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Vera Academia - 20/06/2014 - Coluna Vera Academia 20062014


A ciência de um belo chute

 

Ele é um ato tão corriqueiro dentro de campo que a gente nem imagina quanta engenharia do corpo humano é exigida no momento em que o pé vai se encontrar com a bola.

 

1. Olho no lance: Segundos antes do chute, o jogador tira uma panorâmica do cenário, com destaque para o gol rival, e define onde vai colocar a bola. O cérebro programa isso em um relâmpago e, no instante da batida em si, a bola demanda foco absoluto dos globos oculares;

 

2. Até os braços? Sim, eles não são usados apenas pelo goleiro ou na hora de cobrar lateral. Para chutar, o atleta arma os braços a fim de garantir equilíbrio no momento de virar o tronco e tirar um pé do gramado;

 

3. Mostra o gingado: Quando o pé de apoio é posicionado próximo à bola, a pelve e o tronco precisam fazer uma leve rotação para o corpo ganhar estabilidade e, ao mesmo tempo, impor força na execução do chute;

 

4. O pé de apoio: Nem sempre lembrado, é figura central na biomecânica do chute. Ora, sem ele, o atleta não fica em pé para cumprir a tarefa. Se a meta é dar uma batida forte, o ideal é mantê-lo um pouquinho à frente da bola, o que rende maior amplitude ao movimento.

 

5. A bala vai sair: Agora, sim, o gatilho é puxado, a perna do chute se projeta para trás para pegar arranque e a articulação do joelho faz uma espécie de ricochete. Esse movimento, impulsionado pela contração dos músculos da coxa, culmina na explosão do pé com a bola;

 

6. Encontro marcado: Esse impacto exige que o tornozelo fique firme com o objetivo de transferir mais energia do corpo para a bola. Quanto maior a superfície de contato do pé com a redonda, maior a chance de acertar a direção, daí por que chutar de peito costuma ser mais efetivo do que de bico.

 

Algunsjogadores fazem história por conseguir pagar na bola de um jeito fora do comum. Cristiano Ronaldo impressiona pela classe, precisão e força dos chutes. Isso porque otimiza todo o eixo do corpo usado no disparo, fazendo inclusive um movimento sutil com o tornozelo, normalmente rígido no exato segundo da batida. O argentino Lionel Messi não costuma fazer a tradicional alavanca, ou seja, ele não joga a perna pra trás para ganhar força no contato com a bola. Isso lhe dá vantagem diante do adversário, que tem menos tempo para tentar roubá-la. Mestres do chute colocado como Marcelinho Carioca, Rogério Ceni e Didi, imprimem efeito de rotação à bola, tornando sua trajetória imprevisível, conhecido como chute folha-seca. Já Rivelino e Nelinho eram craques em pegar a bola com os três dedos da parte externa do pé. Quando bem sucedido, faz a bola rodopiar numa trajetória em curva que ilude o goleiro. Pelé é citado aqui não só pela categoria do chute mas porque sabia bater bem com os dois pés. Coisa de gênio? Sim, sem dúvida, mas o fato é que o rei do futebol treinou muito para obter êxito como ambidestro. Na semana que vem, mais um assunto relacionado ao futebol. Até lá!

Postado: Leila Ruver
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