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Geral - 04/11/2020 - 400 caminhões de soja por semana ingressaram em Misiones no mês passado


Produto é declarado como alimento para suínos

Uma média de 400 caminhões carregados com soja por semana entraram na província de Misiones no mês passado, declarados como ração para suínos, sugerindo que os porcos desenvolveram um apetite. 

Paralelamente ao crescimento explosivo da demanda por soja dentro da província, aumentaram as apreensões desse produto pronto para ser contrabandeado para o Brasil na costa do Rio Uruguai.

O repentino boom da soja em Misiones chamou imediatamente a atenção das agências e forças de arrecadação federais e provinciais e, assim, começou a desvendar a trama de um negócio que, segundo as estimativas mais conservadoras, gerava cerca de 80 milhões de pesos de lucro (5,7 milhões de reais).

De acordo com as investigações da Agência Tributária de Misiones (ATM), o principal comprador da soja é uma cooperativa para a qual o Instituto Nacional de Associativismo e Economia Social (INAES) suspendeu seu cadastramento. Vários escritórios de advocacia e contabilidade de Oberá também estão envolvidos na operação de compra de soja, que prestam assessoria para que os embarques paguem impostos na AFIP e adiantem a Receita Bruta da província, e aí praticamente qualquer vestígio dela desapareça. A suspeita dos investigadores é que o destino final da oleaginosa que entra em Misiones seja o Brasil, onde é contrabandeada. Essa hipótese é sustentada pelo aumento das apreensões de caminhões de soja pela Prefeitura Naval às margens do Rio Uruguai, porém as quantidades apreendidas são mínimas em relação ao volume que entra na província. É o novo boom do comércio ilegal. A rentabilidade do negócio está montada na brecha cambial e nas retenções nas exportações legais de soja. Ao contrário dos que exportam legalmente, os que o fazem informalmente não pagam retenções na fonte e não precisam liquidar suas divisas. Ele cobra um "bilhete real" que pode ser alterado para uma cotação paralela. O preço da soja medido em dólares é bastante semelhante em todo o mundo, mas na Argentina o que não é igual para todos é o dólar ou qualquer outra moeda. Quem exporta soja recebe o dólar oficial de 78 pesos menos 30% de retenções, o que rende um valor inferior a 55 pesos. Esse dólar de 55 pesos é o que marca o preço da soja no país. Mas quem conseguir exportar fora do sistema vai cobrar quase o triplo de cada dólar. Traduzida em números concretos, uma carga de 30 toneladas de soja colocada em Misiones tem um valor em torno de 800 mil pesos. O mesmo produto no mesmo valor é pago a uma taxa de 70 mil reais, que quando trocada por pesos no mercado paralelo equivale a 1.700.000 pesos. A diferença de 900 mil pesos por carga multiplicada pelos 400 caminhões semanais rende uns colossais 360 milhões de pesos. Um ótimo negócio, além de ilegal.

Texto / Fonte: Misiones Online, tradução Guia Crissiumal

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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