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Agricultura - 08/06/2015 - Crissiumalense aposta no cultivo da erva-mate


Maurício Mallmann está investindo em uma cultura perene

Por Vanessa Massmann, do Jornal Colonial

 

Em Crissiumal, a geração de renda de pequenos agricultores caminha lado a lado com o resgate do valor cultural.Alguns tem unido as duas bases e apostado na produção da erva-mate. Esse é o exemplo do crissiumalense, Maurício Ritter Mallmann, 47 anos, que há 28 anos reside em Curitiba. Atuando como Relações Institucionais e Coordenador Técnico de Cursos de Pós-graduação, ele tem a ideia de um dia voltar a morar no município, por isso, passou a investir na erva-mate. 

 

Visitando a cidade no mês de maio, Maurício deu início à produção. O JC aproveitou para conversar com ele e saber um pouco mais sobre os seus objetivos e o interesse na cultura. Confira a entrevista na íntegra:

 

JC - Como surgiu a ideia de investir na produção de erva-mate?

Maurício -Em Crissiumal observa-se uma crescente atividade de silvicultura, sobretudo na plantação de eucaliptos. Talvez, para quem é de fora, isso se torne mais evidente. Acredito que um dos fatores para tal, seja o fato de que há mais propriedades rurais disponíveis em razão da migração dos proprietários para a cidade, quando os filhos já haviam “abandonado o ninho”, buscando oportunidades em outras atividades, portanto, sem mais ninguém para “tocar” a atividade. Assim, acredito que, pelo fato da erva-mate ser uma cultura perene, que permite um cultivo e produção constante, seja uma boa alternativa. 

 

JC - Com qual objetivo iniciou a produção de erva-mate?

Maurício -Um dos motivos é o fato de que a área de terra de cultivo não pode ser mecanizável e estava ociosa, apenas com pastagem perene, mas sem uso. Portanto, aproveitamento do terreno.Um outro fator, são os novos entrantes no mercado. Grandes indústrias, como a Coca-Cola estão comprando outras fábricas de sucos e chás, como aconteceu com uma das fábricas mais tradicionais do Paraná, a Matte Leão (Leão Júnior S.A.). Certamente este foi um dos aspectos para a elevação dos preços da erva-mate ao consumidor. Dessa forma, há um mercado maior para a produção.

 

JC - Onde buscou apoio técnico?

Maurício -Pesquisei bastante na internet, com destaque em sites de produtores de mudas de erva-mate. Também com apoio da EMATER, sobretudo para a questão técnica de análise de solos. Ainda estou estudando sobre o cultivo e a produção.

 

JC - Como iniciou a produção?

Maurício -De momento foi concluída a fase de plantio. Aqui preciso deixar público os meus agradecimentos ao meu cunhado Ilceu Ferraz, pelo transporte das mudas, e aos meus irmãos Arno, Maria Inez e Paulo, pelo auxílio em preparar a área para o plantio. Sozinho eu não teria dado conta. Como estou distante de Crissiumal, conto com eles para dar uma atenção nesta fase inicial do plantio, no sentido de cuidar para que as mudas superem eventuais ataques de pragas e a concorrência com o capim.

 

JC - Que planos tem para a produção futura de erva-mate?

Maurício -Tudo depende das expectativas com esta primeira experiência, já que foram plantadas 300 mudas. Vamos analisar o desenvolvimento e a capacidade de produção desta área. A venda da produção, em princípio, será feita para as ervateiras da região. Além da erva-mate, eu e minha esposa temos outros planos, os quais precisam de um estudo mais aprofundado.

 

JC - Por que escolheu produzir em Crissiumal?

Maurício -Por motivos sentimentais e práticos. Gosto muito de Crissiumal. Há mais de trinta anos que estou fora, mas tenho a intenção de regressar. A vida na cidade grande é mais estressante. Os motivos práticos devem-se ao fato de ter adquirido a área de herança e o aproveitamento do terreno. 

 

JC - O que a produção de erva-mate requer do agricultor?

Maurício -Tenho uma filosofia pessoal de que quando você se dedica a fazer alguma coisa, a gente deve procurar fazê-la bem feita. Os resultados são proporcionais à dedicação empenhada. Portanto acredito que além das questões técnicas, o capricho é fundamental.

 

JC - O preço pago ao produtor te agrada?

Maurício -Como qualquer commodity, o preço está sujeito a variação constante. Lógico que o valor pago, quanto maior melhor. No caso, confesso que ainda não é e nem deve ser a preocupação principal, pois, sendo o preço incerto e variável, penso que ninguém produziria milho, soja e trigo (apesar de algumas políticas que garantem condições de produção), se apenas considerarmos o retorno financeiro.Com os novos entrantes no mercado, em Curitiba, um quilo de erva-mate de boa qualidade que custava em torno de R$ 10,00 já superou os R$ 20,00. E a redução de preços está sendo muito pequena. Um pacote de mate solúvel de 250 gramas custa mais de R$ 30,00. Se isso representa um problema para o consumidor, de certo modo pode beneficiar o produtor.No momento para mim, o mais importante é buscar novas alternativas e inovar. A inovação faz a sociedade evoluir. Também é importante considerar que, como sou assalariado, esta cultura pode gerar uma renda extra em determinados períodos. Imaginemos que seja um investimento para médio/longo prazo. Isso tranquiliza, certo?

 

JC - Acha que o mercado é próspero? Por quê?

Maurício -Sim, acredito que as alternativas de mercado sejam boas. Conforme expliquei anteriormente, com grandes organizações entrando no mercado, as perspectivas são promissoras. Também há um grande consumo de mate solúvel. A indústria de cosméticos aproveita a erva-mate em alguns produtos.  Inclusive micro cervejarias usam como matéria prima para produção de cervejas. As chamadas cervejas gourmet. Atualmente o uso da erva-mate vai além do tradicional chimarrão e tereré. 

Fonte / Foto: Jornal Colonial

 

 

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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