Exercite-se parado
Os treinos isométricos invadiram as academias com a promessa de conferir força muscular sem a necessidade de milhares de repetições. Mas afinal, o que são, o que fazem pelo corpo e como tirar o melhor proveito dos exercícios isométricos?
Aplicados a uma sala de ginástica, os exercícios isométricos designam um conjunto de práticas que, em comum, não alteram o comprimento dos músculos, ou seja, trabalhar alguns músculos sem precisar se mexer. No Brasil a técnica se popularizou com o pilates e treinos montados em academia. O exercício mais icônico por aqui é a prancha. É um exercício clássico para fortalecer os músculos profundos do abdômen, basta se posicionar como se fosse fazer flexão de braços e se manter ali com os braços estendidos e na direção dos ombros. É tão potente que, enquanto movimentos tradicionais usam até 50% da capacidade de ativação do tônus muscular na região abdominal, ela demanda quase 100%. Os músculos do abdômen são estabilizadores, e a prancha é uma posição instável. Assim, exige uma carga de trabalho muito maior que os exercícios isotônicos, aqueles mais tradicionais e que se valem de movimentos.
Outra vantagem dos exercícios isométricos é que não dependem exclusivamente de aparelhos de ginástica. Dá pra montar treinos eficazes só usando o peso do corpo. Na sala de ginástica, por sua vez, dá pra recrutar as mais diversas máquinas e halteres para trabalhar a isometria. Basta manter a contração indicada. Mais que versatilidade, a isometria arrecada fãs pelo seu potencial de incrementar a saúde. Em uma pesquisa recente na Dinamarca, descobriu-se que a tonificação muscular está associada a um menor risco de doenças cardiovasculares. O motivo seria que, quando regulares, tais exercícios auxiliam a diminuir a gordura abdominal e a controlar as taxas de colesterol e triglicérides no sangue.
Algumas pessoas tiram um particular proveito dos exercícios estáticos: aquelas que possuem limitações para se movimentar. É o caso de quem tem artrose ou artrite. Além de evitar o atrito e conferir estabilidade às juntas, a isometria ajuda a reduzir a dor em indivíduos com esses problemas nas articulações. Aliás, gente acima do peso é outra turma que se beneficia das atividades com isometria, especialmente quando está largando a vida sedentária, pois é preciso fazer uma reabilitação com o paciente antes que ele inicie as séries aeróbicas.. Por isso, tem-se de trabalhar sua força muscular.
Na contramão, existem aquelas pessoas, inclusive com quilos extras, que devem ter cautela ante esse tipo de exercício. Para algumas, é bom que se diga, ele até é contraindicado. Entram no grupo os hipertensos e portadores de problemas no coração. O retorno do sangue venoso é dificultado pela falta do fluxo de contração e relaxamento, situação que se torna ameaçadora. A tensão estática prolongada pode até mesmo levar a picos de pressão. Crianças e adolescentes, gestantes, fumantes e idosos também têm restrições aos exercícios isométricos. Independente da finalidade do treino de isometria, os especialistas reforçam a necessidade de buscar orientação profissional antes e durante os exercícios. Isso não só ajuda a distinguir prós e contras dadas as condições de saúde como serve de guia para trabalhar músculos que realmente respondem ao estímulo parado. Enquanto o abdômen sai fortalecido de uma prancha, os bíceps são mais bem requisitados com exercícios dinâmicos. Mesclar as modalidades, manter a posição e o tempo adequados, respeitar os limites do corpo. Desse jeito vale a pena suar parado.

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