Saiba Malhar o Câncer de Mama
Neste mês de outubro, dedicado à prevenção do câncer de mama, inicio com um tema bastante polêmico, mas muito atual, sobre a relação da atividade física com essa doença, que atinge tantas mulheres. Já não resta dúvida de que suar a camisa auxilia na prevenção e no tratamento da doença. A grande novidade, porém, é que cientistas vêm delimitando a quantidade e o ritmo perfeitos para potencializar o efeito dos exercícios. Não é qualquer caminhadinha de final de semana que confere a maior proteção contra esse tumor, embora esse hábito seja bem melhor do que ficar parado. Estudos recentes apontaram que as mulheres com menor probabilidade de desenvolver um nódulo maligno nos seios dedicavam sete horas ou mais na semana às atividades físicas. Detalhe: elas treinavam em um ritmo de moderado a intenso. Entre outros benefícios, esforços dessa magnitude elevam significativamente o gasto metabólico. Com isso, cai o risco de a barriga inflar, algo importante, uma vez que a obesidade aumenta a produção de hormônios como estrogênio e insulina, que, em excesso, podem patrocinar o câncer de mama. Contudo, até tipos dessa doença que não mantém ligações com hormônios aparecem menos entre quem malha com frequência. Esse hábito, por si só, controla inflamações pelo organismo, outro fator por trás dos tumores.
Uma mulher já diagnosticada com câncer de mama também leva vantagem ao se movimentar regularmente. De acordo com um trabalho de um laboratório americano, pessoas com o problema que corriam mais ou menos 1 quilômetro por dia tinham uma redução de 40,9% no risco de morrer. Os exercícios eliminam o excesso de lipídios que circulam no sangue. Aí, essas moléculas não são tão aproveitadas pelo tumor como substrato para seu desenvolvimento. A atividade física ainda reduz a formação de vasos ao redor do câncer, que servem para abastecê-lo de sangue. Em outras palavras, é como se corridas e pedaladas auxiliassem a matar o inimigo de fome.É importante frisar que levantar peso, através da musculação, também deve integrar o protocolo de treinamento das mulheres acometidas pela doença, pois o exercício resistido diminui o linfedema, um inchaço que ás vezes aparece nos braços delas.
Que fique claro, não é proibido calçar o tênis e dar suas passadas por aí durante o tratamento, mas é absolutamente necessário se submeter a uma avaliação completa com o objetivo de identificar eventuais restrições de movimento ou uma anemia, por exemplo. Ocorre que muitas vezes a paciente não sai da cama mesmo com o aval do médico por causa de efeitos colaterais, como fadiga e enjoo, decorrentes da própria terapia. E, quando esses sintomas se manifestam de maneira intensa, de fato a atitude correta é descansar. Só que, no momento em que eles dão uma leve trégua, vale a pena tirar o corpo do marasmo. Parece contraditório, mas essa atitude atenua, mais tarde, a volta do cansaço e das náuseas. Ao longo do tempo, e com a orientação dos especialistas, se aprende a lidar com as reações do organismo ao tratamento e, a partir daí, é possível encaixar a atividade física no dia a dia sem sofrimento. Há gente que fica extenuado pela manhã por causa da quimioterapia, mas, à tarde, tem disposição para se exercitar um pouco.
Além de debelar o câncer, suar a camisa incrementa, e muito, a qualidade de vida de quem está se tratando. As atividades físicas previnem a degeneração dos músculos, uma possível consequência do tratamento que abala a independência. Está comprovado que o exercício contorna o estresse e ainda a tristeza, sentimentos comuns em pessoas diagnosticadas com tumores nos seios. Quando nos mexemos com frequência, o cérebro fabrica moléculas capazes de amenizar os incômodos e oferecer uma dose de disposição extra. Pacientes com câncer que se conservam mais ativas, até por reclamarem menos de dores e ficarem relaxadas, dormem com mais facilidade. A ideia de que o câncer de mama exige repouso absoluto ficou para trás. As prescrições modernas, já bastante objetivas, defendem que a melhor estratégia é vencê-lo pelo cansaço.

Postado: Leila Ruver
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