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Texto de Opinião - 04/02/2021 - Alguns fundamentos da aula/escola


Por Professora Julcilene Maria Meinerz - Graduada em Letras Inglês e Letras Espanhol

Inicia 2020, um ano novo, com muitas expectativas e nas férias costumo intensificar minhas leituras, iniciei a leitura do livro “Educação, escola e docência” de Mario Sergio Cortella, indico para professores e pais. Mas acabei terminando outras leituras e não terminei de ler o mesmo. Então iniciamos o ano letivo, novas expectativas, planejamentos e turmas. Mas em março...Coronavírus, Covid, Pandemia...??? Bom, ficarei em casa e terminarei minhas leituras, vou poder ler bastante... (pensamento inicial).

Jamais imaginei trabalhar como trabalhei, quase 20 horas por dia, em frente a tela do computador e do celular. Enfim passou.

Chegou Janeiro de 2021, então entre finalizar aulas, recuperar conteúdos com os alunos com dificuldades e preencher muitas planilhas, retomei a leitura do livro “Educação, escola e docência”, acredito que na hora certa, pois pude refletir e compreender muito durante a leitura, sobre o papel da escola, do professor e da aula, após a nova experiência vivenciada no ano de 2020. Por isso, afirmo o ensino/aprendizagem tem fundamentos que não mudam, tanto no presencial como no virtual.

Anos atrás, com a popularização da tecnologia, computador, imaginava-se que os professores se tornariam desnecessários, mas com o tempo entendeu-se que os mesmos continuavam sendo importantes e agora em 2020, pode-se comprovar que “Cada vez mais é preciso um adulto que ajude a ensinar” (CORTELLA, 2014, p.30), neste ano, especificamente, muitos que assumiram esse papel foram os pais, que se dedicaram e conforme conseguiram auxiliaram seus filhos e isso foi claramente possível observar no desempenho dos alunos que tiveram um adulto auxiliando, cobrando e quem não o teve. Além disso, a necessidade do professor, da explicação, do face a face, mais do que nunca é necessário e imprescindível para que o aluno realmente adquira conhecimento e aprenda com eficiência.

Outro fundamento abordado por Cortella é a “Humildade Pedagógica, que corresponde a um comportamento permeável ao aprendizado contínuo e ao ensino contínuo, só quem é permeável a ser educado pode também educar” (CORTELLA, 2014, p.40). Ou seja, em 2020 professor e alunos aprenderam juntos e um ensinou/auxiliou o outro, foram trocas e ajuda na maneira de enviar as atividades pelas plataformas virtuais, nas aulas online interagindo e testando a melhor maneira de compartilhar, por exemplo, um “Jamboard”, para dar conta e conseguir ter um desempenho considerável foi necessário a Humildade Pedagógica que igualmente aconteceu muito entre colegas professores e colegas alunos, uns auxiliando aos outros.

Também durante este ano escolar atípico, pode-se experienciar outra afirmação de Cortella, que em 2014, escreveu “Não é verdade que é obrigatório o uso de plataformas digitais no cotidiano da Escola como única forma de melhoria do trabalho. Um trabalho será bem feito se souber fazê-lo. Pode ser bem feito sem computadores. E pode ser mais bem feito ainda com os computadores” (CORTELLA, 2014, p.51). Exatamente isso, foi possível observar, grande parte dos alunos teve as mais variadas ferramentas (internet, computador, celular, tablet, revistas e livros digitais) ao seu alcance, porém muitos produziram trabalhos superficiais, vazios, ou seja, cópia e cola, sem pesquisa, resumo, sem busca por conhecer/ aprender, sem produção, escrita original. Percebendo-se que a busca depende muito do interesse, da vontade dos alunos em aprender e das orientações que os mesmos recebem. Comprovando o que Cortella (2014, p. 52) afirma “depositar na tecnologia a esperança prioritária de que vai elevar a condição do aprendizado é uma tolice”.

Mais um fundamento abordado por Cortella e realmente observado em 2020 é o papel da Escola, como um dos principias locais de socialização das crianças e adolescentes atualmente, local de encontro, bate papo, troca e exposição de ideias. Muito se ouviu, tenho saudade de ir à Escola para ver meus amigos, para interagir, percebendo-se a perda de significado da Escola como local de busca pelo conhecimento para local de encontro. “A escola é hoje um local de encontro. Pode-se argumentar “mas antes já o era”. Muito menos. Nós saíamos da Escola e ficávamos na esquina, no campinho, na praça ou no parquinho. Hoje todos os lugares podem oferecer riscos.” (CORTELLA, 2014, p.84), ou seja, as crianças adoram a Escola, porém tem dificuldades de gostar das aulas.

No ensino presencial e na minha opinião no ensino virtual, ainda mais, o que se deve resgatar e desenvolver no aluno é o interesse real em aprender para evoluir, com esforço, dedicação, com tempo para ler, pesquisar e recomeçar. Cortella, (2014, p.91) aborda como uma questão séria “É a disciplina como dedicação metódica à capacidade de estudo, de realização de uma tarefa. Há uma ausência da consolidação do esforço” 

Sendo essa, atualmente uma das maiores dificuldades para se alcançar o ensino e a busca pelo conhecimento de qualidade, pois a geração atual criada com as tecnologias e com a falta de tempo dos pais vive o imediatismo e a falta de paciência, produzindo muitas vezes, um conhecimento superficial, sem base teórica e sem produção própria, pois a cópia é muito fácil e rápida. Para reconstruir o hábito do estudo, é preciso que se faça uma parceria entre famílias e Escola, seja pública ou privada. Não é só disciplina de conduta é também disciplina de estudo: o número de horas dedicadas a fazer as tarefas, a necessidade de o pai ou a mãe utilizar pelo menos 15 minutos do dia para verificar se o filho fez a tarefa, discutir o trabalho metódico, afinal, todo o trabalho organizado permite o uso mais inteligente do tempo disponível. (CORTELLA, 2014, p. 94). E nesse contexto entra o papel do professor que segundo Cortella é “fazer com que os jovens da geração Z (atual) se motivem a entender que a escolarização é um pedaço da existência dele e que Educação é a vida inteira” (CORTELLA, 2014, p.70).

Portanto, após a leitura do livro mencionado anteriormente e da vivência real de diferentes desafios durante o “ano do Coronavírus”, relacionei e refleti muito sobre a realidade escolar e as palavras do mestre Cortella, sempre atuais e importantes para construir um contexto social, escolar e familiar melhor, com mais qualidade e amorosidade.

 

Bibliografia: CORTELLA, Mario Sergio. Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes. São Paulo: Cortez, 2014.  

 

Professora Julcilene Maria Meinerz - Graduada em Letras Inglês e Letras Espanhol.

 

Postado: Leila Ruver
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