Número foi apresentado pela Comissão Intervencionista que está administrando a instituição
Comissão Intervencionista Provisória que foi nomeada para administrar o Hospital de Caridade (HC), de Três Passos, apresentou em entrevista coletiva as primeiras informações sobre o início dos trabalhos. O encontro com a imprensa regional ocorreu na manhã desta sexta-feira, 11, no auditório do hospital. Os membros prestaram esclarecimentos em relação aos fatos ocorridos durante a gestão anterior e sobre as ações que estão sendo tomadas para manter o hospital em pleno funcionamento. Estima-se que as irregularidades começaram a ser arquitetadas em 2006. Durante o evento também foi apresentada a nova administradora do HC, Leila Klein Bender. Ela, que há 20 anos trabalha na casa de saúde, foi escolhida pelos membros da comissão.
A Comissão Intervencionista é composta por Edemar Niedermeier (Indicação Procuradoria Geral do Município); Dalmiro Volnei Silva (Indicação do Gabinete do Prefeito); Marlise C. S. Senger (Indicação da Secretaria Municipal de Finanças); Flávio Habitzroiter (Indicação Secretaria Municipal de Saúde); Leila Klein Bender e Rosangela Andréia Pinheiro (Indicação do corpo de funcionários do hospital), e Lauro Erni Borth e Silvio da Silva Neto (Indicação do Corpo Clínico do hospital).
Confira a seguir informações prestadas pelos integrantes do grupo que comandará as ações administrativas do HC:
DÍVIDAS: o cálculo feito pela comissão aponta que o total chega a R$ 15 milhões. Este volume refere-se a empréstimos bancários, compromissos com fornecedores, obrigações trabalhistas, entre outros. Somente para a RGE, o HC deve R$ 825 mil. Para a Corsan, são mais R$ 300 mil. Com o FGTS, a dívida chega a quase R$ 200 mil. A instituição teve exatos 833 títulos protestados.
DÉFICIT: o rombo nas finanças atinge um déficit mensal de aproximadamente R$ 80 mil.
EMPRESTIMOS: nos últimos anos o HC fez quatro empréstimos para cobrir o déficit de operacionalização. O valor total chega a R$ 2,5 milhões. Para pagar as prestações, o comprometimento mensal da receita chega a 10%. São cerca de R$ 60 mil todos os meses. Este mecanismo era utilizado pela direção como saída para manter o hospital funcionando. Um novo empréstimo já estava sendo encaminhado pelo presidente destituído.
EQUALIZAÇÃO FINANCEIRA: para enfrentar o rombo, duas medidas básicas estão sendo tomadas. A primeira visa buscar a ampliação de repasses institucionais e a segunda é reduzir as despesas de operacionalização do hospital. Faz parte também a redução do quadro de funcionários. Além do afastamento do ex-administrador (Jeferson Oliveira), mais cinco servidores foram demitidos. A nova direção garante que a decisão é exclusivamente para diminuir as despesas, e que os funcionários demitidos não qualquer envolvimento com as irregularidades. O quadro atual é composto por 196 colaboradores, e a princípio, não ocorrerá novo enxugamento do quadro.
QUALIDADE DOS SERVIÇOS: por se tratar de servidores de áreas administrativas, a Comissão Intervencionista garante que os atendimentos aos usuários do hospital não serão afetados.
PROCESSO NA JUSTIÇA: as investigações prosseguirão a cargo do Ministério Público. A Comissão Intervencionista pretende "abrir as contas do hospital", permitir o acesso a todas as informações necessárias para o andamento do processo. Uma auditoria financeira será realizada, inclusive com possibilidade de participação do Tribunal de Contas. Como a justiça indisponibilizou os bens dos dois principais suspeitos de envolvimento nos desvios (o ex-presidente Armindo Leonhardt e o ex-administrador Amarildo Dall Ago), a instituição pretende, após a conclusão do processo, buscar na justiça o direto de reaver valores subtraídos.
Fonte: Rádio Alto Uruguai
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