Vilma Scheid, viúva do Ex Prefeito Osvaldo Scheid foi a convidada

Nas aulas de Geografia da professora Marlei Lippert com a turma de alunos do 2º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Rocha Pombo, no andamento dos estudos sobre o crescimento demográfico da população mundial e do Brasil, despertou a curiosidade sobre como era a realidade de Crissiumal e de sua população no início da colonização. Para sanar essa curiosidade foi convidada a senhora Vilma Scheid, 88 anos de idade, esposa do ex prefeito Osvaldo Scheid, para conversar com os alunos.
A senhora Vilma Scheid relatou que veio a Crissiumal, com apenas 15 anos de idade, estudou 04 anos em uma escola particular de língua alemã e 01 ano de português para aprender a se “defender”, vieram devido às propagandas nos jornais, nas “Colônias Velhas” (Lajeado) sobre uma terra muito frutífera, de muito futuro para as crianças. Isso foi uma opção para seu pai que era carpinteiro e queria comprar áreas de terra para todos os seus filhos no futuro.
Vilma chegou aqui e ficou muito decepcionada com o lugar, porque simplesmente não achava graça nenhuma, porque era tudo mato, devia ser construído tudo inclusive sua própria casa. Sentia muita saudade da sua terra natal, Lajeado, mesmo porque lá estava todo povoado com casas prontas e organizadas. Em noites de luar, sentavam fora de casa, em cima dos troncos das árvores e cantavam, era um coral muito bonito formado pelos vizinhos, conversavam bastante pois não havia rádio e nem televisão, por isso as pessoas tinham mais tempo uma para com as outras, e todos se alegravam quando mais uma família chegava, todos a recebiam bem. Existia a escola estadual onde era a antiga padaria do Thomé, havia um professor e mais tarde veio duas professoras, hoje essa escola é a escola Rocha Pombo. No ano de 1941 também foi instalado o colégio particular, também nesse ano houve uma epidemia de Tifo que durou vários anos, tinha apenas um médico e dois curandeiros que faziam a cura com compressas, pois a doença é caracterizada com muita febre. Dona Vilma também esteve infectada e durante 03 semanas ficou enrolada em lençóis molhados, seu pai sofreu e morreu de Tifo, onde muita gente acabou morrendo com essa doença.
Os jovens se encontravam na igreja e nos bailes animados por gaita e violão, usavam a melhor roupa “domingueira”, os casais de namorados sempre saíam acompanhados. Quando os jovens se casavam, geralmente antes do 20 anos, o enxoval consistia em pouquíssimas coisas exemplo: mesa, cadeira ou banco, cama de casal com colchão de palha de milho, cobertas de penas de pato, fogão de chapa, alguns pratos, talheres, panelas e bacias.
Não havia cristaleiras, armários ou roupeiros, colocava-se as roupas penduradas em pregos ou arames e na cozinha pregavam-se tábuas para colocar as coisas.
Era proibido controlar a natalidade, os filhos que nasciam os pais tinham que aceitar, era a natureza que mandava, era comum se ter um filho a cada ano ou no máximo de dois em dois anos. O parto era realizado em casa com ajuda de uma parteira. Como a gravidez era coisa escondida, os filhos iam dormir na casa de amigos e vizinhos. Quando voltavam para casa o novo membro da família já estava lá.
Para plantar precisavam derrubar o mato e fazer as roças, plantavam feijão, batatinha, e outras coisas para se alimentar, algumas sementes utilizadas tinham trazido junto de Lajeado e outras ganhavam dos vizinhos, também plantavam o fumo que era para vender. O pai de Vilma como era construtor, ficava quase que totalmente envolvido no trabalho de construção, os moradores da vila não deixavam ele trabalhar na roça porque a cidade precisava ser construída.
Não existia calçados, era de pés descalços mesmo, precisava ter muito cuidado para caminhar por causa dos toquinhos nas picadas abertas nas matas.
Em 1944 depois de casada foi morar em Linha Principal, em 1948 vieram morar para a vila e Pedro Osvaldo Scheid seu marido começa a trabalhar na Cooperativa Cotrimaio, em 1975 ele torna-se Prefeito de Crissiumal.
Dona Vilma passou por muitas dificuldades que lhe fortaleceram e que ajudaram ela a ver a vida com outros olhos, tem saudades de muitas coisas, mas por outro lado se alegra em ver as mudanças e o progresso de Crissiumal. Hoje se preocupa muito com seus bisnetos que segundo ela vivem num mar de rosas e possuem de tudo, os pais costumam dar de tudo e os jovens não passam por nenhuma dificuldade, preocupa a ela os jovens não passarem por essas dificuldades maiores e saberão eles enfrentar os problemas no futuro?
Dona Vilma ressaltou aos alunos durante a entrevista na sala de aula, a importância de trabalhar bastante, “trabalho e estudo caminham juntos” enfatizou ela, que devem agradecer a vida “leve” que possuem e fazer de tudo para que essa vida boa possa continuar para as gerações futuras.

Querida dona Vilma nós simplesmente adoramos conversar com a senhora que trouxe para nós uma experiência de vida muito grandiosa que só nos faz entender a luta, o trabalho e o esforço que a sua geração fez para estarmos bem hoje, ouvir as suas narrativas foi algo inesquecível, esse comparativo do ontem e do hoje é incrível e concluímos que esses calos que fizestes em vossas mãos foi para termos tudo que temos hoje, pois agora é tudo mais fácil e rápido, a tecnologia evoluiu muito rapidamente. Muito obrigado por ter aceito nosso convite e por tudo que fez pelo nosso município e pela nossa gente.
Professora: Marlei Lippert
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