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Agricultura - 08/12/2025 - Menos chuva atrasa o avanço do plantio da soja


Plantio já atinge 74% da área prevista de um total de 6,7 milhões de hectares

A semeadura da soja avançou de forma moderada no Estado na semana passada, para 74% da área prevista. A operação foi condicionada pela redução acentuada das precipitações na segunda quinzena de novembro, o que resultou em umidade insuficiente na camada superficial do solo na maior parte da região produtora.

Nas áreas de maior altitude, onde a evapotranspiração foi menor, as condições para implantação ainda se mantiveram favoráveis, permitindo continuidade pontual dos trabalhos. A paralisação parcial ou total das atividades decorreu, sobretudo, da necessidade de reposição hídrica para garantir germinação uniforme e emergência adequada.

As lavouras implantadas após dia 15 de novembro apresentam emergência menos uniforme, mas sem danos às sementes remanescentes. O desenvolvimento está mais lento, mas não há mortalidade de plantas. Os cultivos semeados anteriormente apresentam estande satisfatório e desenvolvimento vegetativo inicial compatível com a fase fenológica, embora o crescimento esteja mais lento nas áreas submetidas à limitação hídrica.

De modo geral, a cultura encontra-se em estádios vegetativos iniciais, sem registro de problemas fitossanitários relevantes. Para a Safra 2025/2026, no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares e produtividade média de 3.180 kg/ha.

O valor médio da comercialização, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,63%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 126,03 para R$ 126,82.

 

Situações regionais

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a semeadura foi interrompida em grande parte pela ausência de chuvas significativas. Houve continuidade apenas em áreas pontuais em Itaqui e Itacurubi, onde precipitações próximas a 20 mm permitiram o avanço localizado dos trabalhos.

Em Manoel Viana, cerca de 65% dos 58.000 hectares estimados estão implantados; a precipitação de 10 mm foi considerada insuficiente para manter o ritmo de plantio. Em Maçambará, o plantio segue paralisado nas terras altas da porção Leste, e nas áreas de várzea da porção Oeste — que receberam cerca de 20 mm — alcança aproximadamente 70% dos 55.000 hectares previstos.

Em São Borja, apenas 25% dos 105.000 hectares foram semeados, e houve interrupção ampla após 26/11. Em São Gabriel, parte dos produtores concluiu a semeadura, e observa-se boa cobertura de palhada, elemento relevante para conservação por mais tempo de umidade, em períodos de redução das chuvas. Na região da Campanha, a semeadura está adiantada.

Em Dom Pedrito, alcança cerca de 80% dos 165.000 hectares previstos. Em Caçapava do Sul, Aceguá e Hulha Negra, supera 70%. A tendência é de paralisação do plantio devido à ausência de chuvas consistentes. As lavouras estabelecidas apresentam excelente estande e bom desenvolvimento vegetativo inicial, compatível com a tolerância da cultura a restrições hídricas nessa fase. Em áreas pós-aveia, algumas operações de gradagem foram adotadas para melhorar a distribuição da palha.

Na de Caxias do Sul, a semeadura avançou rapidamente, e está próxima da conclusão nos municípios de menor altitude. Nos Campos de Cima da Serra, a expansão depende da finalização da colheita das culturas de inverno. A uniformidade e o desenvolvimento das áreas emergidas estão satisfatórios. Na de Erechim, cerca de 90% da área está implantada. O restante das áreas depende da conclusão da colheita do trigo.

Na região de Frederico Westphalen, a semeadura foi interrompida em 90% por falta de umidade. As lavouras em emergência e desenvolvimento vegetativo apresentam bom estande e ausência de problemas fitossanitários. Na de Ijuí, a semeadura evoluiu apenas 3%, alcançando 83%. A operação foi realizada entre 24 e 25/11 nas localidades onde ainda havia umidade adequada. A partir de 26/11, a atividade foi suspensa.

Na de Passo Fundo, a semeadura evoluiu 5% no período e alcança 80% da área. As lavouras estão nas fases de germinação e desenvolvimento vegetativo. O plantio sofreu paralisação parcial pela baixa umidade. As condições de temperatura e umidade no estrato superior do solo seguem adequadas para as áreas já emergidas. Na de Pelotas, as precipitações de 2 a 8 mm registradas não restabeleceram condições favoráveis ao plantio. As lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo e apresentam murchamento ocasional em períodos de radiação solar intensa, apesar de estarem dentro da normalidade fisiológica para o estádio atual.

Na de Santa Maria, a plantio alcança cerca de 75% da área prevista, mas avançou lentamente pela limitação hídrica. As condições das lavouras estão satisfatórias, mantendo o potencial produtivo. Na de Santa Rosa, 67% estão semeados; o estabelecimento inicial está adequado. A subsequente redução de chuvas ainda não impacta significativamente devido à baixa demanda transpirativa das plantas nos estádios V1 a V3.

Na de Soledade, apesar da baixa umidade do solo, a semeadura chegou a 88%. Há atraso no Baixo Vale do Rio Pardo, pois parte dos produtores interrompeu os trabalhos à espera de reposição hídrica. As lavouras implantadas apresentam germinação e estande adequados e emergência uniforme.

 

Milho: 89% da área

Já a semeadura do milho foi praticamente interrompida e alcança 89%, pois a redução acentuada de chuvas na segunda quinzena de novembro resultou em insuficiência de umidade na camada superficial do solo, necessária à germinação.

A diminuição das precipitações também causa déficit hídrico progressivo, especialmente crítico para as áreas em fases de floração (27%) e em início de enchimento de grãos (27%), que são mais vulneráveis ao estresse hídrico e térmico, que pode comprometer a polinização e a formação das espigas.

Em lavouras de plantio mais tardio, o desenvolvimento da cultura continua bom, apesar das condições climáticas desfavoráveis. Locais com maior cobertura de palhada e teor de matéria orgânica demonstram resistência ao estresse hídrico, indicando que o solo bem manejado possui maior resiliência em breves períodos de estiagens.

As lavouras em solos rasos ou com menor capacidade de retenção de água já apresentam sinais de limitação fisiológica, incluindo murchamento, enrolamento foliar e senescência basal. Nas áreas em fase reprodutiva, o potencial produtivo está condicionado à ocorrência oportuna das chuvas.

As áreas em sistemas irrigados mantêm desempenho superior, com acionamento mais frequente para suprir a elevada evapotranspiração decorrente de altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar.

As condições fitossanitárias continuam adequadas. Há apenas registros pontuais de cigarrinha-do-milho, ainda sob controle. Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

O valor médio da saca comercializada, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,80%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 61,18 para R$ 62,68.

 

Fonte: Correio do Povo

Postado: Clecio Marcos Bender Ruver
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