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Texto de Opinião - 26/12/2023 - Diferentes vivencias e a Educacao na Infancia


Por Professor Gilberto Frederico Janke

Se falarmos em infância, assim como em tempos passados, hoje ainda há uma atenção especial com a educação da criança, pois esta, desde a sua concepção, passa a ser inserida em um contexto social, econômico e cultural, recebendo durante toda a sua infância a ação e influência de todos os segmentos da sociedade, a fim de preparar e moldar a criança para que ela possa ser um adulto conveniente à sociedade, sendo capaz de agir consciente e criticamente na realidade social em que se encontra inserida.

Algumas décadas atrás, a sociedade através da educação, almejava a formação integral da criança para o exercício consciente da cidadania. Épocas aquelas em que as diferenças (sociais, econômicas, culturais, emocionais, intelectuais, etc.), também existiam, onde as crianças eram preparadas e instruídas pela família, escola, igreja e demais segmentos da sociedade, para serem agentes transformadores e críticos perante a realidade. Mesmo assim, as crianças tinham mais tempo disponível para viver e curtir a sua infância, pois eram estimuladas e orientadas para tal.

A família estava mais centrada e dava mais ênfase na educação moral da criança, instruindo-a para a aquisição e construção de valores morais (paz, amor, solidariedade, justiça, ética, responsabilidade, respeito, obediência, disciplina, amizade, fé, esperança, ajuda, partilha), necessários para o exercício da cidadania e ascensão social da pessoa. A família também

repassava à criança a cultura familiar, de geração para geração, cultura essa relacionada a origem familiar, hábitos e costumes de antepassados, valorização da história. A educação familiar evidenciava mais o ser do que o ter e, para isso ocorrer, era essencial uma boa instrução e formação moral da criança, para ser alguém na vida, ter um bom emprego e ocupar bem o seu espaço na sociedade.

Nesse contexto a escola era vista como uma continuação da família, sendo essa responsável pela transmissão e construção do conhecimento, bem como pelo aprimoramento da educação moral recebida em casa. A escola era o espaço onde a criança ia em busca da novidade, de novas descobertas, da construção de novos conhecimentos, havia maior consonância entre a família e a escola na educação da criança, pois essas eram mais disciplinadas, comprometidas, envolvidas com os estudos e mesmo a escola não tendo muitos recursos (principalmente tecnológicos) disponíveis, era o espaço almejado pelas crianças e confiável pela família.

Em certo momento, principalmente a partir dos anos 80, passa-se a ver nas crianças um horizonte promissor de mercado consumidor. As novidades e os desejos de consumo passam a surgir de maneira cada vez mais rápida e intensa: coleções de figurinhas de animais e times de futebol contidas nas embalagens de chicletes, chocolates, balas, das roupas, brinquedos com emblemas de super-heróis (Supermann, Hemann, Rambo, Mulher Maravilha, etc.); bonecas de celebridades e heroínas da época. As crianças eram atraídas pelas imagens reproduzidas nas mercadorias, nem se preocupavam com o produto e sim com a imagem do herói, com o desafio de completar a coleção de figurinhas. Porém, nesta época os pais ainda tinham mais controle sobre seus filhos.

Atualmente, a maioria das crianças leva quase uma vida de adulto, que lhes é imposta pelos adultos. Uma vez que as crianças além de frequentarem a escola, tem o restante do tempo ocupado com aulas de dança, de informática, de língua estrangeira, de pintura, de música, de teatro, treinos dos mais variados esportes, dentre outros. Estas crianças quase não têm mais tempo para viver e curtir sua infância, pois as famílias estão lhes envolvendo em situações rotineiras que se tornam cansativas, pouco prazerosas, que muitas vezes apenas servem para ocupar o tempo da criança, caracterizando o desrespeito e desvalorização desta fase da vida que passa tão rápido. Além

disso, tem famílias que não estão dando a atenção necessária para a educação moral da criança, transferindo esta responsabilidade para outros segmentos da sociedade. Isso se justifica na falta de limites de muitas crianças, em suas más condutas sociais, nos problemas que geram nos espaços que frequentam.

Em meio a isto está a escola, não mais tão agradável e satisfatória para as crianças, que não possuem mais aquele encanto pela escola, pois esta não está acompanhando as inovações tecnológicas da realidade, sendo que as crianças encontram e tem acesso a tudo isso fora da escola, de forma mais prazerosa e atraente. No que diz respeito á educação da criança, observa-se que de certo modo a relação família-escola-sociedade está meio conturbada, não estando mais tão interligadas, sendo que um segmento quer passar parte de sua função na educação da criança para outro. E, em meio a isto, está a criança, que reflete e é resultado desta relação desarmônica.

A criança passa grande parte da sua infância na escola e em meio a este contexto está a importância da função do professor como mediador no processo de ensino e aprendizagem. Como orientadores deste processo e incentivadores da aprendizagem, visando a construção do conhecimento e a formação integral da criança como pessoa e cidadão, os professores devem planejar e desenvolver atividades adequadas para serem atingidas tais metas e objetivos, sendo que as metodologias de ensino devem respeitar, priorizar e contemplar as fases de desenvolvimento das crianças e seus saberes extraescolares. Deve-se buscar nas atividades propostas, o equilíbrio entre o lúdico e o teórico, a teoria e a prática, o concreto e o abstrato, o real e o imaginário.

Nos últimos anos, observa-se um grande crescimento e avanço em relação aos recursos tecnológicos na educação, tanto na família como na escola. Muitas famílias proporcionam a seus filhos o acesso a recursos tecnológicos mesmo antes de estes entrarem na escola, já que nem todas as escolas podem proporcioná-lo, pois dependem do governo para tal. Percebe-se que aos poucos o poder público está equipando as escolas e isso contribui muito na qualidade do ensino oferecido na mesma. O desafio agora é fazer com que todas as crianças, dessa sociedade com tanta desigualdade econômica, tenham acesso aos recursos tecnológicos.

Também nota-se que as crianças continuam sendo um mercado consumidor promissor, muito explorado pelas empresas. Elas se identificam com marcas, equipamentos eletrônicos, heróis, imagens, modas do momento, mas não possuem a plena consciência do porque existirem tantos produtos direcionados à elas. Os pais muitas vezes concordam com essa situação e esquecem que seria um bom momento de educar para o ser se sobressair ao ter.

Enfim, a infância é um período da vida da pessoa que necessita do acompanhamento dos adultos, que devem ser orientadores do processo educacional da criança, bem como mediadores e organizadores das situações de aprendizagem proporcionadas à mesma, sendo que estas devem contemplar a formação integral da criança.

 

Gilberto Frederico Janke

Professor de Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Graduado em Pedagogia

Pós-graduado em Gestão, Orientação e Coordenação Escolar

Postado: Leila Ruver
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