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Agricultura - 13/05/2015 - Superintendente do Ministério da Agricultura no RS é afastado do cargo após fraude na Pasta


O esquema ocorria pelo menos desde novembro de 2013

O superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Rio Grande do Sul, Francisco Signor, foi afastado do cargo, nessa manhã, após a operação Semilla, da Polícia Federal, levar a público uma fraude que ocorria há cerca de um ano e meio na Pasta. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Aldronei Rodrigues, o servidor público, que é proprietário de uma empresa de transportes de animais vivos e de soro de queijo, chegou a se utilizar o cargo para interferir em fases da Operação Leite Compen$ado, do Ministério Público. A investigação apontou, além disso, que o superintendente determinou redução de multas e, em troca de propina, avisou empresas sobre a iminência de fiscalização nas propriedades. Segundo a Polícia Federal, que contou com o apoio do Ministério Público Federal e da Corregedoria Geral da União, o esquema ocorria pelo menos desde novembro de 2013.

 

Signor era o representante do Mapa, no Rio Grande do Sul, há pelo menos 13 anos. Além dele, mais três pessoas respondem, nesta quarta-feira, a perguntas da Polícia Federal na sede da corporação, em Porto Alegre. Os quatro detidos serão liberados após prestarem depoimento. A Polícia revelou, ainda, que a operação teve de ser antecipada em função de Francisco Signor ter planos para viajar a Jerusalém, nesta quinta-feira, e pela chance de o ex-superintendente deixar o cargo de forma espontânea, nos próximos dias. Nas residências dos detidos, a polícia encontrou mais de R$ 140 mil em espécie. Até o momento, a Polícia Federal não estima quanto a quadrilha pode ter movimentado com propinas e extorsões.

 

Além do dinheiro, um número ainda não divulgado de veículos foi apreendido na operação que ocorreu na sede do Mapa, em Porto Alegre, Sapiranga e Sapucaia do Sul. A ofensiva culminou no sequestro de bens dos suspeitos e de empresas ligadas ao esquema, que configurou corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Além de Signor, um servidor (também afastado), uma ex-servidora e o marido dela estão sendo investigados pela Operação Semilla.

 

A Polícia Federal acrescentou que o gestor do Mapa também passou a trocar agentes sempre que eles ofereciam o risco de prejudicar os acordos realizados entre as empresas e ele. Contratos para eventos também eram usados como moeda de troca para propinas, com superfaturamento comprovado e o envolvimento de uma empresa atravessadora. Com relação às multas que eram diminuídas para favorecer empresários, a Polícia Federal comprovou, por exemplo, que uma empresa, em vez de pagar R$ 3 milhões por irregularidades ou problemas sanitários, pagou somente R$ 500 mil. A Polícia não descartou, ainda, a participação de mais servidores da Pasta no esquema.

 

Fonte: Rádio Guaíba

Postado: Leila Ruver
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