Por Adriane Lucia Caneppele Pós Graduada em Supervisão Escolar

Quando pensamos em Escola Infantil, o que vem a nossa mente é um espaço pedagogicamente organizado para receber, educar e cuidar das crianças. Aquele tempo em que a criança pequena era deixada na escola só para dormir e comer enquanto os pais trabalhavam já se foi. Hoje a Educação Infantil é reconhecida como uma das etapas mais importantes ao desenvolvimento do indivíduo. Mas, para ser realmente eficaz, creches e pré-escolas precisam oferecer oportunidades qualificadas. Por isso, garantir variedade nas atividades e materiais pedagógicos é imprescindível. A criança pequena precisa de massinha de modelar, papéis para recortar, tintas para pintar, blocos e peças de construção, joguinhos matemáticos e linguísticos, experiências de Ciências e atividades que explorem a psicomotricidade. As brincadeiras são à base do aprendizado na Educação Infantil. Uma parte delas é direcionada, mas, outra boa parte, tem de ser livre, respeitando o ritmo de cada um.
Uma das principais preocupações da maioria dos pais em relação à iniciação da Creche (0 a 3 anos) é a Adaptação. Quando os pais colocam o seu filho numa creche surgem vários receios e dúvidas. Para os profissionais da Escola a preocupação maior é com o bem estar, acolhimento e aprendizado da criança, mas tudo depende da relação família que a criança desenvolveu. Educar as crianças é uma tarefa complexa, pois cada etapa do desenvolvimento é um desafio, em muitos momentos da vida de cada criança ocorrem situações mais difíceis de ser enfrentadas, tais como a entrada na creche em que a criança demora a se desprender dos pais, pois esse processo é lento, até ela aprender a ficar longe das pessoas de quem gosta como fazia na etapa anterior do seu desenvolvimento.
Parte dos pais (e de educadores) acha que quanto mais tarde a criança for para a escola, melhor. Outra defende que quanto mais cedo, mais ela irá se desenvolver e aproveitar os anos futuros, no Ensino Fundamental.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que crianças de 2 a 7 anos, ao entrarem em berçários, creches ou escolas, têm resultados positivos e importantes no desenvolvimento da comunicação e também na parte emocional. Ao conviver com várias outras da faixa de idade dela, a criança pode trocar conhecimento com seus coleguinhas, vivendo experiências enriquecedoras, enfrentando novos desafios e trocando informações com pessoas diferentes. Ou seja: as instituições de ensino trazem maiores benefícios ao desenvolvimento infantil em relação à aprendizagem em casa com babás ou cuidadores. É possível também perceber a diferença entre crianças que frequentaram a Educação Infantil quando chegam ao Ensino Fundamental, são mais sociáveis e apresentam um vocabulário bem mais rico.
Tudo isto, porque é agindo e interagindo com o outro e com os objetos que a rodeiam, é que a criança constrói o seu conhecimento, inclusive sobre si mesma, é que desenvolve as bases para estruturar a sua personalidade. Estas interações com o meio físico e social, resultantes da própria ação da criança sobre o meio, constituem experiências de carácter físico, cognitivo, social ou afetivo que contribuem, de forma integrada, para o seu desenvolvimento (Piaget, 1966). Sabe-se que as brincadeiras em grupo são a melhor experiência de socialização.
A forma como cada sociedade lida com a infância está diretamente associada à concepção que tem do que significa ser criança, concepção essa que vem sendo alterada ao longo dos tempos. A infância é a etapa fundamental da vida das crianças, sendo os primeiros três anos de vida e particularmente os mais importantes para o seu desenvolvimento físico, afetivo e intelectual.
Crianças de 0 a 3 anos que tem convívio e rotina em creche, estimulam o desenvolvimento muito mais do que as que ficam em casa com pais ou cuidador.
Segundo um estudo, publicado em outubro de 2017, 89% das crianças que passam o dia, ou parte dele, em creches folheiam livrinhos e ouvem histórias contadas por profissionais e educadores. Para as que ficam em casa, o percentual cai para 62%, menor também na comparação com as que permanecem parte do dia na casa de alguém. Atualmente, 67% dos responsáveis por crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches acreditam essa ser a melhor opção para o desenvolvimento. E não mudariam a escolha.
De forma geral, avaliam que as creches têm uma série de vantagens. Mas a pesquisa aponta que a principal é “aprender a conviver com outras crianças” e em segundo lugar, aparece à questão do “acompanhamento de profissionais especializados”.
A educação infantil começa na creche. É a primeira etapa para a educação básica. Conforme pesquisas as crianças que frequentaram creches têm o desenvolvimento escolar superior àquelas que entraram tardiamente na escola. Diria então que: Creche estimula o desenvolvimento!
Sendo assim, a Educação Infantil é uma das mais importantes etapas da formação da criança, pois é onde ela começa a experimentar o mundo fora do núcleo familiar, faz novos amigos, aprende a conviver com as diferenças e faz várias descobertas em todas as áreas do conhecimento. Hoje, não pode ser mais vista como um lugar onde são realizados os cuidados básicos de higiene e alimentação e sim, onde educar e cuidar estejam agregados e mais ainda, onde laços afetivos sejam criados. É grande a importância dos primeiros anos de vida para a construção dos alicerces da personalidade e do conhecimento. Sabe-se que os estímulos motores, afetivos e sociais, oferecidos às crianças nos primeiros anos de vida, são cruciais para uma vida mais harmoniosa e feliz.
Assim sendo, concluo que a Educação Infantil é um alicerce e é primordial para a aprendizagem. Onde a criança socializa, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar no futuro, promove o lúdico, o ético, a cidadania e os laços afetivos, propiciando assim, resultados efetivos para toda a vida.
Adriane Lucia Lippert Caneppele
Pós Graduada em Supervisão Escolar
Escola Municipal de Educação Infantil Rotermund
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