Por professora Daiana Radtke Caneppele

A pandemia de Covid-19, que ainda estamos vivendo, trouxe uma séria de dúvidas e desafios para praticamente todas as pessoas de diferentes classes sociais e faixas etárias. Uma grande preocupação relacionada aos adolescentes, principalmente para nós, professores de Língua Portuguesa, além do risco do adoecimento pela Covid-19, está relacionada à falta de leitura.
Por vezes, sabemos que, a leitura deveria ter sido uma aliada na Pandemia, a prática poderia ser uma alternativa para a criança e o adolescente se desligar da realidade exterior e se conectar com o interior, tirar o foco do que está acontecendo no mundo e se concentrar no momento e nas suas emoções. Infelizmente, muitas famílias e adolescentes, usam da desculpa de não terem acesso a livros, mas sabemos que, principalmente na nossa região, temos bibliotecas públicas com bons livros.
Apesar de compor a rotina de aprendizagem da criança e adolescente na escola, estimular a leitura não é uma tarefa apenas escolar. Tanto a família quanto a escola possuem funções diferentes, porém, complementares nesta etapa. Enquanto a escola cumpre uma função mais intencional e pedagógica, a família promove uma leitura mais emocional.
Conforme Glaucia Piva, psicopedagoga, formadora de professores e docente nos cursos de pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, “O papel da escola é de garantir algumas competências. De fazer, por meio da leitura, a criança e o adolescente exercitar a curiosidade intelectual. A escola precisa procurar livros que instiguem nas crianças esse comportamento mais investigativo, a reflexão apurada. Ela precisa ter essa preocupação e o professor precisa ficar atento se o livro é premiado e tem uma boa referência”.
“Já a família precisa cuidar daquela leitura por vezes desprovida dessa intenção, mas que promove a aproximação entre os familiares. Ela pode escolher um livro não tão premiado, mas que cuida de uma necessidade imediata, um livro que passa exatamente aquilo que estão vivendo”, diz. Ou ainda, a leitura dos diversos gêneros textuais que estão a nosso dispor, como por exemplo, uma bula de remédio, um jornal, um cardápio, uma receita ou até, uma reportagem.
No entanto, sabemos do papel importantíssimo da escola, mas, nós profissionais da Língua Portuguesa, também sabemos que a família deve ser uma aliada. É imprescindível que a família, assim como a sociedade entenda a importância de sua participação no desenvolvimento integral da criança, especialmente no processo de incentivo à leitura. Nos primeiros anos de vida, exige-se um trabalho dedicado dos pais e familiares em geral no trato com a leitura. Por isso é importante ler para os pequenos, mostrando que mais do que jogos ou desenhos animados na televisão e Internet, existem histórias que além de ter um papel importante de cunho moral, é também uma forma interessante de fazê-los “viajar” pelo mundo da imaginação.
Com a chegada da pandemia da Covid-19, o trabalho com o desenvolvimento da leitura precisou ser repensado pela escola, pois das rodas de leitura que aconteciam no contexto escolar, com o ensino remoto já não pode mais acontecer. Sendo assim, as práticas de leitura ganharam novas configurações, onde o contexto virtual passou a ser uma realidade necessária.
E é aqui onde se encontra o problema, infelizmente, ainda hoje, poucas, mas ainda existem crianças e adolescentes e porque não dizer, famílias, que não têm acesso a esse contexto virtual. E por isso, muitas vezes, a família não faz o papel que lhes cabe, deixando tudo para a escola, ficando assim, o trabalho não perfeito. Além do acesso à internet e recursos digitais, outra dificuldade encontrada foi à impossibilidade de pegar os livros na escola, por ser mais cômodo, pois existem bibliotecas publicas como dito anteriormente.
Contudo, sabemos que tivemos alunos que leram muito, que se reencontraram nesse mundo da leitura, mas alguns não. Agora, com a retomada das aulas, esperamos que a família continue com o seu importante papel, e nós, professores, vamos dar a sua devida importância, pois sabemos que, do hábito de leitura dependem outros elos no processo de educação. Sem ler, o aluno não sabe pesquisar, resumir, resgatar a ideia principal do texto, analisar, criticar, julgar, posicionar-se.
Assim, estimulando a leitura, faremos com que nossos alunos, compreendam melhor o que estão aprendendo na escola, e o que acontece no
mundo em geral, entregando a eles um horizonte totalmente novo. Vamos, família e escola, resgatar o valor da leitura, como ato de prazer e requisito para emancipação social e promoção da cidadania.
Por: Daiana Radtke Caneppele Professora Municipal de Língua Portuguesa
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