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Saúde - 27/04/2012 - A Obesidade cresce assustadoramente no mundo e se transforma no verdadeiro mal do século


E o mais alarmante: quase 43 milhões de crianças abaixo dos 5 anos estavam com sobrepeso em 2010.

 

Uma brincadeira está correndo a Internet: uma imagem mostra a escala evolutiva do homem, desde o homo habilis, passando pelo homo erectus e chegando até o homo sapiens. Só que a ponta da escala evolutiva termina com um homem bebendo um enorme copo de refrigerante, completamente obeso. Será esse o futuro da humanidade? Ou seria a falta de futuro? Os dados sobre a obesidade acusam uma epidemia em escala mundial, ameaçando a vida de bilhões de pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade pelo mundo mais que dobrou desde 1980. Em 2008, 1,5 bilhão de adultos acima de 20 anos estavam com sobrepeso, sendo que, destes, mais de 200 milhões de homens e quase 300 milhões de mulheres eram obesos, ou seja, quase 10% da população mundial.

 

E o mais alarmante: quase 43 milhões de crianças abaixo dos 5 anos estavam com sobrepeso em 2010. Toda uma geração já começa ameaçada pelos males associados à obesidade: doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, desordens músculo-esqueléticas e até alguns tipos de câncer. No Brasil a situação não é diferente. Pesquisa realizada pelo IBGE em 2009 indica que metade dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso e que 12,4% dos homens e 16,9% das mulheres são obesos. Entre crianças, o quadro é igualmente preocupante: um terço das crianças de 5 a 9 anos está com peso acima do recomendado pela OMS. Jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso representam 21,7% de todos os adolescentes brasileiros. Como promotores da saúde e da qualidade de vida, os profissionais de Educação Física, estão diretamente envolvidos nessa questão, e é exatamente por isso que o Sistema CONFEF/CREFs (Conselho Federal e Regionais de Educação Física) definiu 2012 como o ano de debate sobre a obesidade. Para que haja sucesso no combate à obesidade, é necessário um esforço conjunto de várias especialidades na área da saúde. Os bons resultados apresentados por equipes interdisciplinares são prova disso. A obesidade, na maioria das vezes, é desenvolvida a partir de muitos fatores etiológicos, os quais devem ser controlados por vários profissionais de saúde. Por exemplo, sabe-se que fatores psicológicos influenciam as escolhas alimentares, assim como o desejo ou não de se exercitar. Institutos de ensino e pesquisa, além de órgãos governamentais, estão investindo nesse formato de grupos interdisciplinares para tratar a obesidade através de centros de referência pelo Brasil. Ainda são iniciativas esparsas, mas que mostram o caminho de combate à obesidade através da ação conjunta dos profissionais de saúde. Algumas iniciativas abordam grupos específicos, como crianças e adolescentes. Nesses grupos, verificou-se que atividades de lazer são importantes no controle das dislipidemias, mas apenas os exercícios aeróbios e os combinados com musculação foram efetivos no controle desse tipo de gordura. Além disso, verificou-se que apenas os exercícios combinados foram efetivos em reduzir fatores de risco da síndrome metabólica. Embora a Educação Física escolar possa se apresentar como um grande aliado no combate à obesidade, de acordo com esses estudos, não é esse o quadro encontrado nas escolas. A falta de atividade física ou a sua inadequação à demanda do peso, muitas vezes, deixa a criança ou o adolescente obeso de fora das quadras, das salas de ginástica. Infelizmente quem mais precisa de exercícios muitas vezes não é estimulado, e assim se reforça um ciclo vicioso de necessidade e de exclusão. Academias, clubes, escolas, independente do local em a criança esteja inserida, ela pode e deve ser estimulada a praticar atividade física, para um futuro mais saudável: com menos obesidade e mais exercícios físicos.

 

Fonte: Revista EF, nº 43, março de 2012

 

Postado: Leila Ruver
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