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Texto de Opinião - 04/03/2022 - Esportes de Aventura nas Aulas de Educação Física


Por: Professor Fábio Eneias Bernhard Lippert

A conjuntura social da humanidade vem evoluindo ao passar dos anos. O crescimento acelerado das tecnologias possibilita uma maior compreensão do ser social, estimula o crescimento do consumo e oportuniza os indivíduos explorarem através das redes sociais os mais diferentes tipos de práticas esportivas. Com isso as práticas de esportes de aventura antes nunca vistas estão sendo conhecidos num simples tocar de tela. O mundo virtual torna possível a identidade das pessoas com o esporte e de acordo com o ambiente em que vive dá condição para que sua prática seja realizada. As possibilidades vão muito além do conhecer. A internet além de dar condições para que as pessoas saibam da existência de determinados esportes, deixa à disposição dos internautas informações técnicas de alto nível e ainda facilita a compra de equipamento em todo o globo terrestre, tornando-se uma ferramenta facilitadora no fomento das práticas de esportes radicais e de aventura.

Acreditamos que a base fundamental de todos os esportes deveria partir da Escola nas aulas de Educação Física. Todavia devemos romper barreiras para que novos conteúdos sejam incluídos nas aulas. Nestes casos esportes tradicionais como vôlei, futsal, handebol, basquete e atletismo são práticas culturais que há anos vêm sendo desenvolvidas em sala de aula criando uma resistência muito grande por parte dos alunos no que se refere a novas práticas esportivas. Algumas escolas através dos seus profissionais de Educação Física vêm desenvolvendo um trabalho pioneiro em relação a novas práticas em suas aulas. Em Crissiumal na escola Municipal de Ensino fundamental Riachuelo e na Escola Municipal de Ensino Fundamental Benno Bender atividades como Corrida de Orientação e Atividades de Arvorismo bem como Práticas de Técnicas Verticais vem sendo desenvolvidas nas aulas de Educação Física das Séries Finais, antecipando atividades da própria BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a qual contempla os conteúdos de Práticas corporais de aventura na natureza e Práticas corporais de aventura urbanas nas turmas do 6º ao 9º anos. Estas aulas quando colocadas em discussão nas redes sociais que discutem sobre técnicas verticais em todo o Brasil surtiram comentários comparando padrões de aulas europeias referindo-se aos alunos como sortudos.

Ao fazer a leitura do referido texto você deve estar se perguntando... O quê é esporte de Aventura? Pois bem. Esporte de Aventuras pode ser definido como aqueles esportes que não sabemos antecipar um roteiro do que vai acontecer durante a sua prática. O atleta irá correr um maior risco. Diga-se de passagem, este risco é um risco calculado, fazendo o uso adequado de equipamentos de segurança conforme determinações de normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) incluindo o conhecimento técnico avançado e já comprovado cientificamente. Quesitos como velocidade, altura determinam a capacidade de romper barreiras e transpor seus próprios limites, superando seus medos e proporcionando uma descarga emocional única. Capacidades físicas e psicológicas são muito exigidas do participante o que torna muito atraente aos praticantes. O aumento dos níveis do que chamamos de “hormônios do prazer” como adrenalina, endorfina, serotonina e dopamina faz com que as pessoas ao conhecerem estes esportes se tornam praticantes assíduos e neste caso melhoram a sua qualidade de vida significativamente.

Não são apenas os benefícios físicos e psicológicos que a prática proporciona aos adeptos dos esportes de Aventura. Seu desempenho está diretamente ligado ao meio em que está sendo praticado. Seja ele no meio urbano ou nas entranhas da natureza. Esta relação coloca seus praticantes frente a discussões comuns relevantes à preservação do meio ambiente e o que podemos fazer para preservar estes locais que ainda não foram destruídos pelo homem moderno.

A escola é uma instituição capaz de mudar a vida das pessoas. O ciclo de ensino aprendizagem que todos nós passamos é muito importante na formação do sujeito. Temos que oportunizar os educandos muito além do trivial. As aulas devem possibilitar um leque maior e diversificado dos conteúdos existentes em nosso meio. As tecnologias hoje ao alcance da grande maioria dos jovens desmascara aquela aula de conteúdos tradicionais. Na Educação Física não pode ser diferente. Os alunos devem ser instigados a praticar novos esportes e compreender que não apenas vôlei e futebol que existe. Deve partir de nós profissionais de Educação Física a iniciativa da busca de novos rumos. Reivindicar ambiente de trabalho favorável, com material adequado e saber que nos tempos de hoje não se justifica mais a confecção da “Bolinha de Meia”.

Postado: Leila Ruver
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