Ato polÃtico teve indicação de Leite como candidato ao Senado

O MDB do Rio Grande do Sul realizou um grande evento na manhã deste sábado para confirmar de forma oficial a pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini nas eleições de 2026. A partir desta formalização em congresso estadual, o partido deve intensificar a conversa com aliados a fim de manter o grupo político que governa o Estado desde 2015.
"Eu quero ser o próximo governador do Estado do RS", bradou Gabriel, a uma plateia de cerca de 2 mil pessoas, entre lideranças e filiados, segundo a organização do ato. "Cuidar das contas, cuidar das pessoas, liberdade econômica e enfrentar as mudanças do clima – essas são as quatro principais bandeiras da pré-campanha que se inicia hoje", discursou.
“A luta continua” será o slogan da pré-campanha ao governo gaúcho – não à toa. O MDB busca passar a mensagem da continuidade. Quer personificar em Gabriel a extensão do governo emdebista de José Ivo Sartori (2015-2018) e das duas gestões Eduardo Leite (2019-atual).
É com este paradigma que Gabriel e Leite tentam atrair aliados que hoje compõem o Executivo estadual para uma coligação no pleito do ano que vem. “Quero saudar aqui PSD, PP, Republicanos, PDT, PSDB, Cidadania, União Brasil, PRD, PSB e Podemos. Nós queremos esses partidos juntos neste projeto. Se é verdade que o MDB foi protagonista na construção dessa mudança que está em curso no Rio Grande, é verdade que eles foram fundamentais em diversos momentos para que tudo isso acontecesse”, discursou ainda.
O vice-governador ainda citou as pesquisas de intenção de voto, que ainda não estão favoráveis à sua pré-candidatura, fato que ainda preocupa correligionários nos bastidores. Para confrontar as desconfianças, disse não temer eleições e citou arrancadas históricas do partido.
“Cito duas campanhas muito significativas para mim. Em uma, eu tinha 17 anos quando Germano Rigotto foi eleito governador. Na outra, quando foi eleito em 2014 o governador José Ivo Sartori. Lembro que os dois saíram com 2% nas pesquisas (de intenção de voto). 2%. Em 2018, o próprio governador Eduardo Leite, a três meses das eleições, tinha 6%. Quero lhes dizer com muita tranquilidade: não tenho medo de urna.”
Agora oficialmente pré-candidato, Gabriel não deixou de alfinetar adversários. “Este é o maior congresso dos últimos anos do MDB do RS, para que a gente traga a base do partido. Tivemos que mudar de local (em razão do público). Amanhã, um certo partido fará uma convenção no local que nós faríamos. Uma convençãozinha. O nosso é um congressão”, afirmou. Neste domingo, o PT realizará convenção estadual para oficializar pré-candidaturas ao governo do Estado e ao Senado Federal.
Leite promete “percorrer o Estado” ao lado de Gabriel
Chama atenção de aliados, adversários e curiosos a indefinição do futuro do governador Eduardo Leite (PSD) em 2026. As opções incluem candidatura à presidência da República, ao Senado Federal ou mesmo concluir o mandato no Palácio Piratini, que oficialmente se encerra ao final de 2026. Ainda cotado como presidenciável, Leite indicou em discurso que sua decisão passa por ficar em terras gaúchas.
“Muita gente está inquieta perguntando onde estará o Eduardo em 2026. Eu estarei ao lado do Gabriel percorrendo o nosso Rio Grande, andando no nosso Estado. Nós estaremos vivamente, com alegria, com orgulho, percorrendo esse Estado para falar daquilo que se fez, que se avançou, mas para lembrar que temos que continuar essa mudança”, afirmou o governador.
Assim como seu vice, Leite discursou em nome da unidade partidária do grupo político que concatena no Palácio Piratini. “Viramos o jogo, mas o jogo não terminou. A gente tem que seguir em frente. E temos um adversário comum: a irresponsabilidade com as contas públicas. Nosso adversário é aquele que defende um Estado inchado, gastador e que gasta mal.”
“Faço uma convocação ao nosso vice-governador Gabriel Souza para liderar esse processo em 2026”, clamou Leite.
Ex-governador pode ser candidato ao Senado
O ex-governador Germano Rigotto se colocou à disposição para concorrer ao Senado Federal na chapa de Gabriel Souza. Emedebista histórico, que governou o Estado entre 2003 e 2006, além de ter sido deputado estadual e federal pelo Rio Grande do Sul, afirmou em discurso estar disposto a se candidatar. Porém, entende que tudo dependerá de uma composição. Afinal, o MDB necessita de aliados para concorrer, os quais muitas vezes são conquistados através de candidaturas vagas. Além disso, o governador Eduardo Leite é cotado para concorrer a senador.
“Onde eu ando, as pessoas pedem que eu volte. Essa candidatura ao Senado já há algum tempo vem sendo falada. Sei que o partido tem que formar uma coligação. Essa coligação tem um candidato natural (ao Senado) que é o governador Eduardo Leite. O que eu tentei mostrar é que, se durante a composição entenderem que eu posso fortalecer, estou preparado. Se não acontecer, sem problema nenhum”, declarou Rigotto, em entrevista ao final do evento.
Outro ex-governador emedebista também pode voltar à cena. Trata-se de José Ivo Sartori, que já recebeu diversos convites públicos para concorrer a deputado federal. “Quanto a mim, agradeço. Sou o Sartori de sempre. Tenho ouvido o que vocês dizem por aí. Já fui (deputado) federal por dois anos e tive que renunciar ao mandato para ser prefeito de Caxias do Sul. Então, talvez falte uma parte. Devo dizer que já dei a minha contribuição. Tenho o meu jeito, mas não vou cair na desesperança. As decisões virão na hora certa”, discursou Sartori.
Fonte: Correio do Povo
Postado: Leila Ruver| Tweet |