Uma nova fase de investigações inicia na próxima semana
O Ministério Público (MP) acredita que o esquema de adulteração do leite no Rio Grande do Sul pode ser maior do que o descoberto até agora. De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, que coordenou a Operação Leite Compensando, uma nova fase das investigações sobre a fraude será iniciada na próxima semana, abrangendo outras cidades do estado.
“Temos indícios contundentes”, diz o promotor, sobre a suspeita de que muito mais pessoas, de diferentes grupos, estejam envolvidas no esquema.
As cidades onde a fraude estaria ocorrendo não são reveladas pelo MP para não prejudicar as investigações. Mas entre os suspeitos estão produtores rurais, transportadores e também empresários. Não estão descartados novos pedidos de prisão temporária de mais pessoas envolvidas em adulteração do leite. Até o momento, não há indícios de novos lotes contaminados do produto disponíveis no mercado, diz o MP.
Nesta sexta-feira (17), Rockenbach vai oferecer à Justiça denúncia contra os envolvidos na adulteração em Ibirubá, no Noroeste do estado. O trabalho para preparar a documentação deve ser concluído até as 22h desta quinta-feira, 16. Pelo menos seis pessoas estão nesse grupo, conforme as informações divulgadas pelo MP até agora.
Depois disso, ainda faltará o chamado “núcleo de Horizontina”. As denúncias contra dois envolvidos em Guaporé, na Serra, foram feitas na quarta-feira, 15. No total, nove pessoas foram presas preventivamente na semana passada – das quais duas foram liberadas –, mas o número de denunciados nesta primeira fase pode chegar a 12.
As investigações apontam que a adulteração do leite cru ocorreu entre a propriedade rural e a indústria. No meio do caminho, os intermediários adicionavam água e ureia, substância usada para disfarçar a perda nutricional e que contém formol em sua composição. Com isso, conseguiam aumentar os lucros em até 10%.
A Operação Leite Compensado teve como consequência a retirada de lotes de sete marcas do mercado (veja a lista abaixo), a interdição de três postos de resfriamento no Rio Grande do Sul e de uma fábrica em Estrela. Durante o cumprimento dos mandados, também foram apreendidos 10 caminhões de transporte de leite, além de dinheiro, armas e outros produtos químicos usados na fraude.
Fonte: G1 RS
Postado: Leila Ruver
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