Embrapa reunirá conhecimento popular e científico para construção de pesquisa de doutorado

Desde a última segunda-feira a equipe de pesquisadores da Embrapa Ernestino Guarino, Alberi Noronha, Adalberto Miura, Sérgio Antônio Rodrigues e Gustavo Crizel Gomes e Letícia Penno se encontra pela região reunindo ações do Projeto RestaurAção. Estiveram em Crissiumal na propriedade de Nelson Foesch e Ivete Strauss Foesch, ouvindo, registrando e construindo com a filha do casal Meri Diana Strauss Foesch a ideia de pesquisa de doutorado voltado à agroecologia e agroflorestas na agricultura familiar. Para desenvolver novas tecnologias agroecológicas, serão ouvidos na pesquisa agricultores familiares e comunidades indígenas da região noroeste. Por isso, seguiram para a TI Guarita onde se encontraram e ouviram as lideranças das etnias Kaigang e Guarani, as quais possuem muita diversidade cultural e uma produção de alimentos com sementes crioulas e querem aderir ao projeto. No retorno de hoje, registraram o momento na propriedade familiar. "É muito importante este diálogo da academia (universidade) com o saber popular e vice-versa. O que nos desafiamos a fazer é encontrar um canal para facilitar essa troca e poder documentá-lo." diz Meri, mestra em ciências ambientais e florestais.

O estudo usará metodologia qualitativa para validar os conceitos e princípios de qualidade de vida, restauração ambiental, lazer, saúde, diretamente com os atores desses processos que possuem conhecimentos acumulados por sua vivência, experiência de sua geração e das gerações anteriores, pais, avós bisavós, contadas e ensinadas para os filhos que estão se perdendo pela falta de sucessão na agricultura. "O projeto visa difundir as agroflorestas na região através da restauração florestal para a segurança alimentar, hídrica e energética de agricultores familiares e principalmente indígenas da Terra Indígena Guarita." Diz Ernestino.
Segundo Meri a agrofloresta é o uso da terra onde o plantio é diversificado e possui "andares" desde plantas de horta e grãos até árvores frutíferas e para madeira. Com a agrofloresta é possível produzir mais e durante o ano todo, principalmente abastecendo a alimentação das famílias e gerando excedentes. O projeto Florestas Comestíveis é sequência do projeto RestaurAção. Que possui agricultores e escolas beneficiados com mudas florestais nativas e bibliotecas para as escolas. Mais algumas linhas de ação estão sendo estudadas para o projeto e foram construídas nesse encontro, dentre elas o Turismo Sustentável e o Mapeamento de famílias interessadas em aderir às tecnologias agroecológicas.
"É uma honra ser agente deste projeto em nossa terra. Trazer toda experiência vivencial que captei Brasil afora e poder criar aqui, vendo meus pais e agricultores como eles sendo co-autores nessa construção, muita alegria e gratidão traduzem este momento". Meri ressalta. O projeto está aberto a apoiadores e parceiros e mais informações podem ser consultadas com Meri em seu e- mail meridiana.sf@gmail.com.

Fotos: Sérgio Antonio
Fonte: Divulgação
Postado: Clécio Marcos Bender Ruver| Tweet |