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Crissiumal foi um dos locais pelo qual eles passavam, abaixo o vídeo do documentário recuperado pela Lab Pesquisas de Santa Rosa, que conta a incrível história dos Balseiros do Rio Uruguai.
Abaixo um texto do Correio do Povo sobre o assunto:
A atividade madeireira, que teve início nos anos 40 e seu ápice nos anos 50, foi muito importante para o desenvolvimento do Oeste de Santa Catarina. ''Esta nova forma de ocupação impulsionada pela extração do pinus, cedro, angico e canjarana motivou um novo tipo de comércio, que trouxe principalmente a mão de obra do Rio Grande do Sul, e contribuiu para o processo de industrialização desta região'', afirma a historiadora Eli Bellani. Ela é autora do livro ''Madeiras, Balsas e Balseiros no Rio Uruguai''. Segundo Eli, a atividade da extração dos recursos naturais através das companhias colonizadoras começou em 1917. Elas atraíam os colonos gaúchos e atendiam ao comércio externo, principalmente ao mercado argentino.
O rio Uruguai foi a forma encontrada como via de escoamento da madeira, que era amarrada por arames, em dúzias. Os imigrantes se tornavam balseiros profissionais, e os mais experientes, que conduziam a equipe, eram chamados de ''protéticos''. As balsas eram feitas de tábuas amarradas umas às outras até formar uma grande jangada. ''Eram quase 2 mil dúzias de madeira'', relembra Moisés Fernandes de Carvalho, de 93 anos, um dos balseiros.
A viagem começava no distrito de Goio-En e seguia até a Argentina, onde o produto era negociado. Um dos grandes perigos dos balseiros que enfrentavam o rio Uruguai era desviar da Ilha do Cerne e do Salto Yucumã, localizado no Parque Florestal do Turvo, onde as quedas alcançam 1.800 metros e atingem uma altura de até 20 metros. ''Eu tinha cinco anos e chorava para ir junto quando meu pai dava o sinal de luz para avisar aos outros o ponto de balsa'', conta Ademar Rotava, filho do balseiro Ines Rotava. Ele lembra que eram usados códigos no meio do rio. ''Eles marcavam as madeiras com as iniciais do nome, já que muitas eram perdidas nos relevos do rio. Ao longo do caminho as mesmas eram recuperadas'', recorda Moisés, que fez 13 viagens.
O também balseiro Ervino Vieira explica que nos anos 40 e 50 a única forma de sobrevivência na região era com a madeira. ''Teve uma época em que plantei feijão, mas tive que dar para os porcos, pois não tinha para quem vender. Hoje, sim, eu condeno cortar a mata'', afirma.
Texto: Correio do Povo
Postado: Leila Ruver| Tweet |