Bancada gaúcha vai buscar reunião com ministros da Saúde e da Fazenda
Em uma reunião-almoço de mais de duas horas com o governador José Ivo Sartori, nesta segunda-feira, parte da bancada federal gaúcha tratou de articular soluções para a crise dos hospitais filantrópicos e santas casas do Rio Grande do Sul. Uma das ideias que ganhou força foi a articulação federal para a recriação da CPMF ou pela criação de imposto semelhante que tenha a saúde pública como destino. A reunião ocorreu menos de uma semana após as entidades hospitalares protestarem em frente ao Piratini e alertarem que fecharão leitos se o Estado não pagar os valores em atraso.
Com a propagada crise nas finanças públicas gaúchas e com cenário de cortes que estão sendo definidos em âmbito federal, a alternativa tributária voltou à fala dos deputados federais. Líder da bancada gaúcha na Câmara, Giovani Cherini (PDT), fala que além da pressão sobre a União, a articulação de um imposto ganhou força na reunião.
“O Rio Grande do Sul precisa trabalhar o aumento do teto (de repasses federais). E se falou inclusive em CPMF, que a saúde precisa encontrar formas de financiamento. A ideia do financiamento é de todos hoje. Se for o caso de nós precisarmos, lá na frente, criar um novo imposto, que é extremamente desgastante, mas a saúde justifica”, afirmou Cherini, garantindo que o governador Sartori, que não falou com a imprensa ao final do encontro, também defende a ideia.
As alternativas de tributação com recursos destinados à saúde são muitas. O deputado Henrique Fontana (PT) sugeriu, por exemplo, a criação de uma taxa sobre heranças de grande vulto.
“Podem ser diversas opções. Pode ser constituído um imposto sobre a transferência de grandes heranças. Que é algo que existe na maior parte de países do mundo, pois é um mecanismo justíssimo de distribuição de renda especialmente se ele for voltado para a saúde pública. E o importante é que fique definido desde a fonte que ficará com os três entes federados”, afirmou o deputado, um dos 17 presentes entre os 31 da bancada gaúcha.
Segundo Lasier Martins (PDT), único senador presente no encontro, um dos pontos consensuais entre os parlamentares e o Executivo é aumentar a transparência nas contas dos hospitais filantrópicos e santas casas. A ideia de verificar quais hospitais estão gerindo melhor os recursos repassados pelo Estado recebe apoio do secretário da saúde, João Gabardo.
Considerando o aumento de impostos inviável, o deputado Jerônimo Goergen (PP) sugeriu que o Estado auxilie os hospitais abatendo dívidas das instituições com o Banrisul.
No encontro, ficou definida a busca de uma agenda em Brasília com os ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o da Fazenda, Joaquim Levy, para ampliar em ao menos R$ 20 milhões o repasse mensal. A agenda, com presença do governador Sartori, deve ficar para junho.
Fonte:Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba
Postado: Leila Ruver| Tweet |