Com as mãos emperradas
Quatro em cada dez pessoas terão artrose nos dedos. Saiba como proceder para não sofrer com dor e limitação de movimentos. Tudo começa com uma sensação de que falta óleo nas juntas. Elas parecem ficar meio travadas e até um pouco inchadas. Se nada for feito, com o tempo vem a dor. Nos quadros avançados, o incômodo é excruciante, de osso se esfregando com osso. É a artrose botando as garras de fora. E, embora esse desgaste nas articulações associado ao avançar da idade possa acometer qualquer junta pelo corpo, um novo levantamento chama a atenção para o suplício das mãos. De acordo com o Centro de Controles e Prevenção de Doenças dos EUA, 40% da população mundial tem ou terá osteoartrite, o termo mais usado pelos médicos, entre os dedos e o punho.
Antes da mais nada cabe diferenciar a artrose do que se chama de artrite. A primeira patologia se refere a uma inflamação na junta. Ela pode ser resultado de infecções, traumas ou doenças autoimunes. Já a artrose é uma degeneração que começa na cartilagem entre as juntas e os ossos, processo que dificulta a movimentação. Com a degradação desse amortecedor, a fricção aumenta a tal ponto que fica quase impossível mexer os dedos.
Contudo, a idade não é o único fator em jogo. História familiar e trabalhos que demandam muito dos dedos estão associados a uma manifestação mais precoce. Até mesmo o uso abusivo do celular pode abrir caminho ao problema. Os celulares são os dedos mais empregados na hora de teclar o smartphone, e um manuseio sem limites pode comprometer essas estruturas e resultar em uma baita dor. Essa doença tem nome, a rizartrose.
Relação menos evidente, mas que ganha força entre os especialistas, é a da obesidade com a osteoartrite nas mãos. Um estudo norueguês constatou que um índice de massa corporal elevado aumenta o risco de desgaste nas cartilagens dos dedos. Esse vínculo é atribuído ao estado de inflamação criado pela gordura visceral, que se localiza na parte mais profunda do abdômen, entre os órgãos. Ela produz substâncias inflamatórias extremamente nocivas à saúde e que podem danificar as articulações. A boa notícia é que a dupla clássica para combater o excesso de peso e barriga, que é a atividade física mais alimentação balanceada, rende proteção extra contra a artrose. Isso porque um estilo de vida sedentário e uma dieta desiqulilibrada levam a um aumento dos níveis de ácido lático. A abundância desse composto pelo organismo contribui para a inflamação nas juntas, cenário propício à artrose.
Especialmente em relação aos dedos, punho e companhia, um conselho precioso é não pegar pesado. A cada 50 minutos de trabalho, é recomendável descansar dez, principalmente se a atividade envolve o uso das mãos. Também é importante repousar antes de chegar à exaustão, o que evita o estresse e a dor nas articulações. Esses cuidados valem tanto para prevenir como para tratar quem já tem o problema. Agora, se já existe o diagnóstico de osteoartrite, é provável que o médico trace algumas táticas terapêuticas de acordo com os sintomas e as limitações do paciente. Como medicamentos sozinhos não melhoram a mobilidade dos dedos, é desejável pedir apoio de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais com o objetivo de trabalhar a força muscular e a amplitude do exercício. Como artrose não tem cura, vale o alerta e se precaver: exercite-se, perca peso, encurte o tempo no computador e no celular. Suas mãos não podem, e nem querem, emperrar.

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