialização e os relatos que chegam dos sindicatos mostram um cenário preocupante, que impacta diretamente a renda das famílias produtoras. A FETAG-RS vai seguir atuando com firmeza, dialogando com as empresas e buscando soluções que garantam mais segurança, transparência e respeito ao agricultor”, afirma.
Como encaminhamento, será realizada uma rodada de diálogo com as empresas fumageiras para apresentação das demandas levantadas pelas bases. Também haverá articulação com as câmaras de vereadores dos municípios produtores, por meio de moções de apoio, destacando a importância econômica da cultura do tabaco.
A FETAG-RS reforça que seguirá mobilizada, junto aos sindicatos, na defesa dos agricultores e agricultoras familiares e não descarta intensificar as ações caso o cenário não avance.
Fonte: FETAG
Postado: Clecio Marcos Bender Ruver| Tweet |