Fato ocorreu no final do ano passado

A situação do campo não é fácil devido a diversos fatores. Um deles é a loteria do clima, outro a desvalorização dos produtos agrícolas na maioria das vezes. Porém, os agricultores de Crissiumal e região desde 2014 vêm convivendo com práticas aos quais não estavam acostumados, ou ao menos, fatos que não ocorriam na região há alguns anos.
Dois fatos em especial chamam a atenção da comunidade. O primeiro deles o calote de diversas empresas do ramo de lácteos, que não pagaram pelo leite recolhido das propriedades rurais, onde podemos citar empresas como a LBR, Mondaí e Promilk que acabaram fechando as portas e deixando seus fornecedores a ver navios. Inclusive nesta semana Milton Gaertner, da Comissão de Credores da LBR relatou que valores da venda de queijo que teriam a receber ainda não teriam sido depositados a um grupo de produtores da região.
Outro caso que tem causado transtornos sérios a um grupo de agricultores é o impasse na compra de adubos enfrentado por cerca de 50 produtores rurais desde o ano passado.
Os mesmos compraram adubo de uma empresa catarinense da cidade de Guaraciaba, sendo que na primeira aquisição não houve problema, com o produto de qualidade. Na segunda aquisição o adubo não apresentava resultado na lavoura, onde os agricultores alegam terem sido enganados. Antes de perceber que o adubo da segunda aquisição não havia feito efeito, vários agricultores compraram uma terceira remessa, que nem chegou a ser entregue, porém foi cobrada na íntegra, por uma Financeira Catarinense, que assumiu os débitos dos produtores junto aos vendedores.
Vinte e quatro agricultores entraram na justiça contra a empresa em uma ação conjunta de cerca de 160 mil reais, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais local. Vários outros entraram com ações individuais. Segundo um dos lesados, Rivelino Sossmeier, que procurou a reportagem do Guia Crissiumal durante a semana, é estimado que o valor do calote seja de mais de 500 mil reais na região. Sossmeier teve um prejuízo de mais de 30 mil reais.
Muitos dos agricultores agora estão com problemas financeiros, já que em alguns casos os mesmos foram cadastrados no SERASA, impedindo os mesmos até mesmo de buscar financiamentos para a sua lavoura.
O Guia Crissiumal buscou nesta quinta-feira (21) novas informações sobre o assunto.
Conversando com profissionais da agricultura obtivemos a informação de que os produtores foram atraídos por um preço de cerca de R$ 15,00 a menos por saca do fertilizante. Amostras do adubo da segunda remessa encaminhadas ao laboratório de análises da UPF de Passo Fundo mostraram que era um produto com características bem diferentes dos fertilizantes de verdade.
Veja abaixo que a concentração do Nitrogênio, Fósforo e Potássio do produto não correspondia ao normal do adubo:

Um dos técnicos ouvidos pelo Guia Crissiumal relatou que com essa fórmula “vazia” era impossível o fertilizante ter resultado na lavoura, especialmente nas plantações de milho, que necessitam de fósforo.
O caso foi registrado na Polícia.
Imagem do topo: ilustração
Fonte / Foto: Guia Crissiumal
Postado: Leila Ruver
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