Evento contou com presença de especialistas que trabalham com os fenômenos

Professor na UFSM, Vagner Anabor, foi um dos palestrantes
Foto : Alina Souza
Os impactos e as estratégias para preparação de tempestades severas no Rio Grande do Sul foram discutidos por especialistas que trabalham com esses fenômenos diariamente em um painel nesta quarta-feira, parte do evento “Tempo severo no Rio Grande do Sul: impactos e caminhos para soluções”, promovido pelo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Plano Rio Grande (CCARC), no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), em Porto Alegre. O evento buscou discutir os impactos e debater estratégias de enfrentamento de eventos climáticos extremos no Estado.
Professor na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maurício Ilha de Oliveira tratou de fenômenos de tempo severo, como tornados, microexplosões e granizo, que o Rio Grande do Sul é uma das regiões com maior frequência de ocorrência, além da enchente que castigou diversas cidades há dois anos. “A gente tem essa percepção de que anos de El Niño tendem a ter uma maior disponibilidade de condições disponíveis para tempestades. Isso inclui condições para enchentes, granizo, vendavais e tornados”, complementa.
Também docente na UFSM, Vagner Anabor buscou trazer uma ótica diferente sobre os desastres que afetam o Estado, que é assolado pelos fenômenos meteorológicos, apresentando novas técnicas de treinamento para capacitação futura de agentes. "Somos a região de maior intensidade e frequência desses fenômenos na América do Sul e a segunda região com maior intensidade de fenômenos de tempo severo no mundo. Essa ideia de que esses fenômenos são raros e isolados não é uma ideia válida do ponto de vista científico", explica. O professor acrescenta que o Estado tem uma área de alta incidência de fenômenos de maior escala, como ciclones extratropicais, que causam danos significativos, envolvendo infraestrutura, rede elétrica, saúde e agricultura.
Anabor destaca que os meteorologistas precisam receber treinamento para utilização de ferramentas modernas, como radares meteorológicos, análise em tempo real das estações meteorológicas e sistema de radiossondagem, além do monitoramento associado à previsão numérica de alta resolução. "São um conjunto de ferramentas que exige os melhores dos melhores para que se essas tarefas sejam bem feitas. A gente quer ofertar essa possibilidade e, além disso, treinar agentes públicos, conscientizar as secretarias e os gestores de que esses fenômenos são importantes, e também ofertar cursos de treinamento para a utilização dessas informações meteorológicas pelos órgãos de maneira eficiente".
O meteorologista da UFSM, Murilo Machado Lopes, tratou de iniciativas desenvolvidas na universidade, como a Rede Voluntária de Observadores de Tempestades, e de pesquisas de campo que visitam locais atingidos por tempestades, visando caracterizar o fenômeno que causou o evento e a sua intensidade. "A gente tem esse viés de documentação e de entender como esse fenômeno se comporta no Rio Grande do Sul, porque isso tem um reflexo bastante importante na melhoria da previsão do tempo e também na estruturação do Estado para resiliência a esses eventos", explica. O trabalho voluntário busca treinar a sociedade civil para estarem preparadas a antever um risco de tempestade, para saberem quais fontes buscar e até mesmo na observação de uma nuvem.
Joel Goldenfum, secretário-executivo do Comitê Científico do RS, destacou a importância do evento para que sirva como lembrete da tragédia que ocorreu. "Esse evento tem esse caráter fazendo parte da Semana Estadual de Prevenção de Desastres Socioambientais e, de certa forma, comemorando o início do Plano Rio Grande. Mas o importante, entre outras coisas, é a lembrança. Nós não podemos esquecer. Em parte, o que aconteceu se deveu ao fato de que o evento de 1941, aos poucos, foi-se apagando da memória e a gente não pode jamais apagar da memória. Nós temos que lembrar".
Fonte: Correio do Povo
Postado: Clecio Marcos Bender Ruver| Tweet |