Por professora Daiana Radtke Caneppele

Em recente viagem a diversos Estados do nosso Brasil, deparei-me novamente com o maravilhoso fenômeno natural chamado “Variação linguística”. Esta, por sua vez, está presente na nossa comunicação e faz parte da nossa Língua Portuguesa. Para quem não conhece esse fenômeno, podemos conceituar, conforme Mariana Rigonatto, como, “A variação linguística é um fenômeno natural que ocorre pela diversificação dos sistemas de uma língua em relação às possibilidades de mudança de seus elementos. Ela existe porque as línguas possuem a característica de serem dinâmicas e sensíveis a fatores como a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social do falante e o grau de formalidade do contexto da comunicação”.
Ao reconhecermos uma variação linguística, temos que ter cuidado e observar que essas variações são sempre adequadas para atender ás necessidades comunicativas e cognitivas dos falantes de determinada região. Por tanto, julgar “errada” uma determinada variedade pode emitir um juízo de valor sobre os seus falantes e assim, estaremos agindo com “preconceito linguístico”.
Ao andar pelo comércio, em Patos de Minas, no Estado de Minas Gerais, logo percebi que os falantes de lá possuem uma forma diferente em relação á fala nossa, falantes aqui do Rio Grande do Sul. Mas, em momento algum, pensei que estivessem falando “errado”. Cabe a nós, falantes da mesma Língua, apenas respeitar essas variações para não cometermos preconceito.
Um exemplo muito simpático e que chamou – me a atenção, foi à expressão “Depois cê volta mais”, que para nós, aqui do Sul, seria dita como “volte sempre” ou até, “depois você volta”. Com esse exemplo, gostaria de salientar que a expressão não esta “errada”, apenas está relacionada com o local em que é desenvolvida.
Se pensarmos em preconceito linguístico em relação a essas variantes,
não precisamos ir muito longe, pois em nosso Estado e porque não dizer, em nossa cidade, temos diversos exemplos de preconceito quanto a determinadas expressões, sotaques e entonações de acordo com as necessidades linguísticas dos falantes. Embora o mesmo idioma seja falado em todas as regiões, nas mesmas cidades, cada pessoa possui suas peculiaridades que envolvem diversos aspectos históricos e culturais.
Como professora de Língua Portuguesa devo alertar que, todas as variações são aceitas e nenhuma delas é superior, ou considerada a mais correta. Devemos ter o cuidado para que, o preconceito linguístico não exista ou para que, não seja alertado num tom de deboche, sendo a variação apontada de maneira pejorativa e estigmatizada. Quem comete esse tipo de preconceito, geralmente tem a ideia de que sua maneira de falar é correta e, ainda, superior à outra.
Por fim, é importante salientar que, mesmo tendo uma norma-padrão para seguirmos na nossa Língua, devemos lembrara que ela sempre apresentará variações, visto que, a própria sociedade apresenta. Todos os idiomas possuem variações e todas elas possuem validade: não há variedade bonita ou feia; certa ou errada, elegante ou deselegante. Elas são apenas diferentes e contribuem para a riqueza cultural de qualquer país.
Daiana Radtke Caneppele Professora Municipal de Língua Portuguesa
Postado: Leila Ruver| Tweet |