Os rins pedem exercício
Até nossos filtros naturais precisam de atividade física para funcionar direito. É o que garante uma nova onda de pesquisas: suar a camisa regularmente ajuda a evitar, da doença renal crônica, aos dolorosos cálculos. Ao buscar pelos termos “rim” e “atividade física” em um site americano que reúne estudos realizados no mundo todo, encontra-se apenas 168 artigos publicados em 2013. Em um estudo comparativo as expressões “pulmão” ou “coração”, os rins vêm sendo menos avaliados pelos experts que buscam entender os efeitos dos exercícios no organismo. Entre aqueles 168 trabalhos, destaca-se um da Turquia, onde especialistas descobriram que os indivíduos ativos contavam com uma função renal mais preservada do que as sedentárias. Por se tratar de uma área ainda nebulosa, faltam evidências dos motivos por trás do resultado. Porém, em animais, pesquisas demonstram que exercícios melhoram o processo de filtragem dos rins. Aí, sobrariam menos substâncias tóxicas para gerar estragos.
Outra explicação recai na hipertensão e no diabete, doenças conhecidas por lesar o par de órgãos. Primeiro porque a prática esportiva diminui o risco de ambas surgirem. Segundo porque ajuda a domar essas encrencas quando já foram diagnosticadas. Outra pesquisa realizada na China viu-se que, ao separar pessoas diabéticas com doença renal crônica que malhavam dos inativos, o primeiro grupo possuía uma menor taxa de mortalidade. Em uma dissertação de mestrado realizada por um educador físico brasileiro, verificou-se um elo entre atividade física e uma menor probabilidade de pessoas com doença renal crônica desenvolverem complicações cardiovasculares. Os rins influenciam na saúde do coração. Eles, por exemplo, têm um papel no controle da pressão. Aliás, os exercícios também devem fazer parte do cotidiano de pacientes que precisam purificar o sangue artificialmente através da hemodiálise. Essa tática, entre outras coisas, recupera a musculatura e a qualidade de vida, ambas prejudicadas pelo mau funcionamento dos nossos filtros. A ciência já está tirando o atraso. Em nome dos rins, e do coração e dos pulmões, todos deveriam correr e fazer o mesmo.
Mas será que correr, pedalar ou nadar previnem até pedras nos rins? Segundo um experimento americano, sim. Entre 84 225 mulheres investigadas, as que mexiam o corpo com frequência apresentavam um risco de 31% menor de padecer com os cálculos. Isso ocorria por que o esporte ajusta a maneira como o organismo lida com moléculas cruciais à formação das pedras.
A falta de água no organismo é uma das principais causas de pedras nos rins. Daí a importância de, durante a prática de esporte, tomar bastante líquido. Agora, quem sofre com a doença renal crônica não pode exagerar na quantidade de água ingerida para evitar sobrecargas nesse órgão. O jeito, para essa turma, é pedir orientação detalhada a um profissional.

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