Por professor Gilberto Frederico Janke

No atual contexto educacional, o professor assume importante função perante a questão das relações étnico-raciais. Além da função mediadora no processo ensino-aprendizagem, atua como agente social formador de opinião, uma vez que interage com membros oriundos de diferentes contextos sociais. Enquanto mediador do processo educativo e agente formador de opinião, o professor precisa atuar na promoção da educação multicultural e inclusiva, desenvolvendo uma prática pedagógica multicultural, transformando a escola em um espaço de crítica intercultural.
A educação multicultural e inclusiva é uma educação para todos, voltada para a valorização da diversidade étnica, social e cultural existente na sociedade. No contexto escolar, a ação do professor para caminhar em direção a uma educação multicultural, que promova o combate a qualquer forma de discriminação ou preconceito, precisa ter como ponto de partida o reconhecimento da existência dessa problemática, não silenciá-la, mas sim, promover ações e intervenções pedagógicas que levam o aluno à reflexão sobre ela. Uma ação docente multiculturalmente orientada, que enfrente os desafios provocados pela diversidade cultural na sociedade e nas salas de aula, requer do professor uma postura que supere o daltonismo cultural presente na sociedade, responsável pela desconsideração da diversidade de culturas com que se precisa trabalhar. A educação multicultural requer que a ação docente esteja embasada em uma perspectiva que valorize e leve em conta a riqueza decorrente da existência de diferentes culturas no espaço escolar, oriundas de diferentes contextos sociais.
A promoção de uma educação para todos no contexto escolar, exige do professor a prática pedagógica multicultural, que considera e valoriza todas as manifestações culturais e, consequentemente, todos os sujeitos que produzem e reproduzem estas manifestações no contexto escolar e social. As práticas educativas relacionadas às questões étnico-raciais devem conduzir o aluno a reflexão e valorização da diversidade existente em sala de aula. Os alunos precisam construir a compreensão de que fato de aceitar e valorizar o diferente, não se trata de substituir um conhecimento por outro, mas sim de compreender as conexões existentes entre as culturas, das relações de poder envolvidas na hierarquização das diferentes manifestações culturais.
Com esta postura o professor contribuirá positivamente para transformar a escola em um espaço de crítica intercultural, pois além de trabalhar os conteúdos usuais do currículo, o professor estará incluindo a crítica dos diferentes artefatos culturais que circundam os alunos. Por isso, a escola em sua proposta curricular e, consequentemente, o professor em sua ação docente, precisam considerar e abrir espaço para a pluralidade cultural, garantindo a centralidade da cultura nas práticas pedagógicas. Tanto as manifestações hegemônicas como as subordinadas precisam integrar o currículo, devendo ser confrontadas, desafiadas e acima de tudo valorizadas.
Portanto, a construção de uma educação para todos, mais humana, justa e fraterna, sem discriminação e preconceito étnico, cultural e social, requer do professor o rompimento com a educação monocultural, que por muitas décadas esteve enraizada na educação escolar. Este rompimento deve promover a construção de uma sociedade e de uma educação verdadeiramente democráticas, construídas na articulação entre igualdade e diferença, na perspectiva do multiculturalismo emancipatório. A educação para todos exige do professor a releitura da própria visão de educação, sendo indispensável o desenvolvimento de um novo olhar, uma nova ótica e uma sensibilidade diferente.
Gilberto Frederico Janke
Graduado em Pedagogia
Pós-graduado em Gestão, Orientação e Coordenação Escolar
Postado: Clecio Marcos Bender Ruver| Tweet |