Atividade física versus dor de cabeça I
A lista de benefícios proporcionados pelos exercícios físicos parece não ter fim. Mas, acredite, os especialistas conseguiram descobrir mais um: eles amenizam as crises de dor de cabeça.
É o que se conclui dos resultados obtidos pelo primeiro estudo epidemiológico sobre dor de cabeça realizado no Brasil. O objetivo foi estimar a prevalência de enxaqueca e cefaleia, nome científico da dor de cabeça comum, entre os brasileiros. Além disso, procurou avaliar a relação entre esses tormentos e hábitos do dia a dia, como a prática regular de exercícios físicos. No final, os dados da pesquisa são um estímulo e tanto para todo mundo levantar da cadeira e se mexer, aliás, não só para quem vive com a sensação de que a testa está prestes a explodir. Os sedentários apresentaram 43% mais enxaqueca e 100% mais cefaleia crônica, com crises diárias, do que os indivíduos que se exercitam. A explicação para esse elo entre menor incidência de dor de cabeça e malhação está nos nossos neurônios. Os exercícios aumentam a produção de endorfinas, neurotransmissores que proporcionam bem-estar. Eles funcionam como uma morfina natural.
Alguns artigos sugerem que outras substâncias liberadas durante a atividade física, como a epinefrina e os esteroides, podem estar por trás do alívio. A melhora na circulação sanguínea, que provoca um aumento da oxigenação cerebral, é mais um fator que colabora para o fim das dores. Sem contar a diminuição do estresse.
Como as endorfinas estão diretamente ligadas a uma menor ocorrência de crises, os exercícios mais indicados para o combate da dor de cabeça são aqueles que mais estimulam a liberação dessas substâncias, os aeróbios, como a caminhada, a natação e a corrida de baixo impacto. Os exercícios de fortalecimento muscular também produzem algum efeito, porém em menor grau. As atividades que envolvem relaxamento, como o alongamento e a ioga, e as lúdicas, como a dança de salão, também podem ajudar a diminuir os sintomas, graças ao bem-estar que proporcionam.
Além de privilegiar os esportes aeróbios, a maneira como se pratica a atividade física conta muito. Se for feita de maneira incorreta, o feitiço se volta contra o feiticeiro, em vez de mitigar a dor, a malhação acaba por torná-la mais forte e, pior, pode aumentar o número de episódios de crise. Os exercícios muito intensos ou realizados sem o devido aquecimento não são bem-vindos, especialmente para quem vive com dores de cabeça.
Outra: para que o esporte só produza alívio, é fundamental alimentar-se bem antes e depois dos treinos. Respirar em um ritmo normal ao exercitar o corpo é igualmente recomendação importante. A tendência é prender a respiração quando a gente se esforça em demasia porque a glote, estrutura que se localiza na laringe e que impede a entrada dos alimentos nas vias respiratórias, se fecha. Mas daí a pressão arterial se eleva, o fluxo sanguíneo em direção à cabeça cai e não demora para aquela sensação ruim pintar na testa e adjacências. Além disso, só saia correndo por aí após se submeter a uma avaliação médica: o aval de um especialista, assim como o acompanhamento de um fisioterapeuta ou um Educador Físico competente quando o indivíduo tiver problemas posturais, é imprescindível.
Na próxima semana, abordarei o mesmo assunto: serão enumerados os benefícios da atividade física para quem sofre de dores de cabeça, o jeito certo de se exercitar e os erros mais comuns de quem quer iniciar na atividade física. Um abraço e até lá!

Postado: Leila Ruver
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