Após os 60, duvide do IMC
Basta dividir seu peso, em quilos, pela altura ao quadrado, em metros, e pronto. Se o resultado do conhecido índice de massa corporal ficar entre 18,5 e 25, você está em forma e, logo, saudável. Só que a regra, embora muito difundida, não vale para todos. Especialmente na população mais madura, o IMC não pode ser usado para diagnosticar obesidade ou traçar o risco de doenças cardiovasculares. Pesquisas recentes apontam que os senhores com IMC entre 25 e 35, enquadrados na famosa conta, como “acima do peso”, correm menor risco de morrer do que aqueles com taxa na faixa considerada ideal. Não é que o excesso de gordura seja melhor nos mais velhos, na verdade, as mudanças que ocorrem no corpo com o passar dos anos, como a perda de músculos, afetam o cálculo. Até entre jovens adultos o IMC não pode ser encarado como um jeito certeiro de medir a forma física em relação à saúde do peito. Entre outras razões, porque o cálculo não consegue distinguir a gordura subcutânea da visceral, aquela que infla o estômago e causa, ela sim, estragos extras ao organismo. Um recente pesquisa americana mostra que voluntários com o IMC dentro dos limites, quando exibem uma pança avantajada, estão mais sujeitos a desenvolver problemas cardíacos do que pessoas com o índice elevado, mas sem aquela barrigona.
Confira a seguir as alterações relacionadas ao envelhecimento capazes de abalar a precisão do método:
Estatura: alguns idosos chegam a perder 5 centímetros de altura graças a mudanças posturais, e a redução do tamanho, por si só, diminui o IMC. Nesse caso, um número baixo camuflaria deformidades na coluna, por exemplo.
Esqueleto: indivíduos acima dos 60 anos tendem a ter ossos menos densos e, portanto, mais leves. Essa perda de peso, claro, baixa o IMC, mas na realidade está entregando uma osteoporose, que deve ser tratada.
Musculatura: a frase é batida, mas vale repetir, o músculo sempre pesa mais do que a gordura. Só que a degeneração de bíceps, tríceps e companhia é comum com a idade. No cálculo do IMC, ela se confundiria com emagrecimento saudável.
Gordura: no corpo dos sessentões, a gordura se concentra no abdômen, onde se torna bastante nociva. Contudo, o IMC é incapaz de delimitar a região em que estamos cheios de dobras e, daí, deixa passar despercebidos os acúmulos que são pra lá de danosos.
A ideia não é extinguir o IMC, afinal trata-se de uma medição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Entretanto, existem métodos mais confiáveis para determinar o estado físico de um indivíduo, em especial se ele já tiver soprado mais de 60 velinhas em seu último aniversário. Um deles é mensurar a circunferência da cintura. Independente do IMC, as mulheres com mais de 88 centímetros de cintura e os homens com mais de 102 centímetros possuem uma probabilidade maior de doenças cardiovasculares. A maior precisão desta medida reside no fato de que ela acusa a quantidade de gordura visceral, e essa gordura está associada ao aparecimento do diabete e da hipertensão, além de patrocinar o aumento dos níveis de colesterol. Há outro cálculo, esse chamado de relação cintura-quadril, que vem ganhando espaço para verificar se alguém está ou não com pneus demais. Esse teste consiste em dividir a circunferência da cintura, em centímetros, pela do quadril, também em centímetros. Um número menor do que 0,85 para mulheres e 0,90 para homens é um indício de um corpo invejável.
Todos os métodos reforçam que, no fim das contas, não há idade para somar elementos a favor de um estilo de vida saudável. Essa é uma velha e insuperável equação que manterá o corpo firme por anos a fio, como sempre pretendo demonstrar através desta coluna.
Um grande abraço a todos!

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