Por Samara Cristiane Hanauer Janke, Professora alfabetizadora na E. M. E. F. Rotermund, Graduada em Pedagogia

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Quando Deus nos criou, nos deu de presente “uma” boca para falar e “dois” ouvidos para escutar. Assim podemos nos comunicar e nos fazer entender, além de interagir e compreender os outros. Fomos criados de uma forma perfeita, mas estamos invertendo a quantidade de uso destes dois órgãos, boca e ouvidos, em nossa vida cotidiana: estamos falando muito mais do que ouvimos.
Há um ditado popular que diz que “às vezes o silêncio é a melhor palavra”, mas hoje se fala até aquilo que nunca deveria ser dito. Uma boca só está falando muito mais do que dois ouvidos podem escutar. Estamos tendo que aprender a ouvir mais, pois muitas vezes o silêncio nos faz pensar e refletir sobre aquilo que iriamos dizer e acabamos optando em não falar para não magoar ou prejudicar os outros.
Com relação às crianças, estas então se comunicando muito e com rapidez, fazendo com que a compreensão por parte de quem escuta seja prejudicada. O que é mais estranho é que não estão deixando os adultos falarem. O que chama a atenção é a ansiedade que muitas crianças demonstram na hora de falar e isso é preocupante.
Há alguns anos atrás as crianças não participavam das conversas dos adultos e bastava um olhar dos pais, professores, avós ou outro adulto qualquer e as crianças já sabiam o que deveriam fazer. Hoje algumas crianças não deixam os adultos falarem e por vezes instruem-os a ficarem quietos para que elas possam falar o que quiserem, como quiserem e quando quiserem, invertendo-se completamente o papel de adultos e crianças.
Quando estão na frente de um celular ou de um computador não ouvimos ruído algum de suas vozes. O ruído que se ouve é do barulho da pressão das teclas e o som de tiros, ronco de motores, músicas agitadas. Então fica a pergunta: as crianças não sabem ouvir ou não querem ouvir?
É preciso que se faça uma parada para refletir sobre esta questão que, aos poucos, está deixando as crianças tomarem uma posição que ainda não lhes cabe. A preocupação sempre foi ensinar as crianças a falarem, mas será que estamos ensinando as crianças a ouvirem?
Tudo isso que foi dito também cabe a nós adultos. Precisamos nos conscientizar de que estamos falando demais e não estamos deixando o silêncio fazer a sua parte e, com certeza, ele teria muito a nos dizer. Sempre conte até dez antes de dizer algo e lembre-se: “use a palavra certa na hora certa”.
Samara Cristiane Hanauer Janke - Professora alfabetizadora na E. M. E. F. Rotermund, Graduada em Pedagogia.
Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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