Leia na íntegra o texto de opinião do Pároco da Igreja Católica de Crissiumal

O tempo passa, calor, frio, ventos e chuvas. Ora tudo renasce, floresce, caem as folhas. Certas plantas até morrem. Até animais hibernam. E o ser humano tudo suporta? Nem todos reagem diante das intempéries da vida.
Tudo isto tem a ver com a nossa vida. No inverno quando esfria é porque esta parte da terra está muito distante do sol. Existem regiões que vivem constantemente distantes do sol, por isso, ali existe pouca vida, existe muito frio, até geleiras. Isto faz parte da natureza. É um frio cortante que penetra. Ali existem poucos seres vivos que sobrevivem.
Frio pior do que nestes pólos é o ser humano viver distante da luz divina. O frio machuca o ser humano. O que dizer de pessoas que vivem longe de Deus, ou vivem frios espiritualmente? Não aquecem a vida espiritual, vivem numa frieza espiritual que assusta, não buscam um calor divino para sua vida. As plantas pela própria natureza se desfazem das folhas, talvez seja esta uma das mais belas lições que a natureza nos dá. È preciso se desfazer do que é apenas exterior, aparência, ou seja, vaidade e buscar a interioridade.
Existem animais que entram em hibernação, que é temporária, sua intensidade vital é diminuída, mas sobrevivem, chegando a primavera se alimentam e buscam energias para se reabastecerem. Como entender pessoas que por meses, anos ou grande parte de suas vidas não se importam com a sua vida espiritual? Não somos como os vegetais ou demais animais, mas, somos seres espirituais. A vida espiritual não alimentada se fragiliza e esmorece.
As diferenças climáticas fazem parte da natureza. Para as plantas é importante a diversidade de calor e frio, chuva e vento, noite e dia. Mas, o ser humano não deve sujeitar a própria vida ao distanciamento de Deus, ora vivendo no calor da intimidade com Deus ora frio e distante de Deus. Certas pessoas, de vez enquanto, precisam de um choque térmico para acordarem e saírem de uma certa hibernação, pois, estão quase só vegetando na vida espiritual. Chamo esta hibernação; tempo de pouca oração, pouca participação na sua Igreja, frieza espiritual, indiferença religiosa, vagando pelo mundo e muitas vezes conforme o mundo.
Assim como na primavera tudo germina, brota e floresce mostrando todo vigor da natureza, também nós nos sentindo filhos de Deus sentimos a necessidade de revigorar a nossa vida espiritual e mostrar que a força e o poder de Deus agem em nós. A planta morta não reage mais apesar da mudança das estações. O ser humano não pode se considerar morto para Deus. Faz parte da vida dos filhos de Deus a sua volta constante para Deus. Esta volta para Deus não pode depender apenas dos acontecimentos, mas deve ser uma constante, não podemos esfriar. Amigo! vamos primaverar a nossa vida espiritual!
Crissiumal, 17/09/14 Pe. Renato José Rohr, scj
Postado: Leila Ruver| Tweet |