Texto e fotos dos professores Evanir Quanz Kraemer e Ricardo Arndt

A semana anterior foi marcada por uma data muito especial: O Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho. Uma data importante não só para ambientalistas, mas para toda a população do Planeta, visto que a Terra é nossa casa e o que acontece em um determinado local do afeta direta ou indiretamente os demais.

Uma questão marcante desta data é o fato de que em diversas escolas se dá uma ênfase ainda maior a reflexão a temas que dizem respeito a questão ambiental. E na Escola Municipal de Ensino Fundamental Riachuelo não foi diferente. Diversas turmas, desde a Educação Infantil até o 9º ano abordaram questões sobre esta temática.
Para tal, pretende-se aqui relatar a abordagem da turma do 9º ano desta escola que, nas aulas de Geografia intensificou seus estudos (durante o mês de maio, culminando no dia 6 de junho) numa questão muito presente em nossa localidade – a questão dos agrotóxicos. Para tal foi realizado um amplo debate sobre a realidade brasileira e regional no que diz respeito a produção de alimentos e como esta é realizada, em seguida os estudantes foram divididos em grupos para pesquisarem temas como: alimentos que mais contém agrotóxicos, principais produtos agrícolas produzidos no Brasil e em nossa região, agrotóxicos mais utilizados na agricultura regional, relação entre câncer a agrotóxicos (visto que diversas pesquisas relacionam os altos índices de câncer em nossa região ao intenso uso de agrotóxicos) efeitos a saúde de certos tipos de agrotóxicos encontrados em alguns alimentos, produção orgânica brasileira e regional e finalmente as possíveis soluções para amenizar os efeitos dos agrotóxicos tanto para agricultores que os manejam como para consumidores.
Concluída a pesquisa, esta foi apresentada para os demais colegas e, após amplas discussões os alunos assistiram o documentário “O veneno está na mesa” – documentário este que também está sendo trabalhado pela Secretaria Municipal de Educação com as coordenações das escolas e através destas com os demais professores das escolas municipais. O objetivo é concluir a atividade com uma palestra sobre agricultura orgânica e uso/manejo adequado dos agrotóxicos, visto que os alunos são filhos de agricultores e convivem com tal realidade.

Até o momento foi possível perceber a importância/necessidade de abordar tal temática em sala de aula. Não só como mero conteúdo de aula, mas como lição para a vida. Nas discussões realizadas durante a atividade os estudantes demonstraram que apesar dos agrotóxicos fazerem parte do nosso dia-a-dia tem ciência de que um modo de vida diferente é necessário e possível, como mencionado em algumas frases citadas pelos mesmos – “muitos são inocentes, pois pensam que estão ingerindo alimentos saudáveis, mas não tem ideia de quanto agrotóxico os mesmos contêm” (Amanda, Eduarda e Beatriz); “A saúde começa na horta” e “existem meios mais saudáveis de cultivar”(Rian e Isadora); “ Se tiver que ser feito o uso de agrotóxicos, que este ocorra de forma correta” (Gian e Mateus); “Dentre diversos males trazidos pelos agrotóxicos, um deles possivelmente é o câncer” (Ezequiel e Grabriel); “A humanidade deve repensar seus anseios pelo lucro cada vez maior e mais rápido, pois num passado não tão distante vivíamos sem os agrotóxicos”(Kamila e Tauny).
Dessa forma vale ressaltar que apesar de nossa realidade regional a atividade agrícola estar fortemente vinculada a produção/consumo com a presença de agrotóxicos, esta não é exatamente a mesma realidade em diversas partes da nossa própria região, Brasil e do mundo. Diversos exemplos demonstram a existência de horticultura, fruticultura, produção de grãos e outros cultivos feitos sem o uso de veneno. Os hábitos de consumo, as pesquisas e os consequentes avanços tecnológicos nos dão indícios que a procura por um modo de vida cada mais sustentável e saudável tem tido um crescimento. Apesar dos agrotóxicos ainda fazerem parte do nosso dia-a-dia, a diferença é que agora tem-se consciência, na maioria dos casos dos malefícios dos mesmos. Se ainda temos que conviver com eles é fato que os agentes ligados a produção de alimentos com seu uso já tomam muito mais cuidado que em outros tempos e os consumidores aos poucos vão direcionando a demanda para outros rumos. E nesse processo todo cabe a Escola, formadora da sociedade do presente e do futuro, proporcionar a busca das informações, discussões e debates, em prol da formação do pensamento crítico e do conhecimento para a construção de uma sociedade cada vez melhor.

Texto/fotos: Prof. Evanir Quanz Kraemer e Ricardo Arndt
Postado: Leila Ruver
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