Mais de 80 produtores da região estiveram durante o dia na Laticínios Mondaí

Mais de 80 produtores rurais de sete municípios do Noroeste do Rio Grande do Sul realizam uma manifestação na tarde desta quinta-feira (02), no pátio da indústria Laticínios Mondaí. O grupo representa agricultores dos municípios de Miraguaí, Crissiumal, Três Passos, Coronel Bicaco, Horizontina, Esperança, Tenente Portela, Bom Progresso e Tiradentes do Sul. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três Passos, Aurealino Alexandre, o objetivo do movimento é negociar com a empresa o pagamento da última fatura do leite que foi fornecido pelos produtores e que está atrasada.
Uma comissão composta por representantes de cada um dos municípios foi formada e está em negociação com os gestores da empresa. De acordo com Aurealino Alexandre, devido ao atraso no pagamento, centenas de agricultores estão com dificuldades financeiras, pois tem na bovinocultura de lei a subsistência familiar. Segundo o sindicalista, há agricultores com valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil para receber da Laticínios Mondaí. Ele destacou à nossa reportagem que o movimento é pacífico. “Não estamos aqui para fazer desordem. Nós estamos aqui mobilizados para buscar o que é nosso”, afirma.
Conforme um dos organizadores da manifestação, Eduardo Ferrari, que é vereador de Três Passos e advogado, se não houver negociação com a empresa, os agricultores vão buscar meios judiciais para receber os atrasados. "Ninguém quer isso aconteça, mas é preciso resolver o problema", salienta.
Os bovinocultores de leite do Noroeste do Rio Grande do Sul forneciam o produto para a filial da laticínios em Vista Alegre/RS. Depois o leite era transportado até Mondaí para ser revendido ou utilizado na fabricação de queijos e derivados. Após a interdição da empresa, devido à investigação que apurou fraude no leite, os produtores buscaram outras indústrias de laticínios para fornecer a produção.
A Laticínios Mondaí foi interditada no último dia 12 de setembro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A empresa funcionava, desde 19 de agosto, sob regime de fiscalização especial, após investigação apurar adulteração do leite com produtos químicos. Após este processo, a indústria não conseguiu mais vender seus produtos e acabou estocando 500 toneladas de queijo. A situação fez com que a empresa não pudesse honrar seus compromissos com fornecedores e também dispensasse seus funcionários.
Foto: Evandro Maraschin/ Rádio Porto Feliz
Fonte: Rádio Porto Feliz
Postado: Leila Ruver
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