Notícia

Geral - 01/10/2013 - Turismólogo Felipe Sturmer escreve texto cheio de esclarecimentos, sendo contrário a construção das hidrelétricas no Rio Uruguai


Também temos a colaboração do Pastor Edison Hunsche

A discussão sobre a construção das barragens do rio Uruguai recebeu novos textos encaminhados à redação do Guia Crissiumal nesta terça-feira, dia 01º de outubro.

 

O primeiro deles é do turismólogo crissiumalense Felipe Sturmer. O segundo é um cálculo enviado pelo Pastor Edison Hunsche. Confira na íntegra. 

 

Bom dia Clécio

Entro em contato, pois gostaria de manifestar minha opinião a respeito da construção das barragens hidrelétricas no trecho Binacional do rio Uruguai e parabenizar o Guia Crissiumal por este espaço, pois realmente achei que a população não estava participando e é importante, as mais diversas opiniões, tanto a favor como contra para enriquecer a discussão.

 

Sou Crissiumalense, turismólogo e hoje resido em Três Passos, onde tenho uma Agência de Turismo e trabalho como secretário do Consórcio Rota do Yucumã, consórcio público de 30 municípios da região que trabalha pró-desenvolvimento do turismo na região.

 

 Em virtude do trabalho no consórcio, e o Salto Yucumã, maior atrativo turístico da região, que poderá ser atingido, estive participando de muitas reuniões sobre a construção das barragens (inclusive na Argentina), visitando a hidrelétrica de Foz do Chapecó (entre RS e SC) além de buscar junto a Eletrosul (BRA) e a Ebisa (ARG) materiais sobre o assunto (projetos técnicos iniciais, mapas...).

Aos defenderam a construção das usinas hidrelétricas:

 

- Vocês conhecem algum projeto técnico dos empreendimentos que possam comprovar que será uma construção benéfica para o município de Crissiumal e região?

Os projetos iniciais são da década de 70, idealizados pelo governo militar, ficaram 30 anos engavetados, apesar de mudanças, só nos é mostrado àquilo que pode ser mostrado, sendo que na maioria das vezes, muitas informações só serão repassadas quando a construção estiver em andamento e ou quando o lago estiver enchendo.

 

- Quem garante que o entorno e o lago da usina poderão ser usados para pesca, camping, turismo e demais atividades?

Na maioria das usinas não pode, o lago é cercado e ninguém pode nem praticar esportes, tanto que a preço de “banana” é desapropriado uma área maior que a alagada. Caso possa ser usado, teremos ao menos um ponto positivo.

 

- O município ganhará os famosos Royalties?

Royalties são compensações sobre a área alagada, o que o município poderia produzir (grãos e outros) em relação a área alagada por ano. Talvez para os municípios que terão uma área alagada maior (P. Mauá) esse valor até poderá ser considerado, mas para os municípios do fundo do lago (Crissiumal, Tiradentes do Sul, Esperança do Sul e Derrubadas) serão atingidas áreas de lazer (Três ilhas, prainha), valor que muitas vezes não é considerado e se reverte em quase nada.

- E os peixes e o Rio?  

Com as usinas da parte brasileira, já construídas, é possível constatarmos um grande assoreamento das margens do rio, que quando largam água de uma hora para outra o rio sobe desenfreadamente o que ainda causa problemas para a reprodução dos peixes, Só para citar um exemplo, o peixe dourado (peixe que identifica o nosso rio) para se reproduzir e consequentemente sobreviver, necessita cerca de 100 km de água corrente. O que será do Rio Uruguai sem seu principal peixe? Em outras palavras, queremos decretar a morte do rio Uruguai?

 

- E o Salto do Yucumã?

Os estudos iniciais estipularam como “marco” para a definição da Cota 130, (130 mt do nível do mar) da barragem de Panambi que o Salto Yucumã não seja coberto, porém isso não garante que o salto não seja atingido, atualmente quando a barragem de Foz do Chapecó (acima) larga muita água rapidamente, o Salto do Yucumã já fica submerso, imaginem vocês depois ainda tendo mais uma barragem segurando água no lago de baixo. A preocupação é grande e as informações são poucas.

 

 Para terminar, aos que defendem a construção, seus argumentos em parte são válidos, porém com as poucas informações que temos hoje, são hipóteses, Foz do Iguaçu, cresceu e cresce talvez um pouco por causa de Itaipu, mas muito mais pelas cataratas, (uma das sete novas maravilhas do mundo) que continua preservada.

 

Visitando a usina de Foz do Chapecó posso comprovar, após a construção, apenas 10 pessoas “tocam” toda a usina, numero imensamente inferior a pessoas que terão que ir embora, deixar suas terras para outras áreas, diminuindo ainda mais a população da região.

 

A tecnologia nos mostra que as possibilidades para geração de energia são imensas, PCHs que causam muito menos impacto, eólicas, solar entre outras, porém o debate é muito maior, e nós “meros mortais” só sabemos o que devemos ficar sabendo.

 

O histórico de construções nos mostra que infelizmente os interesses econômicos de grandes corporações são mais importantes que os impactos sociais causados. Durante, com a migração de mão-de-obra barata para municípios sem estrutura de recebê-la, e posterior, grande área alagada, êxodo rural, destruição e impactos ambientais gravíssimos.

 

Por que ao invés de o governo fazer a região noroeste pagar a conta do consumo de energia dos grandes centros, alagando quase cem mil hectares e desalojando 12 mil pessoas, não implanta uma política de desenvolvimento regional duradoura, fazendo com que a região recupere os quase 10 mil habitantes que perdeu nas últimas décadas, assegurando qualidade de vida e oportunidades de emprego e renda na região. (10 mil perdeu só a região celeiro, sem conta a região de Santa Rosa).

Sou contra a construção e sigo buscando informações concretas, e em minha saga, sexta-feira dia, 04/10 estaremos participando de mais uma reunião, às 10 horas no Auditório da Unijui em Santa Rosa, Diálogos CDES RS, promovido pelo Conselhão do Estado, todos interessados, sintam-se convidados é aberto a todos.

 

Os Argentinos estão contra e organizados: CLIQUE AQUI

Felipe Stürmer.

 

 

 

 

O Pastor Edsion Hunsche também nos envia um cálculo interessante, que estima em produção leiteira o valor gerado pela Usina:

 

É possível estimar a Compensação Financeira que será paga pelas usinas?


Nos estudos de inventário, foi estimado em cerca de 3 milhões de dólares o valor anual a ser pago aos municípios brasileiros a título de Compensação Financeira, com base na estimativa de faturamento médio anual das duas usinas, na parte que caberia ao Brasil. São 19 municípios a serem atingidos pelas obras e o calculo final é a média por município. Ou seja, 121 vacas produzindo 10 litros de leite por dia vão gerar mais riqueza do que a compensação financeira que os municípios irão receber.

 

Até o final de semana continuaremos diariamente postando as opiniões de nossos internautas, dando vez e voz aos interessados e a comunidade.

 

Foto: Guia  Crissiumal Arquivo

 

 

 

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
Vídeos