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Trabalhando, descansando, passeando, à toa, cuidando da família, celebrando, comemorando, orando ou refletindo, em formação ou em retiro.
O ser humano sente a necessidade de se ocupar. Nem todos sabem se ocupar sadiamente. Há gente que se estressa por excessos de trabalhos ou ocupações, outros se estressam porque não sabem se ocupar, não tem o que fazer. Há os que ficam com ansiedade diante de tanto trabalho a realizar, existem outros ansiosos por não saberem o que fazer.
São Paulo até diz; “ora ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada” (2Ts 3,11). O fato de haver pessoas sem trabalho ou sem atividades é preocupante, mas, o que mais preocupa quando há pessoas que dizem não ter tempo para se ocupar com as coisas de Deus. Uns por terem muitas atividades, e outros ainda porque estão à toa mesmo, não descobriram o valor da vida como um dom e Deus e um dom para Deus. Deve ser muito frustrante quando alguém diz não ter tempo para Deus, ou outros que dizem não ter tempo nem para a Igreja, nem para a sua família, ou ainda outros que dizem não ter tempo para si mesmo para cultivar a vida. O ser humano não é uma máquina de trabalho, mas, também não se pode se sentir como alguém obsoleto que não tem o que fazer neste mundo.
É importante que cada um tenha as suas ocupações e afazeres no mundo, mas, também é importante cada um se ocupar com as coisas de Deus. Se por um lado, ninguém deveria se sentir inútil diante do mundo, também ninguém deveria se sentir desocupado diante das coisas de Deus. Somos todos convidados a ser agentes no mundo onde Deus nos colocou. Deus nos confiou tudo, nos confiou a criação e a própria vida. Afinal o que estamos fazendo neste mundo? Somos realmente agentes ou esperamos para ver o que vai acontecer? Não podemos ficar parados ou à toa. Até mesmo diante da ascensão de Jesus ao céu o anjo pergunta aos discípulos; “Homens da Galileia, por que estais aí a olhar Para o céu?”(At 1,11ª). É hora de eles irem pelo mundo e realizar a missão que Jesus lhes confiou. Deus confia a cada um a administração da própria vida, conforme a vocação de cada um confia talentos a serem colocados em prática para serem multiplicados. A pergunta que deve acompanhar a cada um é; O que estou fazendo neste mundo? Estou sendo útil para as pessoas e para Deus? Ou somos servos úteis ou inúteis conforme a parábola dos talentos (cfr. Mt 25,14-30). Sejamos servos bons e fiéis que sabem fazer bom uso de tudo que Deus nos confiou. Tenhamos tempo para os trabalhos, para a família, para a Igreja e para Deus a quem pertence a nossa vida. Não é por acaso que estamos neste mundo. Certamente a história que nos rodeia depende de cada um de nós. O bem estar da família depende da presença e da vivência de cada um. A vida da comunidade depende da participação de cada um. A história que acontece ao nosso lado, sem dúvida, é fruto da nossa responsabilidade. É hora de colocar as mãos à obra e trabalhar pelo Reino de Deus.
Ariquemes, 16/11/16 Pe. Renato José Rohr scj
Postado: Leila Ruver| Tweet |