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Texto de Opinião - 30/11/2023 - Os Caminhos da Infancia


Por Gilberto Frederico Janke

Ao refletirmos sobre o termo infância, nos deparamos com um grande leque de conceitos construídos pela humanidade no transcorrer de sua história. A infância antes despercebida e que recebia pouca atenção da sociedade adulta, passou a receber atenção especial com o passar do tempo, principalmente no que diz respeito à formação e desenvolvimento da criança.

As concepções sobre infância e educação das crianças nesta fase, originaram-se dos ideais de lutas políticas e sociais, travadas por várias gerações em diferentes contextos e momentos históricos, com o objetivo de conceder e assegurar à criança o direito de viver em plenitude esta fase tão importante em sua vida. Isso nos leva a crer que em cada momento histórico teve “o discurso que revela seus ideais e expectativas em relação às crianças, tendo estes discursos consequências constitutivas sobre o sujeito em formação” (Souza e Pereira).

A atenção e as expectativas da humanidade em relação à criança evoluíram com o passar do tempo. Do descaso com a infância para construção de políticas médico-higienistas, que visavam diminuir a taxa de mortalidade infantil. Em seguida, surgem as ideias iluministas que passam a ver a infância de modo sistematizado, transformando-a em objeto de estudo da ciência. Mesmo vendo a criança como um adulto pequeno, acreditavam que através da educação as crianças se transformariam em cidadãos adultos responsáveis, independentes e autônomos.

Já na Idade Moderna, a ciência e o saber especializado assumem a função de explicar a infância, procurando situá-la no tempo acelerado produzido pela modernidade, deslegitimando aos poucos a autoridade dos pais em relação à educação dos filhos. Segundo Souza e Pereira, “o psicólogo, o psicopedagogo, o fonoaudiólogo, o psicomotricista, o pediatra e até mesmo os profissionais da mídia assumem a função de caracterizar a criança e suas necessidades, definindo metas para sua educação e seu desenvolvimento. À família resta a insegurança e a incerteza, cada dia maior, do seu papel frente à orientação da educação dos filhos”.

Atualmente, crianças e adultos estão construindo suas histórias separadamente, as relações e o diálogo entre ambos tornaram-se escassos. Isso se deve porque os adultos, de certa forma, se afastaram das crianças, fazendo com que se reforce o conceito: ”Adultos ausentes, crianças autônomas”(Souza e Pereira).

Compreender a trajetória da infância, sua relação com os adultos e a importância da educação nesta fase, requer uma breve construção histórica sobre a concepção de infância. De acordo com Souza e Pereira, é importante “falar e ouvir sobre as experiências da infância e interpretá-las com a ajuda daqueles que dela hoje participam - as crianças - é uma forma de ressignificar as hierarquias institucionalizadas dos papéis sociais estabelecidos culturalmente”.

Enfim, temos a incumbência de assegurar e zelar pelo direito que a criança tem de viver em plenitude sua infância e, isso requer que sejamos capazes conhecer as especificidades desta fase, seus limites, suas prioridades e necessidades.

Gilberto Frederico Janke/Graduado em Pedagogia/Pós-graduado em Gestão, Orientação e Coordenação Escola

Postado: Leila Ruver
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