Estique suas pernas...e sua vida
Passar tempo demais sentado ameaça a saúde de quem faz exercícios. Saiba por que a ciência está redefinindo o conceito de sedentarismo e como isso vai influenciar sua rotina. Quem fica sentado o dia inteiro tende a levar um cotidiano pouco saudável, pois muita gente gasta horas no sofá vendo televisão. Acontece que as propagandas e a programação às vezes incitam atitudes como se encher de fast-food. Além disso, à noite, o tempo despendido para mexer nos aparelhos eletrônicos deixa as pessoas ligadas e menos propensas a dormir o suficiente. Para piorar, enquanto estamos distraídos em frente a uma tela, costumamos comer mais guloseimas, e esse hábito colabora para a obesidade. O corpo pode até parecer relaxado em uma poltrona, mas acredite, ele sofre. O assunto é polêmico, mas parece que permanecer muito tempo sentado eleva os níveis de gordura no sangue, patrocinando os infartos. Quando sentamos, todo o peso da cabeça, do tronco e dos braços é sustentado pela coluna. Isso, claro, gera incômodos, principalmente na região lombar. A movimentação, em especial nas duas primeiras décadas da vida, estimula o fortalecimento dos ossos. Sem agito, eles se tronam frágeis.
Existem várias especulações entre especialistas que tentam elucidar o elo entre tempo demais na cadeira e um maior risco de morte. O fato é que se manter levantado torra mais calorias do que usar as nádegas de apoio. O gasto energético dobra ao trocar a segunda posição pela primeira. Pode parecer exagero, mas ao longo do tempo, pequenos e constantes acréscimos no gasto calórico dificultam o aparecimento da obesidade e doenças crônicas. Percebe-se que a taxa de mortalidade aumenta em quem supera a faixa de quatro horas por dia sentado, mas ela cresce especialmente nos que excedem o limite de oito horas. Agora, mais importante do que se fixar nesses números, ainda sob o julgamento da ciência, é olhar para a própria rotina e, a partir daí, reduzir ao máximo o comportamento sedentário. Recomenda-se também quebrar longos períodos em cima da cadeira com curtos momentos de movimentação. Essas interrupções estão associadas a menores níveis de triglicérides e circunferência abdominal reduzida. Sim, ir tomar um copo de água ou só esticar as pernas já oferece vantagens.
Controlar o tempo sentado não isenta ninguém de fazer exercícios físicos, aquela recomendação de ao menos 150 minutos de práticas moderadas por semana continuam valendo. Elas promovem adaptações positivas no organismo que o simples ato de se erguer do assento não trará. Além disso, indivíduos que incluem tais atividades na agenda tendem a ficar um menor número de horas encostados no sofá. É até óbvio: em vez de ligar a televisão, se estará correndo, pedalando, jogando bola... Há ainda uma maior predisposição nas pessoas fisicamente ativas a se alimentar adequadamente, dormir bem e largar o tabagismo. Em suma, um hábito positivo favorece a adoção de outro. E o primeiro deles, olha que é fácil, pode ser se levantar da cadeira.
Outra forma de combater o sedentarismo é, como cidadão e eleitor, pressionar os governantes para que tornem os municípios mais amigáveis às atividades físicas em geral. Eles precisam torna-las viáveis a todos. Para isso, devem criar e preservar parques, melhorar a iluminação e a qualidade das calçadas, desenvolver ciclovias e oferecer segurança à população. A partir daí, fica mais fácil se deslocar pela cidade sem um carro e aproveitar o tempo fora do trabalho com práticas ao ar livre.

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