Há mais de 200 indústrias de laticínios no RS

O Rio Grande do Sul produziu 4,198 bilhões de litros de leite em 2012, 8% a mais do que em 2011. Em relação a 2001, quando os produtores gaúchos produziram 2,32, bilhões de litros de leite, o crescimento chega a 80%. A elevação foi consequência de investimentos, nas ultimas décadas, em sanidade, equipamentos, qualificação do rebanho através de melhorias na pastagem e conservação do solo. A produção leiteira vem se tornando uma das peças importantes na economia gaucha e das mais rentáveis do pequeno produtor. As cidades, através dos derivados, têm criado uma grande demanda destes produtos.
Atualmente há no território gaucho mais de 200 indústrias de laticínios, com inspeções federal, estadual ou municipal. A produção envolve diretamente 121 mil produtores e um rebanho de um milhão e meio de animais. Do total de 496 municípios gaúchos, 449 têm produção láctea, ou seja, 91% do total. Do PIB do Rio Grande do Sul, 2,67% provém da cadeia láctea, o que corresponde a R$ 5,93 bilhões. O parque industrial tem capacidade de 15,5 milhões de litros por dia, com produção média de 9,5 milhões de litros.
Para entender as razões do crescimento do setor é preciso voltar até fins da década de 1980, quando a industrialização brasileira estava baseada no processo de substituição de importações, e as recorrentes crises cambiais geraram uma política de importações que permitia apenas a entrada no país de bens sem similar nacional ou bens necessários para suprir um eventual excesso de demanda. Essa política protecionista apoiava-se em tarifas aduaneiras elevadas, lista de produtos proibidos de importação e limite máximo anual de compras externas por empresa, entre outros.
O início da década de 1.990 foi marcado por importantes transformações de caráter estrutural, ocorridas nos ambientes econômico e institucional, com a implantação de reformas de cunho liberalizante com a intenção de aumentar o nível de eficiência na economia. As mais significativas barreiras não tarifárias foram retiradas pelo governo federal. Durante a maior parte do restante da década, as importações foram controladas fundamentalmente pelas tarifas e pela taxa de cambio. A outra etapa, ocorrida em 1994, esteve associada ás reduções tarifárias promovidas no início do Plano Real, visando disciplinar os preços domésticos através de uma competição externa maior.
A implantação do Real gerou uma forte valorização da moeda brasileira, no momento de afirmação do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a extinção de tarifas diferenciadas para os países membros. A importação cada vez maior de lácteos, especialmente dos países vizinhos, Uruguai e Argentina a, capitaneada justamente por leite em pós e queijos, teve a entrada facilitada pelos custos de produção menores e cambio favorável. Ao mesmo tempo, como a Região Sul está localizada próxima dos países produtores do MERCOSUL, reagiu ao ser pressionado diretamente pela concorrência.
A determinação governamental de abrir o mercado levou as empresas a despertar para o tema da competitividade. Vivendo anteriormente num aspecto competitivo basicamente restrito ao território nacional, as indústrias e cooperativas de leite, de capital nacional, se viram obrigadas a se reestruturar sob a ameaça de desaparecerem. A indústria de laticínios expandiu-se após a década de 1990, apresentando empresas de porte, com a capacidade de atender a todo o mercado nacional e até mesmo exportar, fato até então raro no setor.
A instrução Normativa 51, que entrou em vigor em 2005, nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regulamentou a produção, identidade, qualidade, coleta e transporte de leite A, B, C, Pasteurizado e Cru Refrigerado. Esta normativa provocou uma série de modificações para os produtores, empresas de laticínios e consumidores, sendo que sua implantação forneceu ao leite brasileiro parâmetros aceitos internacionalmente, o que possibilitou um acréscimo nas exportações de lácteos.
Para atender os consumidores com produtos de qualidade, a cadeia láctea buscou melhorar o manejo e alimentação do gado leiteiro e assim aumentar a produção de leite no Rio Grande do Sul. “O rebanho tinha um potencial genético razoável, mas faltavam condições de expressar esta genética”, explica o presidente do Sindilat/RS, Wilson Zanatta. Outras medidas, conforme ele envolveu investimentos em sanidade, logística, além dos incentivos fiscais, linhas de crédito do governo, que ajudaram o produtor a ter acesso a financiamento com juros mais adequados.
Zanatta ressalta que naquele momento houve a participação de todos os envolvidos no agronegócio como institutos e secretarias de governo, empresas de genética bovina, indústrias, que recebem o leite, além das cooperativas. “Toda a cadeia trabalhou para que o leite tivesse importância econômica e não somente de subsistência como era anteriormente”.
Fonte: Sindilat
Postado: Leomar Martinelli
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