Notícia

Vera Academia - 11/07/2014 - Coluna Vera Academia do dia 11072014


A evolução do corpo dos jogadores na história

 

Quando a preparação física entrou para valer em campo, na década de 1950, o futebol começou a mudar. Conheça as diferenças entre os atletas de hoje e do passado, e o impacto disso no esporte mais querido do Brasil.

 

O boleiro das antigas

 

Antes da Copa de 1954, quase todos os treinos simulavam situações reais de uma partida. Com isso, só a musculatura dos membros inferiores se desenvolvia de fato. Os jogos mais lentos exigiam menos do sistema cardiovascular do que hoje. No sangue, isso se refletia em menor número de hemácias, células que transportam o oxigênio dos pulmões para os músculos. Sem preparadores e nutricionistas para pegar no pé, os futebolistas tinham um dia a dia bem menos regrado. Claro que nenhum profissional era obeso, mas seus adipócitos, células que estocam gordura, eram mais inflados. Os músculos possuem, entre outras fibras, as do tipo 1, resistentes e avermelhadas, e as do tipo 2B, potentes e branquinhas. Como as partidas de antes tinham menos piques, as 2B não eram tão desenvolvidas. O jogador de futebol da época, tinha, em média, 1,77 m de altura, percorria uma distância de 6 a 7 km em uma partida de futebol, e exercia de 500 a 600 ações (saltar, mudar de direção, chutar...) no final da década de 1990. Pelé não ganhou o título de rei do futebol só pelo talento incomparável. Seu esforço para extrair o máximo do próprio corpo também sobressaia. E o craque parecia mesmo correr mais do que a maioria dos seus companheiros.

 

O superatleta de hoje

 

Ombros, braços e peitoral vigorosos aumentam as chances de ganhar disputas de bola. Clubes e seleções notaram isso e, aí, incluíram exercícios de força nos treinamentos. Aos poucos, o futebol virou um esporte de muito contato físico. E é só parar por um instante que o jogador toma bronca. De modo a suportar esse ritmo, o corpo precisa de pulmões com alta capacidade para captar oxigênio e um coração forte, que bombeie sangue aos músculos eficientemente. Carregar peso morto quase sempre implica em perder a corrida para o adversário. Os atletas têm pouca banha nos adipócitos. Eles apresentam, em média, 11% de gordura corporal. E são monitorados para não superar muito esse valor. Para não ficar para trás, os esportistas cumprem treinos com o objetivo de fortalecer fibras do tipo 2B, ganhando maior aceleração. E, como elas crescem mais do que as do tipo 1, deixam as pernas bombadas. Atualmente, um jogador tem uma altura média de 1,80 m, corre em uma partida, em média, 12 km, e as ações em um jogo podem chegar a 1000. Que nos perdoem os pernas de pau, mas talento foi, e sempre será fundamental. Embora hoje os profissionais sejam, em média, mais altos e fortes, o futebol está cheio de exceções que mostram como dentro do campo há espaço para vários biótipos diferentes. Lionel Messi, do topo de seu 1,69 metro, é só um exemplo.

 

A vestimenta usada nos campos também evoluiu bastante. Nos anos de 1950, a camisa era de algodão. Hoje, o tecido da camisa e do calção é dryfit, que facilita a evaporação do suor, resfriando o corpo e deixando a camisa e o calção levinhos. A caneleira, ou era dura demais ou não protegia direito. Já os materiais modernos aliam flexibilidade com resistência. A chuteira de couro chegou a pesar quase 1 quilo. Agora certos modelos têm só 200 gramas. E são individualizados segundo a forma com que cada jogador chuta.

Postado: Leila Ruver
Vídeos