Notícia

Geral - 05/05/2020 - Guia Crissiumal entrevistou o caminhoneiro crissiumalense Fernando Webers que está em viagem desde o dia 12 de março por países da América do Sul


Webers fala das medidas contra o coronavírus nos outros países

Não há dúvida de que os caminhoneiros têm uma importância vital para o funcionamento do país. Enquanto responsáveis pelo transporte de praticamente todos os tipos de cargas (mercadorias, combustíveis, alimentos etc.) que abastecem o comércio e suprem as necessidades da sociedade, esses motoristas que escolheram guiar um caminhão como ofício têm um papel verdadeiramente estratégico na movimentação da nossa economia.

Essa relevância foi potencializada desde que a crise do novo coronavírus recaiu sobre a nação, pois, enquanto a maioria da população foi orientada a se posicionar em isolamento social, os caminhoneiros, por sua vez – a exemplo de outros profissionais, como os das áreas de saúde e segurança, que também não pararam –, continuaram nas estradas, comprometidos com o seu dever, ainda que longe das suas famílias e se expondo a riscos.

No início dessa semana, o Guia Crissiumal entrevistou o caminhoneiro crissiumalense Fernando Ellwanger Webers, filho de Valmir e Clarice Webers e que está na estrada, em viagem internacional desde o dia 12 de março, realizando o transporte de alimentos nos países do Mercosul, com 18 mil quilômetros percorridos e 120 toneladas de alimentos transportadas.

Correndo os riscos da estrada, em contrapartida o caminhoneiro pode desfrutar de paisagens deslumbrantes, como mostram as fotos enviadas à redação do Guia Crissiumal, as quais postamos em nossa página no facebook, que podem ser conferidas clicando aqui.

Uspallata, Argentina

São fotos de locais incríveis entre a Argentina e o Chile, leia abaixo a entrevista:

Guia Crissiumal – Sua identificação?

Fernando – Sou Fernando Ellwanger Webers, natural de Crissiumal e atualmente residindo em São Borja. 

Guia Crissiumal - A quanto tempo é caminhoneiro, um pouco de sua trajetória?

Fernando - A 4 anos desempenho a função de motorista carreteiro no Mercosul. Comecei na empresa ABC transportes levado de São Bernardo do Campo, cavalinho scania, e Curitiba da volvo para os países: Argentina, Chile e Peru. Depois trabalhei por 2 anos na Letsara transportes de Ijuí, transportando produtos perigosos e autopeças para Argentina,  Chile,  Uruguai,  Paraguai e Brasil. Atualmente trabalho a 1 ano na Transportes Brilhante de Foz do Iguaçu,  transportando alimentos resfriados.

Guia Crissiumal - Aproveitando o momento, quais as maiores dificuldades encontradas com a pandemia?

Fernando - Com o início da pandemia e isolamento social para conter o avanço do vírus. Nós motoristas encontramos dificuldades nos trajetos, como questões de higiene, alimentação e apoio a manutenção do veiculo. Mas que logo foram contornados com apoio de postos de combustíveis reabrindo conveniências, borracharias e mecânica. Claro que com muito cuidado e prevenção ao vírus. O acompanhamento da família junto ao motorista esta temporariamente negada para evitar problemas de saúde, fiscalização e ingressos a países do Mercosul. A empresa fornece álcool em gel e máscara para o motorista e funcionários do escritório, nos mantém informado a todo tipo mudanças e situações que possam nos ajudar na estrada.

Guia Crissiumal - E a alimentação?

Fernando - Alguns voluntários distribuíram marmitas nas estradas, portas de empresas para quem aguardava carregar ou descarregar. Tive a oportunidades de realizar essa refeição fornecida por um grupo da igreja evangélica da cidade de Sumaré-SP. Equipes do sest-senat se distribuíram em estradas e aduanas passando informações de prevenção ao vírus, também distribuindo kits de higiene, alimentos, máscaras e luvas aos motoristas, coletando informações de origem e destino, dados pessoais e medindo temperatura.

Guia Crissiumal – Como é o controle nos países por onde andou?

Fernando - No Paraguai foi me solicitado por entidades publicas a evitar paradas desnecessárias para diminuir o contato com a população. Houve barreiras de saúde tanto nas rodovias, cidades onde passei e chegada ao cliente.

Na Argentina algumas províncias liberaram passagem nos pedágios, evitando assim a circulação de dinheiro entre brasileiros e argentinos, automaticamente cortando a circulação do vírus. No país o isolamento foi rigoroso, comércio fechado no início, mas mesmo com o retorno, brasileiros não podem entrar para comprar suprimentos durante a viagem. Tive alguns relatos em que foi solicitada a saída do local onde se aguardava programação de carregamento para retornar imediatamente ao Brasil. Rotas foram reorganizadas por haver barreiras nas rodovias e cidades.

No Chile funciona o controle de fluxo em supermercados, fruteiras e demais comércios. Não tive problemas nestes locais. O uso de máscara é obrigatório. Quando ingressado no país chileno, devemos informar a origem da viagem e destino, dados pessoais e número de telefone para contato. Caso tenhamos outro deslocamento no país, a empresa que nos recebe realiza o mesmo procedimento.

Passo de Pino Hachado, Chile

Fotos: Fernando Ellwanger Webers, especial para o Guia Crissiumal

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
Vídeos