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Leite - 03/06/2021 - Custos criam dificuldades para a produção de leite


Assim como a agroindústria das carnes, a cadeia dos lácteos também enfrenta escassez do milho

Assim como ocorre nas cadeias produtivas de aves e suínos, a do leite têm sofrido com o aumento de custos, provocado sobretudo pela valorização do milho, principal componente da ração animal. Segundo levantamento da Embrapa Gado de Leite, o produtor enfrentou uma inflação dos preços pagos acumulada de 31,14% de junho de 2020 a maio de 2021. Diante da redução nas margens de rentabilidade, ele tem buscado alternativas para se manter na atividade.

Todos os itens medidos pelo Índice de Custos de Produção de Leite (ICPLeite) apresentaram variação positiva nos últimos 12 meses. A alimentação concentrada respondeu pela maior alta, com 52,36%. Em seguida vem a produção e compra de volumosos, com 34,65%. Outros grupos também tiveram alta acima de 10%, como o sal mineral, energia e combustível. Desde maio de 2020, somente a saca de milho teve uma valorização de 100%, chegando a estar cotada hoje a R$ 100,00. No primeiro quadrimestre, o ICPLeite acumulou alta de 9,33%.

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando), Marcos Tang, alerta que, mesmo com o aumento recente no preço do litro do leite – hoje próximo de R$ 1,85 –, a rentabilidade da atividade segue prejudicada. Embora entenda que o produtor de milho deve ser bem remunerado, o dirigente afirma que o impacto da alta no setor leiteiro tem sido grande, uma vez que o grão representa cerca de 60% da composição da ração animal. 

A expectativa é de que, pelo menos, a produção não venha a cair no inverno e possa ser favorecida pelas pastagens da estação, como azevém, e pelo clima menos seco. “Quando as vacas vão para o pastoreio, com pastagens boas, você consegue diminuir, mas não se livrar da necessidade do uso do milho”, observa Tang. De acordo com ele, os produtores que têm acesso a resíduos como bagaço de laranja ou cevada conseguem minimizar a utilização do milho, mas sem substituir o cereal. Tang ressalta ainda que há produtores deixando a atividade em razão dos custos elevados. Até o momento, segundo o dirigente, isso não tem representado uma baixa na oferta de leite, já que muitas vacas acabam sendo absorvidas por outros criadores.

“O principal problema é que, com duas estiagens consecutivas, muitos produtores não conseguiram fazer reserva de silagem”, afirma o vice-presidente da Fetag, Eugênio Zanetti. A situação é mais favorável para quem  conseguiu produzir a silagem ou utiliza a tecnologia da irrigação. Conforme Zanetti, a retomada do auxílio emergencial e das aulas presenciais devem representar um aumento no consumo do leite nos próximos meses, o que poderá contribuir para elevar o preço do produto. Mesmo assim, ele cobra políticas públicas de incentivo. “A Conab tem que fazer o papel dela, que é regular os estoques”, resume. 

Fonte: Correio do Povo

Foto: Guia Crissiumal Arquivo

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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