O tempo do sal está acabando?
Em busca de uma solução para diminuir a prevalência das doenças cardiovasculares, principal causa de morte no planeta entre a população, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que todos os países deveriam reduzir o consumo de sal para 5 gramas diários por pessoa, o que corresponderia a cerca de 2 mil miligramas de sódio. Atualmente o brasileiro ingere cerca de 12 gramas do tempero, ou seja, mais do que o dobro do recomendado. Com essa meta de redução, as taxas de mortalidade por infarto e o diagnóstico de hipertensão cairiam 10%, e pelo menos 1,5milhão de hipertensos não precisariam tomar remédio para controlar a pressão. E tem mais, calcula-se que a expectativa de vida dessas pessoas aumentaria cerca de 4 anos.
Segundo um estudo da ABIA, com base em dois levantamentos do IBGE, 71,5% do total de sódio consumido no Brasil está associado ao abuso do sal de cozinha. E não é só a indústria que bate nessa tecla. O dado é corroborado por uma pesquisa de um endocrinologista de São Paulo. De acordo com o trabalho, também apoiado em dados do IBGE, 74,4% do sódio que ingerimos vem, sim, do sal de cozinha e de condimentos à base do tempero. Por outro lado, ocorre que, apesar de os produtos industrializados não aparecerem sozinhos no banco dos réus, eles estão cada vez mais presentes na nossa rotina, porque as pessoas têm comprado tudo pronto: risoto, molhos, massas e até saladas.
Para chegar ao cenário almejado pela OMS, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) estabeleceram, em 2010, um plano para tirar, de forma gradual e voluntária, 28 562 toneladas de sódio de circulação até 2020. No entanto, não adianta apenas cobrar uma mobilização da indústria. Para chegar ao consumo de 5 gramas de sal diários, é essencial monitorar a quantidade do ingrediente que vai ao prato, à panela, à saladeira. Evite abusos checando quanto sal você utiliza todo o mês. Depois, procure reduzir esse valor pela metade. Para estender ao máximo o tempo de esvaziamento do pacote, a principal orientação é dar prioridade a outros ingredientes na hora de temperar a comida, a exemplo de alho, alecrim, orégano e cebola.

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