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Variedades - 16/11/2023 - Guerra dos sexos: em tempos de calorao, entenda por que a temperatura do ar-condicionado vira motivo de disputa entre homens e mulheres


Segundo endocrinologistas, isso acontece por causa do metabolismo

Com esse calor intenso que temos vivido no país, manter o ar-condicionado ligado é um consenso entre todos. No entanto, a temperatura dele pode não ser. E a ciência explica que a base dessa disputa, comum no ambiente de trabalho, tem a ver com o gênero: mulheres sentem mais frio que os homens.

Segundo endocrinologistas, isso acontece por causa do metabolismo: os homens sentem mais calor em razão da testosterona, presente em maior quantidade no corpo masculino, o que faz com que eles gerem mais energia e, com isso, tenham um corpo mais quente. (Entenda mais abaixo.)

E estudos mostram que a temperatura mais baixa pode interferir no rendimento delas no trabalho.

A onda de calor tem gerado temperaturas extremas, com picos históricos. Nesta quinta-feira (16) Brasília, Goiânia, São Paulo e Vitória podem bater o recorde de calor do ano. Na semana passada, os termômetros na capital paulista chegaram a alcançar 37,8°C. No mesmo dia, a cidade teve um pico de consumo de energia, resultado também do uso de equipamentos de ar-condicionado.

Entenda por que mulher sente mais frio do que homem

Se o ambiente de trabalho tem sido um espaço de discussão sobre o avanço das questões de gênero, a onda de calor pode abrir mais uma: a da temperatura do ar-condicionado.

E a discussão é tão frequente que a ciência já se propôs a analisar o caso e descobriu não só que as mulheres precisavam de um ambiente menos frio, mas que isso também pode interferir no rendimento delas no trabalho:

Estudo publicado na revista Nature Climate Change em 2015, analisou 38 mil respostas sobre a satisfação da temperatura nos escritórios em 168 cidades nos Estados Unidos. As respostas indicaram que a insatisfação com o frio era 1,8 vezes maior entre as mulheres.

A mesma pesquisa ainda descobriu que o frio nos escritórios atrapalhava o rendimento de 42% das mulheres entrevistadas.

Um estudo mais recente, de 2019, liderado por um pesquisador da USC School of Business, de Los Angeles, nos Estados Unidos, analisou a interferência da temperatura do ambiente no desenvolvimento cognitivo de 500 pessoas, entre homens e mulheres. A descoberta foi que as mulheres tinham melhor desempenho quando o ambiente era mais quente, próximo dos 26°C.

A médica endocrinologista Maria Fernanda Barca, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que os homens sentem mais calor que as mulheres por causa da testosterona presente em maior quantidade no corpo masculino, o que faz com que eles produzam mais energia, ficando com um corpo mais quente.

Por essa razão, elas se sentem confortáveis ​​a uma temperatura 2,5ºC mais quente que os homens - ou seja, entre 24 e 25ºC.

Atenção: Apesar de as mulheres sentirem mais frio que homens, isso muda na época da menopausa. Nessa fase, a mulher sente as ondas de calor (fogacho), principalmente, na região da cabeça, pescoço e peito. Isso ocorre mesmo nos ambientes mais frios, mas é importante levar em consideração essa fase da mulher na discussão sobre a temperatura do ar.

Ministério do Trabalho põe regras para o ar condicionado

No Brasil, existe uma norma que regulamenta o ambiente de trabalho, incluindo a temperatura, e que é feita pelo Ministério do Trabalho, do governo federal. Na regra, a temperatura do ar deve ficar entre entre 18°C e 25°C.

Ou seja, pela regra, esse limite é o mais confortável para as mulheres.

O professor de Medicina do Trabalho do Centro Universitário São Camilo João Silvestre da Silva Junior diz que as empresas precisam cumprir a regra estabelecida, mas que a janela entre 18°C e 25°C permite que o número seja definido levando em conta a diversidade de gênero da equipe.

 

Fonte: G1

Postado: Leila Ruver
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