Na propriedade da Família Nagel, a produtividade do cereal é muito satisfatória

Por: Andréia C. S. Queiroz
Pensando na segurança alimentar da família e movido pela curiosidade e expectativa no rendimento de produção, o Técnico Agropecuário e Tecnólogo graduado em Gestão Ambiental Martin Roberto Nagel, inseriu na propriedade do seu pai Erno Alberto Nagel, na localidade de Lajeado Teimoso, em Crissiumal, o cultivo de arroz de sequeiro.
O arroz de sequeiro é uma variedade, em que a semente foi adaptada ao cultivo no solo seco, ou seja, uma cultura que não necessita de irrigação, recebendo somente a água da chuva. As principais características que diferem a variedade do sequeiro das cultivares, cultivadas em sistema inundado, são constatadas no tamanho do grão e na altura da planta, que na variedade do sequeiro se aproxima a 130 centímetros. Quase todas as variedades de arroz se cultivam em planícies alagadas que podem continuar inundadas, mesmo durante o período de crescimento do vegetal. Porém, há variedades de sequeiro, cultivadas em terras altas, o que possibilita o cultivo mesmo em solos pobres como, por exemplo, no cerrado brasileiro. Isso permite que possa ser produzido na agricultura familiar. É um arroz que pode ser condicionado para pequenas áreas, que produz com facilidade e tem um rendimento muito bom.
Martin afirma que a produção do arroz de sequeiro, na propriedade da família, iniciou após ter despertado interesse e curiosidade na produtividade do cereal. “As primeiras sementes desta variedade, do arroz de sequeiro, adquiri através de um produtor, amigo meu, do município de Campina das Missões. Ele produz esta variedade, há mais de dez anos. Com a curiosidade em saber como o cereal se desenvolveria no solo da nossa propriedade, levei as sementes para meu pai, juntamente com a ideia de produção para consumo próprio. O resultado superou as expectativas. E, desde, então, estamos cultivando-o”, diz.
Apesar da rusticidade do arroz de sequeiro, o cultivo exige atenção durante o seu ciclo. “O arroz é uma cultura bastante sensível à questão de umidade do solo, inclusive a variedade do sequeiro, e nessa safra as condições do clima foram bastante favoráveis, não houve estiagem. É importante que não falte chuvas durante a época do ciclo da planta, e que tenha umidade suficiente nas fases críticas de crescimento”, observa Martin.
A cultura de sequeiro quando encontra condições mínimas de produzir, tais como, umidade e terras férteis, apresenta vantagens de uma grande produtividade. Também, pode ser obtida, alta produtividade, com a boa nutrição das plantas, cuidados de manejo e a baixa incidência do ataque de pragas.
Na propriedade da Família Nagel, a preparação do solo e o período do plantio são considerados fatores fundamentais para uma boa produção. “A época de plantio é um dos fatores determinantes para o sucesso do cultivo do arroz de sequeiro, pois ajuda a driblar as perdas causadas pela seca, principalmente, porque em cada fase da cultura há uma necessidade específica da quantidade de água para o bom desenvolvimento das plantas. A safra do arroz de sequeiro que ocorreu em janeiro deste ano, na propriedade, teve o seu plantio realizado no mês de setembro, do ano passado. Durante o ciclo, que tem duração, aproximada, de quatro meses, aplicamos fertilizantes com a formulação 12-30-18 (NPK), além, de ureia e cloreto de potássio. Não utilizamos nenhum tipo de inseticida ou outro produto químico para controle de pragas”, salienta o Técnico.
Basicamente, todo o trabalho de cultivo do arroz é executado manualmente, na propriedade da Família Nagel. Martin explica o processo de cultivo, desde o plantio até a colheita do cereal. “Como a área cultivada é, relativamente, pequena, as atividades, no cultivo do arroz, são exercidas de forma manual. Preparamos a área com vergas e utilizamos uma plantadeira manual, no plantio das sementes. Durante o ciclo de produção, a limpeza da área foi realizada manualmente. Todo o processo de colheita, de debulha e de secagem, também, foi manual. Após, colhido, na lavoura, o arroz foi mantido por dois dias coberto com lona plástica, para exsudar. Esse processo de exsudação permite que o grão solte da panícula, com maior facilidade. Na sequência, o procedimento realizado foi a debulha e a secagem dos grãos, sobre uma lona. E, só depois, de uma semana de secagem do cereal, é que, foi realizada a limpeza dos grãos, no moinho de farinha, adaptado para descascar arroz,” esclarece Martin.
Das mais de 12 hectares de terras produtivas, na propriedade da Família Nagel, somente 2 hectares são destinadas a cultura de subsistência familiar. O arroz de sequeiro é cultivado em uma área correspondente á 0,1hectare, ou seja, 1.000m², o que garante o sustento da família durante o ano inteiro. Nessa pequena área de cultivo do arroz, Nagel utilizou, a quantia equivalente a 1kg de sementes de sequeiro, e, após, o período de quatro meses, colheu a produção de mais de 150kg do cereal. A produtividade alcançou a média de 1.500kg/hectare, o que, pode-se considerar satisfatório, de acordo com as condições climáticas da região. Os resultados, de produção na propriedade, foram positivos, principalmente do ponto de vista econômico. A Família, ainda, utiliza as sementes da própria produção, de safras anteriores, que são armazenadas em local refrigerado.
O cultivo do arroz de sequeiro é vista como uma atividade alternativa de renda para as famílias de pequenos agricultores, pois pode dispensar a compra do grão comercial para o sustento da família, e, vem se tornando uma alternativa agrícola e econômica de grande potencial, em relação a outras culturas de verão.
A propriedade de Seu Erno e de, sua esposa, Dona Marlene, com a ajuda dos filhos Martin e Lovana, tornou-se numa propriedade auto sustentável, destacando-se pela diversidade de culturas de subsistência familiar. Na propriedade da Família, a produção de arroz de sequeiro, que ocorre há três anos, comprova que, pelos bons níveis de produtividade alcançados, o cultivo é satisfatoriamente viável. “A Família toda está muito satisfeita com o cultivo e a produtividade do arroz de sequeiro, especialmente, meu pai, que é quem cuida de tudo e de todas as culturas, pois produzimos quase de tudo na propriedade. Além, claro, do orgulho, que ele sente, em produzir e oferecer alimentos saudáveis para toda a família. O investimento é considerado de baixo custo e ganhamos em tudo. Ganhamos em qualidade no alimento, ganhamos em economia, de várias formas, e ganhamos, principalmente, em saúde,” finaliza Martin.
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A Cultura do arroz de sequeiro é importante e recomendável na rotação de cultura com a soja, pelo fato de ser uma gramínea em sucessão a uma oleaginosa. São plantas com ação diferenciada na absorção de nutrientes, capazes de recompor e até melhorar características químicas, físicas e biológicas do solo, uma para a outra. Além disso, agregam um fator muito importante ao manejo dos cultivos, com a quebra de ciclo de doenças, pragas e invasores, favorecendo as ações de controle dos mesmos. Para informações de cultivo desse cereal, busque informações junto à Secretaria de Agricultura do Município.



Fonte/fotos: Andréia C. S. Queiroz
Postado: Clécio Marcos Bender Ruver| Tweet |