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Vera Academia - 27/06/2014 - Coluna Vera Academia 27062014


Os efeitos de um carrinho violento

 

Se a bola deixa de ser o alvo, o defensor pode impor uma lesão grave ao adversário. Do joelho aos pés, conheça as implicações dessa colisão que faz muitos jogadores se afastarem dos gramados.

 

Joelho em apuros: O carrinho que atinge o atleta lateralmente pode culminar em lesões nessa articulação, como rupturas de ligamentos (estruturas que unem um osso ao outro). Um dos mais danificados é o colateral medial, localizado na porção mais interna da perna. Muitas vezes ele se recupera sozinho.

 

Encrenca dupla: No caso de um rompimento do colateral medial, a tendência é o ligamento cruzado anterior também sair no prejuízo. Como ele está dentro do joelho, dificilmente se regenera por si. Aí é preciso operar. E a recuperação pode demorar de seis a oito meses.

 

Duro de roer: Se a energia do choque for dissipada no osso do atleta, ele pode sofrer uma contusão, o estágio anterior à quebra. Em outras palavras, há um processo inflamatório alí, com acúmulo de líquido. A questão é que esse material pressiona o osso. Moral da história, o craque sente bastante dor e a solução é repousar.

 

 

Cartilagem na reta: Já quando o carrinho ocasiona uma torção do joelho, há grande possibilidade de o menisco rasgar. Situada entre a tíbia e o fêmur, essa estrutura tem como função amortecer os impactos. A cirurgia visa suturá-la ou, quando isso não é possível, retirar o fragmento machucado. Mas em pouco tempo o jogador volta aos gramados.

 

Entrada criminosa: A pancada no osso foi extremamente intensa? Aí, existe uma probabilidade de fratura, e ele quebra pra valer. As áreas afetadas costumam ser a tíbia e/ou a fíbula. Para corrigir o estrago, leva-se o jogador para a mesa de cirurgia. Com as técnicas modernas empregadas hoje, ele pode voltar a andar no pós-operatório. Jogo mesmo, só em torno de seis meses.

 

As partes baixas: O tornozelo é outro alvo frequente dos carrinhos. Quando ele atinge essa região, há o risco de o atleta torcer o pé para dentro. Nesse caso, quem se dá mal é o ligamento deltoide. Dependendo da intensidade da força, é possível literalmente quebrar o pé.

 

Uma entrada, pode ter várias repercussões, e existem detalhes que fazem a diferença nas possíveis consequências de um carrinho. Quando a entrada é por trás, o jogador não pode se defender, aí costuma ser mais grave, por isso a punição é um cartão vermelho. Se o craque consegue tirar a perna do chão, a energia da pancada se dispersa, diminuindo o risco de lesões sérias. O problema é quando o pé está fincado na grama. Aí a energia é descarregada no local do choque, contribuindo para lesões. No entanto, o carrinho se torna mais perigoso quando é praticado por um atleta forte que vem em altíssima velocidade. Em 2008, durante o Campeonato Inglês, o atacante Eduardo da Silva, do Arsenal, tomou um carrinho tão violento do zagueiro Martin Taylor, do Birmingham, que teve fratura exposta. E no Mundial de 2010, após uma entrada dura de Cheick Tioté, da Costa do Marfim, Elano, nosso meio-campista, saiu amparado da partida. Motivo? Uma contusão óssea. Por causa dela, o número 7 da seleção não voltou ao torneio, o que foi muito prejudicial para o Brasil.

 

Postado: Leila Ruver
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