Notícia

Saúde - 03/04/2013 - Hospital de Caridade de Crissiumal fará paralisação dos atendimentos eletivos na próxima segunda-feira em atendimento a mobilização nacional das Santas Casas


Comunicado foi enviado à imprensa nesta quarta-feira

A Direção do Hospital de Caridade de Crissiumal encaminhou na tarde desta quarta-feira (03) um comunicado à imprensa local, comunicando que no próximo dia 08 de abril haverá uma paralisação dos atendimentos eletivos em no Hospital.

 

São considerados procedimentos eletivos todos aqueles realizados com data e horário marcado, devido ao seu caráter preventivo e não de urgência, sejam eles cirurgias ou exames. Nessa data, não haverá interrupção nos atendimentos de urgências e emergências, considerados primordiais para que a população não sofra desassistência generalizada.

 

O objetivo da mobilização é buscar o reajuste de 100% na tabela do SUS para procedimentos de baixa e média complexidade (que são realizados no Hospital) e evitar o colapso do atendimento em nossas instituições e consequente na rede hospitalar do SUS.

 

A Direção do Hospital relatou o seguinte sobre a mobilização: ”Nesse dia estaremos reunidos no Hospital e no centro da cidade entregando folhetos com alguns dados do movimento. Esse movimento é nacional e faz parte de uma série de atos que estarão acontecendo no decorrer do ano até conseguirmos nosso objetivo e queremos também dessa forma, conscientizar a população e governo sobre a importância de nossas instituições para o SUS e sobre o colapso iminente que pode acontecer caso não tenhamos nossas reivindicações atendidas.”

 

Segue abaixo material informativo:

 

INFORME À POPULAÇÃO

 

Santas Casas e Hospitais Beneficentes podem fechar as portas

Em 08 de abril, as Santas Casas, hospitais e entidades beneficentes, farão em todo o país um Ato de Mobilização Nacional para alertar a sociedade sobre o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde, com ênfase na realidade da crise das Santas Casas e Hospitais Beneficentes.

O Ato prevê bloquear todo o agendamento eletivo nesta data, como ação de protesto e sensibilização pública. Destacamos que a manutenção da assistência nas urgências e emergências são primordiais para que a população não sofra desassistência generalizada.

A pauta de reivindicações do movimento é o reajuste de 100% para os procedimentos de média e baixa complexidade da Tabela SUS.

Este movimento é legítimo e espera mobilizar a opinião pública para que a defasagem da tabela de procedimentos do SUS que impõe um déficit de R$ 5 bilhões por ano às instituições, responsável por uma dívida total de cerca de R$ 12 bilhões, seja revista com urgência.

É notável que está cada vez mais difícil para as Santas Casas e hospitais beneficentes cumprirem seu papel social. A maioria dos seus hospitais utiliza mais de 90% da capacidade no atendimento gratuito, embora a legislação exija apenas 60%. Hoje, algumas já fecharam as portas e muitas estão diminuindo o número de atendimentos para o SUS como forma de atenuar o déficit operacional. Quando um hospital deixa de atender um paciente do SUS não o faz porque não é vantajoso, mas porque não é possível.

Somente no Estado do Rio Grande do Sul, as entidades filantrópicas respondem por mais de 75% do atendimento SUS à população, estas 245 entidades contam com 22.977 leitos, sendo 15.590 destinados ao SUS. Além disso, em 220 municípios do Estado, o único hospital que existe é filantrópico. Esta é a maior rede de saúde do RS, sem estas instituições a desassistência à população é certa.

Os filantrópicos permitiram a criação do SUS, uma das maiores conquistas sociais do Brasil, já que o Estado não dispunha à época, e não dispõe hoje, de uma estrutura capaz de suportar a universalização da assistência. Para vencer esse obstáculo a administração pública estabeleceu um acordo com a rede beneficente, que colocou seus hospitais à disposição do projeto. Essa parceria público-privada é a espinha dorsal do SUS e o colapso das Santas Casas e Hospitais Beneficentes coloca em risco todo o funcionamento do sistema.

Não podemos negar que a EC 29 trouxe avanços para o setor, como a determinação do que, de fato, é gasto em saúde. Mas, da forma como o texto foi aprovado, a área está deixando de receber cerca de R$ 35 bilhões. Dinheiro que, sem dúvida, deveria estar sendo empregado no atendimento à população no Sistema Único de Saúde (SUS). O centro do problema é a defasagem da tabela de procedimentos do SUS. Esse documento determina quanto o Governo deve pagar por cada intervenção realizada nos pacientes da rede pública. No geral, o déficit é de 40%, ou seja, para cada R$ 100,00 gastos os hospitais recebem R$ 60,00. E isso ocorre há anos, minando aos poucos a sobrevivência dos filantrópicos.

Ressaltamos o interesse das entidades em estabelecer canal efetivo de diálogo para alcançar as soluções esperadas pelos milhões de usuários do SUS.

Finalmente, diante desse quadro de desequilíbrio, solicitamos a compreensão de todos brasileiros nesta luta, cujo êxito trará ganhos significativos para toda a sociedade.

Atenciosamente,

Hospital de Caridade de Crissiumal

Carlos Willy Grun - Presidente­

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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