Por Adriane Lucia Lippert Caneppele, Diretora da Emei Rotermund

O primeiro dia de aula é um momento de muitas expectativas. Na Educação Infantil, passamos pelo período da adaptação, que para algumas crianças não gera tanta ansiedade, diferente de outras, que manifestam certa insegurança diante do novo. O período da adaptação deve ser vivenciado de forma leve e espontânea, porém com muito cuidado e atenção, pois cada criança possui um ritmo e necessidades diferentes.
É um momento onde os vínculos familiares da criança vão sofrer uma “quebra”, pois o tempo de convívio com os pais e parentes será dividido com outras pessoas, em um novo ambiente. Essa “quebra” faz-se necessária para a criança desenvolver o processo da autonomia, segurança e independência, bem como a criação e o fortalecimento de vínculos afetivos.
A adaptação pode ser um momento difícil também para os pais, que sofrem igualmente com essa ruptura, necessitando da mesma forma de atenção e orientação. Por isso, é tão importante à parceria constante entre família e escola, para que os pais possam depositar confiança nesse novo espaço e nos profissionais que estarão à frente dos cuidados e da educação do seu filho.
Dessa forma, autorizam a instituição escolar a exercer essa função, facilitando o processo de adaptação. A criança percebe quando os pais estão ansiosos ou inseguros, portanto, procure passar confiança para seu filho, demonstrando que a escola é um lugar seguro onde eles passarão determinado tempo e que depois haverá o reencontro com a família. Por isso, o diálogo constante, a segurança e o estabelecimento de uma rotina para a criança é essencial nesse processo.
Algumas DICAS que vão ajudar na adaptação do seu filho:
1 – A vinda da criança para a escola deve ser preparada pelos pais ou responsáveis através de conversa sobre o que ela encontrará no ambiente escolar.
2 – Nos primeiros dias, é fundamental que alguém que represente uma figura de confiança para a criança traga e permaneça com ela na escola, caso seja necessário e se esta foi à orientação da coordenação pedagógica e direção da escola.
3 – O tempo de duração do período de adaptação depende de cada criança. É preciso respeitá-lo;
4 – É fundamental que os pais evitem ao máximo que a criança falte nessa fase. Um grande número de faltas prejudica o estabelecimento do vínculo da criança com a escola. A criança precisa ter rotina e constância de lugares e pessoas no seu dia a dia, para que consiga se organizar internamente e sentir-se segura;
5 – O choro na hora de se separar dos pais acontece com frequência e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola. Ela pode estar apenas querendo mostrar que gosta dos pais e que sentirá falta deles. Da mesma forma, o fato da criança não chorar não significa que ela não sinta falta dos pais. Nesses momentos, também pode ser difícil para os pais se separarem da criança, pois ficam preocupados de deixarem o filho. Explique que logo vocês se reencontrarão, passando essa segurança para ela. Com o tempo, essa fase do choro vai acabar;
6 – Evite demonstrar ansiedade ou impaciência ao trazer a criança à escola, especialmente neste período. Cabe à família transmitir segurança, incentivando- a entrar na escola caminhando, evitando colocá-la no braço, pois assim não deixará para o professor a função de retirar a criança do colo do familiar.
7 – Evite sair escondido do seu filho. Se despeça de forma natural. Mesmo que ele chore, é sempre melhor dizer a verdade do que tentar enganá-lo, pois a confiança é a base para uma boa adaptação;
8 – A “angústia de separação” é um processo natural, que inevitavelmente acontece. Conte com os profissionais e serviço de orientação e coordenação da escola para dividir alguns questionamentos.
Pontos de reflexão para a família:
• Passe confiança à criança, deixando-a segura de que você vai voltar para buscá-la na escola. Assegura-a de que a ama e do quanto ela é importante para a família;
• Fale sobre a escola e das coisas que ela irá fazer lá com entusiasmo, mas não crie ilusões dizendo que tudo será da forma como ela deseja. Explique que é um local coletivo e que haverá outras crianças com quem brincar e dividir a atenção;
• Participe do processo de adaptação do seu filho, sem pressa de que ele acabe logo. Respeite as orientações da escola e busque compreender a estratégia dos professores para que ajam em conjunto.
• Busque não se atrasar, nem na hora da entrada e nem na hora de buscar a criança. Isso fortalece a confiança dela nos pais e diminui qualquer desconforto como a ansiedade;
• Converse sobre como foi o dia da criança, pergunte e deixe-a falar em seu ritmo. Não responda por ela ou dê opções de resposta – pois, assim, não será um diálogo.
• Explique mudanças de rotina à criança honestamente, mesmo ela sendo pequena, com uma linguagem adequada e clara, ela compreenderá. As crianças percebem quando os pais falam a verdade, e isso costuma afetar a confiança e respeito que têm por eles.
Contudo, a adaptação traz consigo benefícios como a ampliação dos vínculos sociais e a construção de um universo mais amplo, em que estejam presentes duas conquistas fundamentais: a independência e a autonomia e é imprescindível que o processo de adaptação seja dotado de amor, confiança, compreensão e aprendizado. No decorrer deste processo a interação família e escola resultam na construção de laços saudáveis. E eles proporcionam uma troca de vivências que enriquece a permanência da criança no meio escolar e possibilita o seu pleno desenvolvimento.
Por Adriane Lucia Lippert Caneppele - Pós Graduada em Supervisão Escolar - Diretora da Emei Rotermund - Fevereiro 2022
Postado: Leila Ruver| Tweet |