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Vera Academia - 20/05/2016 - Coluna Vera Academia dia 20052016


Cérebro em forma

 

Não vou falar de palavras cruzadas ou quaisquer exercícios mentais. Pesquisas comprovam que a ginástica de verdade preserva a massa cinzenta. Com o avançar dos anos, corpo e cabeça começam a perder a agilidade, seja para apertar o passo ao atravessar a rua, seja para lembrar “Quais eram as coisas que eu preciso comprar no supermercado?”. Mas a boa-nova é que a ciência está testando o poder do “dois em um” dos exercícios em evitar a progressão tanto do declínio físico quanto do mental. Se há tempos sabe-se que a malhação tem papel fundamental na manutenção de músculos e ossos, agora os pesquisadores voltam a atenção para sua influência no desempenho da cuca. Hoje já é possível verificar os benefícios da atividade física no funcionamento cerebral por meio de diferentes parâmetros. Do ponto de vista anatômico, por exemplo, as modalidades aeróbias ajudam a preservar o volume de áreas ligadas às lembranças, como o hipocampo. Após um período de treinamento especificado em uma pesquisa realizada em São Paulo, os idosos exibiram ganhos em memória, atenção, foco, linguagem e orientação espacial de tempo. Exames de sangue confirmaram que exercícios regulares controlam a produção de partículas responsáveis por processos neurodegenerativos. Quando o corpo se mexe, sobe a fabricação da proteína BDNF, que instiga a formação de neurônios e a comunicação entre eles. Com orientação profissional, um estilo de vida ativo é aliado no combate a transtornos neurológicos como a epilepsia, pois os exercícios regulam a geração de neurotransmissores, o que auxilia a conter as intensas descargas elétricas na cabeça que provocam as crises convulsivas. Ao melhorar a coordenação motora e robustecer a musculatura, a malhação atenua também os tremores característicos da doença de Parkinson. No caso da esclerose múltipla, os treinos de fortalecimento muscular com baixa intensidade diminuem a fadiga e o déficit de equilíbrio e coordenação.

 

Se os neurônios são beneficiários indiscutíveis das atividades físicas, faz sentido pensar que estimular a criançada a nadar, jogar bola ou pedalar aprimora o desempenho escolar. Certo, porém correr pra lá e pra cá não deixa ninguém mais inteligente. Os exercícios criam um ambiente favorável para o cérebro armazenar a informação, mas é preciso abastecê-lo, ou seja, tem que estudar!

Postado: Leila Ruver
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